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Trump revela pergunta de Xi Jinping sobre Taiwan e aborda Irão e Boeing

Mesa de reunião com mapa da China, bandeiras dos EUA e China, avião de brinquedo, documentos e caneta.

Taiwan no centro da cimeira sino-americana

Donald Trump contou que Xi Jinping lhe colocou, de forma directa, uma pergunta sensível: se Washington defenderia Taiwan caso a China avançasse com um ataque. O Presidente norte-americano disse ter optado por não responder. As declarações foram feitas aos jornalistas a bordo do Air Force One, já no final da visita oficial a Pequim, segundo o The New York Times.

“Só há uma pessoa que sabe isso. Sabem quem é? Eu. Essa pergunta foi‑me feita hoje pelo Presidente Xi. Disse que não queria falar sobre isso”, afirmou Trump. Acrescentou que o tema de Taiwan foi amplamente discutido nas conversações, mas sem assumir compromissos.

Venda de armas a Taiwan e receios de conflito a longa distância

Os dois líderes abordaram também as vendas de armamento dos EUA a Taiwan. Trump indicou que pretende decidir, nos próximos dias, sobre um pacote de 14 mil milhões de dólares. “Terei de tomar uma decisão, mas a última coisa de que precisamos agora é de uma guerra a 9500 milhas (aprox. 15 300 km) de distância”, declarou.

Sobre a posição chinesa, Trump disse que Xi Jinping "tem uma opinião muito forte sobre Taiwan" e não quer "ver uma luta pela independência porque seria um grande confronto".

Encomenda de aviões Boeing e outras notas económicas

A questão de Taiwan foi apresentada por Xi como “a questão mais importante” na relação entre Pequim e Washington. Em paralelo, Trump voltou a afirmar que a China se comprometeu a comprar 200 aviões Boeing, admitindo ainda a hipótese de a encomenda total subir para 750 aeronaves se o primeiro lote correr bem. Ainda assim, nota o The Guardian, o entendimento não foi confirmado pela empresa.

China concorda: Irão não deve ter armas nucleares

As conversações trataram igualmente a guerra com o Irão e a segurança marítima no Médio Oriente. Segundo Trump, a China está "firmemente convencida" de que o Irão não deve possuir armas nucleares e "quer que reabram o estreito de Ormuz". Questionado sobre se Xi se comprometeu a pressionar Teerão para reabrir a passagem, respondeu que os EUA “não precisam de favores”, embora possam ter de fazer “algum trabalho de limpeza”.

Trump disse ainda que está a ponderar levantar sanções a empresas chinesas que compram petróleo iraniano, garantindo que anunciará em breve uma decisão.

Proposta de acordo e críticas à resposta iraniana

O Presidente norte-americano afirmou estar aberto a um acordo de paz em que Teerão suspendesse o seu programa nuclear durante 20 anos, desde que existisse “um compromisso sério”. Voltou, porém, a endurecer a linguagem, chamando “inaceitável” a primeira frase da mais recente proposta iraniana para terminar o conflito. “Eles tinham concordado plenamente com ‘nenhum nuclear’. Se há nuclear de qualquer forma, nem leio o resto”, disse, apontando aquilo que considera serem garantias insuficientes. Trump sustentou que o Irão tinha aceitado entregar a sua reserva de urânio enriquecido, mas que entretanto terá recuado.

Ideia de acordo nuclear trilateral com China e Rússia

Trump revelou também ter sugerido a Xi a possibilidade de um acordo nuclear trilateral entre Estados Unidos, China e Rússia, com o objectivo de limitar o número de armas nucleares. “Muitos problemas foram resolvidos”, assegurou, embora da cimeira não tenha resultado qualquer compromisso formal.

O último encontro aconteceu esta sexta-feira, na residência oficial de Xi, em Zhongnanhai. Antes de uma reunião de quase três horas - acompanhada por conselheiros e intérpretes -, os dois líderes caminharam pelos jardins do complexo.

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