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CDS-PP rejeita “diluição ou fusão” na AD no 32.º Congresso em Alcobaça

Homem a discursar num púlpito com bandeiras de Portugal e da Madeira ao fundo numa reunião formal.

No 32.º Congresso do CDS em Alcobaça, recusa de “fusão ou diluição”

O líder parlamentar do CDS-PP rejeitou, este sábado, qualquer cenário de “fusão ou diluição” com outros partidos e assegurou a “afirmação plena” dos centristas, sublinhando que o partido não se esgota na coligação. Para Paulo Núncio, a agenda reformista em curso na AD corresponde, em larga medida, ao que o CDS defende.

No discurso proferido no primeiro dia do 32.º Congresso do CDS, que decorre até domingo em Alcobaça (Leiria), o dirigente criticou de forma dura a hipótese de aproximações orgânicas a outras forças políticas: "Não nos esgotamos na coligação, como alguns dizem, mas somos uma parte ativa dessa coligação e quando alguns optam por falar em diluição ou fusão com outros partidos como é possível considerar ou equacionar a fusão do CDS com outros partidos? Que feio! Que ideia mais feia!".

Identidade e autonomia do CDS-PP na AD

Na leitura do líder parlamentar, o caminho do CDS-PP faz-se com identidade própria e com afirmação política, sem perder a sua singularidade. Por isso, sustentou que o futuro do partido “passa pela afirmação da autenticidade e da individualidade”.

Essa autonomia, insistiu, deve ser visível sobretudo na atuação institucional e no trabalho político desenvolvido no Parlamento, onde entende que o CDS mais consegue marcar posição.

“As reformas da AD são reformas CDS”: as prioridades apontadas

Paulo Núncio enquadrou a posição do partido na coligação através de uma ideia central: "A afirmação do CDS passa pelo reformismo. E o reformismo da AD é o reformismo do CDS. As reformas da AD são reformas CDS". A partir daí, enumerou cinco exemplos do que qualificou como “reformas parlamentares” com participação ativa do CDS.

Entre as medidas destacadas pelo dirigente estão:

  • a redução do IRC;
  • “rigor na imigração”;
  • o aumento das pensões mais baixas para “os mais carenciados”;
  • mais “oferta na habitação”;
  • “valorizar e dignificar as nossas Forças Armadas”, ocasião em que elogiou o desempenho do presidente do partido, Nuno Melo, enquanto ministro da Defesa Nacional.

Nesta linha, reforçou o propósito da presença no Executivo: "É precisamente isso que estamos a fazer neste Governo. Estamos na AD para fazer reformas. Estamos na AD para reformar o país".

Votação diferenciada e resultados do grupo parlamentar

O deputado centrista apresentou também dados sobre o trabalho do grupo parlamentar, que partilha com João Almeida, referindo que “mais de 80% das iniciativas” apresentadas foram aprovadas.

Em paralelo, sublinhou que, no funcionamento normal de uma coligação, existem divergências pontuais entre parceiros. "Nos últimos dois anos, votámos mais de 100 vezes de forma diferente do nosso parceiro de coligação, o que é absolutamente normal numa coligação de dois partidos diferentes, mas que souberam, ao longo da sua história, juntar esforços, fazer coligações, governar o país e responder aos desafios estruturais do nosso país", afirmou.

Daí, concluiu a linha política em relação a cenários de integração partidária, repetindo a rejeição: “nem diluição, nem fusão”. E voltou a insistir na ideia de reforço identitário: "Afirmação e afirmação plena do CDS. É no Parlamento que o CDS mais afirma a sua identidade".

Pedro Morais Soares rejeita críticas sobre identidade do partido

Também o secretário-geral do CDS-PP, Pedro Morais Soares, recusou a ideia de que o partido esteja à procura de se redefinir. Segundo o dirigente, não faz sentido dizer que o CDS “precisa de se reafirmar ou até de reencontrar a sua identidade”.

"O CDS sabe bem quem é e sempre soube. O CDS é um dos partidos fundadores da democracia em Portugal. É o único partido democrata-cristão em Portugal e sempre profundamente humanista", defendeu. No mesmo contexto, considerou ainda que o presidente centrista, Nuno Melo, “alcançou e superou todos os objetivos” traçados no último congresso para o seu mandato.

Sobre a integração na AD, Morais Soares afirmou que a decisão foi tomada com “sentido de responsabilidade e de patriotismo”, por entender que “era a melhor solução para o país”, e não por “conveniência nem por cálculo político”. Acrescentou, a este propósito, que o CDS-PP “é um partido de poder”.

"E hoje sabemos que essa decisão foi determinante para garantir uma alternativa ao socialismo e para dar a Portugal um rumo diferente", apontou.

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