Há 45 anos, a 13 de maio, Karol Wojtyla foi alvo de uma tentativa de assassinato no Vaticano que o deixou entre a vida e a morte. Doze meses mais tarde, deslocou-se a Fátima para agradecer a intervenção protetora de Nossa Senhora.
13 de maio de 1981: os disparos na Praça de São Pedro contra João Paulo II
A Praça de São Pedro vivia um ambiente de entusiasmo, com acenos e clamores de uma multidão em euforia, quando três tiros cruéis cortaram o ar. João Paulo II, que seguia sorridente no jipe do Vaticano, caiu de repente, amparado pela comitiva que o acompanhava; a batina ficou manchada de sangue e a maior praça do Vaticano explodiu num pranto coletivo. Em pânico, milhares de fiéis gritavam: "o Papa morreu".
Eram 17.21 horas do dia 13 de maio de 1981. Karol Wojtyla foi atingido duas vezes: o primeiro projétil entrou pelo abdómen, a escassos centímetros do coração, provocando várias perfurações no intestino delgado e no intestino grosso; o segundo feriu-lhe a mão esquerda e o braço direito, com lesões mais ligeiras. O Papa foi transportado de urgência para o hospital Gemelli, em Roma. No caminho, perdeu a consciência, foi submetido a uma operação de cinco horas para controlar a hemorragia e, no total, permaneceu internado durante 22 dias.
Mehmet Ali Ağca, os Lobos Cinzentos e o perdão
O autor do atentado foi Mehmet Ali Ağca, então com 23 anos, um terrorista turco ligado ao grupo militante fascista Lobos Cinzentos. Foi detido de imediato e condenado a prisão perpétua. Menos de três anos depois, João Paulo II foi visitá-lo à prisão e perdoou-lhe a tentativa de homicídio.
Mais tarde, em 2000, após 19 anos de cadeia cumpridos em Itália, Ağca recebeu também o perdão do então presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi. Foi deportado para a Turquia, onde cumpriu mais dez anos de reclusão. Pelo meio, em março de 2006, uma comissão parlamentar italiana criada por Silvio Berlusconi sugeriu que a União Soviética teria estado por trás do atentado. Ainda assim, as motivações reais de Mehmet Ağca nunca ficaram verdadeiramente esclarecidas.
Fátima e a ligação reforçada após o atentado
O que é indiscutível é que o episódio ajudou a consolidar uma relação especial entre João Paulo II e Fátima: o atentado aconteceu a 13 de maio, data em que Nossa Senhora terá aparecido aos três pastorinhos, na Cova de Iria, em 1917. Um ano após os disparos, o Sumo Pontífice quis ir a Fátima para agradecer a proteção que teria recebido na Praça de São Pedro.
Durante a visita a Portugal, afirmou: "Os tiros que me atingiram foram disparados por uma mão humana, mas outra mão desviou-os". Já alguns meses antes, na primeira audiência geral depois do atentado, tinha sublinhado a certeza de uma proteção divina. "Poderia esquecer que o acontecimento na Praça de São Pedro se realizou no dia e na hora, em que, há mais de 60 anos, se recorda em Fátima, em Portugal, a primeira aparição da Mãe de Cristo aos pobres e pequenos camponeses?", perguntou, acrescentando que, em tudo o que sucedeu nesse dia, reconhecera a "extraordinária proteção maternal e solicitude, que se mostrou mais forte do que o projétil mortífero".
12 de maio de 1982: novo ataque em Fátima e visitas posteriores
Ainda assim, a primeira deslocação de João Paulo II a Fátima também ficou marcada por uma tentativa de atentado. Desta vez, a 12 de maio de 1982, o padre espanhol Juan Fernández Krohn tentou atacá-lo, atingindo-o com uma baioneta (punhal) e provocando-lhe ferimentos ligeiros.
O sucedido, porém, não quebrou a ligação do Papa a Fátima: regressou a Portugal por mais duas vezes, em 1991 e em 2000, sempre a 13 de maio. Pelo meio, em 1984, ofereceu ao Santuário a bala que o atingira na Praça de São Pedro, que foi incrustada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima. João Paulo II morreria muitos anos depois, em abril de 2005, aos 84 anos.
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