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Tiago Oliveira deixa a AGIF a 16 de maio

Homem de fato azul segura documentos junto a mapa e fotos de incêndios, com capacete amarelo sobre mesa.

À frente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) desde 2017, o engenheiro florestal Tiago Oliveira - doutorado em Governança de Risco de Incêndio - prepara-se para abandonar o posto, dois meses depois de ter formalizado a intenção de sair. O dirigente da entidade que, nos últimos oito anos, assegurou apoio à decisão nesta área pediu a demissão em março, invocando “razões pessoais” e a vontade de reservar mais tempo para a família. “Depois de mais de oito anos a dar o melhor de mim e a mobilizar esta equipa, chegou o momento de fazer outras coisas na vida”, disse ao Expresso.

Saída de Tiago Oliveira da AGIF em plena aproximação à “fase Bravo”

A cessação de funções está marcada para 16 de maio, num período particularmente delicado, com a proximidade da etapa mais exigente da época de incêndios em Portugal e o arranque da “fase Bravo”. Ainda assim, o especialista considera que a capacidade de resposta não deverá sofrer alterações significativas, sublinhando que “a equipa técnica da AGIF mantém-se no terreno a apoiar a Proteção Civil, nomeadamente através de simulações e modelos de previsão de incêndios”, reforçando a antecipação e a prevenção.

Na mesma linha, sustenta que “O nosso contributo é sobretudo de suporte à decisão operacional e de antecipação de cenários. A equipa continua focada e mobilizada, não vai haver diferença.”

Sempre criticou um sistema “preso na armadilha do combate” e sublinhou que o fogo se apaga com a cabeça

Alertas sobre a “armadilha do combate” e fricções no setor

Ao longo do seu percurso, o engenheiro florestal tem chamado repetidamente a atenção para os riscos de um sistema ficar “preso na armadilha do combate”. Também reiterou a ideia de que "um fogo pequeno apaga-se com os pés e um grande com a cabeça e não com mais meios aéreos".

Este posicionamento foi, em certos momentos, motivo de resistência por parte de algumas entidades ligadas ao combate e à propriedade. Entre os temas em que apontou atrasos, destacou a demora na resolução das heranças indivisas.

Relatórios, ações no terreno e a carta à equipa

Nos meses mais recentes, a AGIF fez chegar relatórios e propostas de orientação estratégica a entidades nacionais, incluindo um balanço preliminar relativo aos fogos de 2025. Em paralelo, decorrem iniciativas operacionais no terreno, com apoio ao planeamento e à comunicação em vários municípios, entre as quais uma estratégia a abranger 22 concelhos na região de Leiria.

O Expresso apurou ainda que Tiago Oliveira entregou, há pouco tempo, uma carta à equipa que liderava na AGIF, onde assinala “a excecionalidade da equipa” e expressa orgulho no caminho percorrido na defesa e valorização da floresta e da silvo pastorícia enquanto recursos estratégicos do país. Na missiva, recorda o trabalho iniciado em 2017, quando liderou a Estrutura de Missão que esteve na origem da criação da AGIF, bem como o que foi desenvolvido ao longo destes anos e o seu contributo para mudar a forma como a sociedade encara o problema, reduzindo o número de incêndios e os danos associados.

Salienta igualmente os contributos para a definição da estratégia nacional e dos programas regionais para enfrentar os incêndios, assim como a mobilização de meios, a inovação operacional e o recurso a conhecimento científico nacional e internacional. O trabalho desenvolvido pela Agência foi aplaudido por agências das Nações Unidas e da União Europeia.

Tiago Oliveira assumiu funções na AGIF na sequência dos trágicos incêndios de 2017, na dependência direta do então primeiro-ministro António Costa. Com o Governo de Luis Montenegro, passou a estar sob a tutela do Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. Até ao momento, ainda não é conhecido o sucessor.

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