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Revelação: Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro dinheiro para financiar "Dark Horse" do pai, Jair Bolsonaro, e caso envolve o Banco Master

Mala aberta com pilhas de notas de dólar numa mesa de madeira com objetos de filmagem e documentos.

Um novo episódio marcou esta semana a corrida às presidenciais no Brasil: veio a público que Flávio Bolsonaro, candidato que surge empatado com Lula da Silva, terá solicitado dezenas de milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro para, alegadamente, suportar a produção de uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário encontra-se entretanto detido, na sequência de suspeitas de ter liderado o que é apontado como a maior fraude ao sistema bancário brasileiro.

Conversas por WhatsApp - mensagens e áudios - entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgadas pelo portal "The Intercept Brasil", indicam que o banqueiro aceitou financiar com 23,9 milhões de dólares (mais de 20 milhões de euros) o filme "Dark Horse". A longa-metragem, realizada por Cyrus Nowrasteh, contará a história de Jair Bolsonaro e terá Jim Caviezel como protagonista. A produção é descrita como o filme brasileiro mais caro de sempre.

Pagamentos em atraso

O conteúdo das trocas de mensagens, datadas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, mostra o filho de Jair Bolsonaro a pedir a Vorcaro - a quem tratava por "irmão" - que regularizasse prestações em atraso.

Documentação consultada pelo "The Intercept Brasil" sustenta que, entre fevereiro e maio de 2025, foram efectivamente movimentados pelo menos 10,6 milhões de dólares (9,1 milhões de euros). Nessa fase, Vorcaro ainda não tinha sido detido e o Banco Master, instituição que liderava, também não tinha sido encerrado pelo Banco Central do Brasil - medida que viria a acontecer em 18 de novembro do ano passado.

Questionado sobre o eventual patrocínio do filme por Vorcaro, pouco antes de a notícia ser publicada na quarta-feira, o candidato presidencial reagiu dizendo tratar-se de "mentira". Depois da revelação, e ainda no mesmo dia, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo em que admitiu a existência de um contrato e assegurou que o financiamento da obra era 100% privado - apesar de ser do conhecimento público que o Banco Master tinha fundos de previdências públicas.

Entretanto, surgiram versões que colocam em causa o destino do dinheiro atribuído a Vorcaro. A Goup Entertainment, produtora responsável pela cinebiografia, e o produtor-executivo Mário Frias - antigo secretário de Cultura do Governo Bolsonaro - afirmaram não ter recebido qualquer verba do dono do Banco Master.

Possível desvio investigado

De acordo com a Imprensa brasileira, a Polícia Federal apura se as quantias transferidas terão sido desviadas para apoiar Eduardo Bolsonaro - outro filho do ex-presidente - a permanecer nos EUA, para onde se exilou, em fevereiro de 2025. A mesma investigação procura esclarecer se esses recursos terão também contribuído, de forma indirecta, para a campanha que Eduardo Bolsonaro tem desenvolvido junto da Administração Trump contra o Governo do Brasil.

O ex-deputado, citado pela "Folha de S. Paulo", declarou que a investigação não faz sentido e acrescentou que o seu estatuto migratório não permite o recebimento de valores.

As suspeitas intensificaram-se porque o destinatário dos 10,6 milhões de dólares foi um fundo gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Sobre esse ponto, o político defendeu-se com a seguinte justificação: "O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos [do filme]".

No meio da turbulência que atinge a família Bolsonaro, o ex-presidente - actualmente preso por tentativa de golpe de Estado - terá aconselhado Flávio Bolsonaro, numa reunião, a "aguentar firme". Segundo a rádio CBN, Jair Bolsonaro garante que não existe qualquer cenário em que o filho seja afastado como candidato presidencial do Partido Liberal, apesar das especulações de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderia surgir como alternativa.

Lula da Silva optou por não se alongar sobre o tema, afirmando que "é um caso de Polícia". O presidente do Brasil reuniu-se uma vez com Vorcaro, em dezembro de 2024 e, segundo a Imprensa brasileira, sublinhou na ocasião que os assuntos levantados pelo banqueiro eram de natureza técnica e deveriam ser encaminhados ao Banco Central.

Reações

Direita
Ronaldo Caiado, antigo governador de Goiás e pré-candidato presidencial, declarou que Flávio Bolsonaro "deve responder às questões". Já Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e igualmente pré-candidato, descreveu o episódio como "imperdoável" e "um tapa na cara dos brasileiros de bem".

Esquerda
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral do Governo, afirmou que Flávio Bolsonaro "não tem qualquer condição de seguir como senador, menos ainda de ser presidente do Brasil". Por sua vez, o Partido dos Trabalhadores defende a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso do Banco Master.

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