O presidente do F. C. Porto, André Villas-Boas, fez o balanço da conquista do título nacional, depois de um primeiro ano de mandato que descreveu como "avassalador pela negativa". O dirigente dos azuis e brancos sublinhou a qualidade do plantel atual e apontou Francesco Farioli como peça-chave na evolução registada em 2025/26.
Balanço do primeiro ano e o investimento no plantel
Em declarações à SportTV, Villas-Boas enquadrou as dificuldades sentidas na época anterior e a forma como a equipa conseguiu resistir ao contexto do primeiro ano na presidência: "Terminar em terceiro lugar com todas as dificuldades inerentes ao primeiro ano de mandato. Houve muitas coisas que sustiveram esta equipa, quando vendemos Galeno e Nico injetamos 110 milhões de euros que permitiram investir nesta equipa. Sem isso, não tínhamos o talento que temos agora".
Ainda sobre o caminho percorrido, o líder portista referiu a valorização do plantel e o peso do que foi vivido na época passada: "De acordo com o "Transfermarkt", o F. C. Porto é a equipa mais valiosa do futebol português e isso conta muito, por conta do sofrimento que tivemos no ano passado. Obrigou-nos a sofrer na pele muitas desilusões e custou muito. Houve um movimento orgânico associativo [rumo às eleições de 2024] e o primeiro ano ser tão avassalador pela negativa custou bastante".
Francesco Farioli e a transformação do F. C. Porto em 2025/26
Já centrado no momento mais recente, Villas-Boas apontou a mudança de ciclo e a aposta feita no comando técnico: "A renovação foi feita, fizemos a aposta num treinador que há muito era desejado por nós e que transformou esta equipa como ninguém, fez funcionar o talento em função do coletivo".
O presidente deixou também elogios à estrutura do clube e a quem trabalha fora do foco principal: "Estou muito agradecido à equipa que tenho comigo, no campo da gestão, comercial, jurídico, na parte desportiva com a entrada do Tiago Madureira, no campo financeiro, temos uma equipa de nível europeu como poucas têm. Todas estas pessoas que trabalham na sombra transformaram o F. C. Porto, são decisivas na transformação do clube".
"Trezentas mil pessoas nos Aliados"
Pouco depois, em entrevista ao Porto Canal, Villas-Boas voltou a agradecer o apoio dos sócios e destacou sinais de crescimento no clube: "depois de termos sofrido muito no passado recente, registámos um recorde de lotação do estádio, crescimento do número de sócios e de lugares anuais". A esse propósito, reforçou a importância de manter a coesão: "Este é um lugar que nos pertence e não o queremos largar. Por isso queremos manter a união", deixando ainda um apelo para que a celebração na Ribeira e nos Aliados decorra sem incidentes.
Com o ambiente festivo em perspetiva, o presidente alertou para a dimensão do evento e para os cuidados necessários: "Que seja um ambiente em segurança. É um momento de festa, mas há risco envolvido. Vamos fazer um São João antecipado, há barcos que vão seguir a comitiva e que tudo corra bem. São esperadas 300 mil pessoas nos Aliados. Protejam-se, protejam as vossas crianças. Vai ser uma noite longa, mas amanhã há uma final da Taça feminina para ganhar".
Ainda no mesmo registo, Villas-Boas reiterou a centralidade do campeonato nos objetivos do clube e deixou uma referência indireta ao Benfica: "O campeonato é o principal objetivo, sempre, a cada ano. É algo que nos enche de orgulho, dá uma alegria eterna, e prestígio. Sinto mais alívio e felicidade por termos dado esta alegria às pessoas. Permite-nos ser o clube com mais títulos do futebol português, sem termos de inventar Taças Latinas. Que sustente o nosso futuro desportivo daqui para a frente", pediu.
Da conquista como treinador ao título como presidente
Depois de ter sido campeão nacional pelo F. C. Porto como treinador em 2010/11, André Villas-Boas repete agora a conquista, mas no cargo de presidente. Ao comparar os dois papéis, explicou as diferenças no tipo de satisfação que cada função proporciona: "As tuas decisões como treinador estão imediatamente vinculadas com o jogo, isso dá-te prazeres que são únicos. O presidente está numa posição de gestão e a sua função é pôr as pessoas nos lugares certos e fazê-las funcionar. Mantenho o meu campeonato como treinador como o título mais saboroso", assumiu.
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