Apesar de ainda não existir, até ao momento, um anúncio oficial publicado pela Agência de Cooperação em Defesa e Segurança (DSCA), os Estados Unidos estarão a avançar com a autorização de um pacote de modernização destinado aos caças F-16 Block 52 da Força Aérea do Paquistão. A indicação surge a partir de registos provenientes do Congresso norte-americano, que dão conta da submissão, por parte do Departamento de Estado, do pedido para aprovação desta operação no âmbito do Programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), avaliada em US$ 686 milhões.
Contexto: os F-16 na Força Aérea do Paquistão
A Força Aérea do Paquistão é, desde a década de 1980, um operador relevante do F-16. Estas aeronaves foram sendo recebidas em várias fases ao abrigo dos programas Peace Gate I, II, III e IV, num percurso marcado também por embargos decorrentes das oscilações na relação entre Islamabad e Washington.
Com o relançamento das relações bilaterais nos anos 2000, no contexto da chamada Guerra contra o Terror, o Paquistão conseguiu reaproximar-se dos Estados Unidos, o que permitiu a aquisição dos F-16 mais recentes presentes actualmente no seu inventário, pertencentes ao Block 52 (12 F-16C e 6 F-16D).
Pedido de modernização e fundamentos apresentados aos EUA
Perante a necessidade de manter actualizada uma das suas principais plataformas de combate, o Governo do Paquistão terá solicitado aos Estados Unidos a compra de diversos sistemas e serviços enquadráveis num pacote de modernização. De acordo com o registo, o foco incide nas aeronaves Block 52 da Força Aérea do Paquistão.
As justificações apresentadas ao Comité de Relações Externas para avançar com a venda referem que: “A venda proposta permitirá manter a capacidade do Paquistão para fazer face às ameaças actuais e futuras através da actualização e modernização da sua frota de F-16 Block 52 e de aeronaves abrangidas por programas de extensão de vida útil (Mid Life Upgrade)”.
É ainda acrescentado que: “Estas melhorias proporcionarão uma integração e interoperabilidade mais fluida entre a Força Aérea do Paquistão e a Força Aérea dos Estados Unidos em operações de combate, exercícios e treino, enquanto as tarefas de recondicionamento irão prolongar a vida útil das aeronaves até 2040 e abordar questões críticas de segurança de voo. O Paquistão demonstrou o seu compromisso com a manutenção das suas forças militares e não terá dificuldades em incorporar estes artigos e serviços nas suas Forças Armadas”.
Equipamentos incluídos e possível venda complementar
Além do valor já indicado, e tendo a Lockheed Martin como principal fornecedora, a proposta inclui uma lista de equipamentos e sistemas que integrariam a operação, como novos sistemas de datalink Link 16 e bombas de treino inertes MK 52 de cerca de 227 kg (500 lb).
O pacote incluiria igualmente: “… modificações de hardware e software da aeronave para apoiar o Programa Operacional de Voo e as actualizações obrigatórias de aviónica; sistema avançado de Identificação Amigo-Inimigo (AIFF) AN/APX-126 (ou equivalente); módulos criptográficos KY-58M e KIV-78; carregadores simples de chaves AN/APQ-10C; equipamento adicional e apoio a comunicações seguras, navegação de precisão e dispositivos criptográficos; sistemas conjuntos de planeamento de missões e o respectivo apoio; equipamento comum de reprogramação e teste integrado de munições (…)”.
Por fim, importa referir que este pacote de modernização - que aguarda anúncio - poderá ser complementado por uma eventual venda de novos mísseis ar-ar para os F-16 paquistaneses. Essa possibilidade é reforçada por um contrato adjudicado à Raytheon para o fornecimento de mísseis AMRAAM a países aliados abrangidos pelo Programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), entre os quais figura o Paquistão.
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