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ERS: lista de espera para cirurgia oncológica no SNS sobe 9% para 8215 utentes no final de 2025

Mulher preocupada sentada na sala de espera de um hospital a olhar para resultados médicos nas mãos.

Segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), no final de 2025 encontravam-se 8215 utentes à espera de cirurgia programada, o que corresponde a uma subida de 9% face ao ano anterior.

A lista de espera para cirurgia oncológica no SNS deteriorou-se na segunda metade de 2025: 8215 utentes permaneciam em fila para cirurgia programada (mais 9% do que no período homólogo de 2024) e, entre eles, 21,2% já aguardavam para lá dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG). No conjunto dos hospitais públicos, foram concretizadas 34.771 cirurgias programadas em oncologia, menos 3,0% do que no ano anterior, de acordo com a ERS, que divulgou esta segunda-feira estes números na "informação de monitorização sobre os tempos de espera" no SNS.

Questionada sobre os dados da ERS, a ministra da Saúde defendeu que "não é uma falência. É uma dificuldade". Em entrevista ao podcast "Política com Assinatura", da Antena 1, Ana Paula Martins sublinhou: "foi por essa razão que, quando chegamos, percebemos que o atual sistema de gestão das listas de espera não era eficiente. Criava situações perversas, não tinha auditoria clínica".

"Pressão vai continuar"

A governante indicou que o novo modelo de gestão das listas de espera entra em vigor a 1 de agosto, mas reconheceu que "o aumento de pressão vai continuar porque temos uma demografia em expansão e um envelhecimento populacional que faz com que haja uma maior necessidade de cuidados de saúde".

No relatório, a ERS detalha que, a 31 de dezembro de 2025, estavam 8215 utentes a aguardar cirurgia programada em oncologia, mais 9% do que no período homólogo de 2024. Nesse universo, os TMRG foram ultrapassados em 21,2% das situações, traduzindo-se num agravamento de 4,0% face a igual período de 2024. O documento assinala ainda que, no segundo semestre, 8874 utentes esperavam por primeira consulta com suspeita ou confirmação de doença oncológica (mais 3%); 65,5% desses doentes tiveram tempos de espera acima dos TMRG, embora aqui se tenha observado uma redução de 13,1%. face a igual período de 2024.

Na cardiologia, os hospitais públicos realizaram, no mesmo intervalo, 4508 cirurgias programadas, o que equivale a uma descida de 4,9% em comparação com o segundo semestre de 2024. Entre os utentes submetidos a cirurgia cardíaca, 32,8% foram tratados após um tempo de espera superior aos TMRG, menos 0,8% do que no período homólogo de 2024. De acordo com os mesmos dados da ERS, a 31 de dezembro de 2025 havia 2703 utentes à espera de cirurgia cardíaca (mais 39,5%), sendo que 58,6% aguardavam acima dos TMRG - menos 0,3% do que em 2024.

No fecho do segundo semestre, estavam 28 234 utentes em lista de espera para a primeira consulta de cardiologia, um acréscimo de 8,4%. Destes, 74,9% viram o tempo de espera ultrapassar os TMRG, apesar de se ter registado uma melhoria de 11% face ao mesmo período de 2024.

Liga Portuguesa Contra o Cancro alarmada

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) expressou esta segunda-feira inquietação com o agravamento das listas de espera em oncologia e pediu ao Ministério da Saúde medidas urgentes que assegurem consultas e cirurgias dentro dos prazos adequados. Em declarações à agência Lusa, a propósito dos números (ver texto principal), o presidente da LPCC, Vítor Veloso, considerou que "são dados negativos" que a instituição observa "com admiração, mas uma admiração negativa e com uma preocupação muito grande". "Estes dados demonstram que, em relação aos doentes oncológicos, a situação não é brilhante", afirmou, apontando o aumento de 9% na espera pela cirurgia oncológica. Para o oncologista, é ainda mais inquietante que 21,2% dos doentes em lista já tenham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, bem como o aumento dos tempos de espera para a primeira consulta da especialidade. "Todos estes dados são negativos e a Liga solicita ao Ministério da Saúde que se debruce sobre eles e que lance uma iniciativa que considere e faça com que esta situação seja recuperada", defendeu.

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Outras especialidades
No final de 2025, encontravam-se 1.056.223 utentes em lista de espera para a primeira consulta de outras especialidades nos hospitais públicos, mais 17% do que em 2024. No mesmo período, 189.444 utentes aguardavam cirurgia de outras especialidades, menos 0,6%, e 16,3% apresentavam um tempo de espera superior ao recomendado.

Hospitais protocolados
A atividade cirúrgica nos hospitais protocolados com o SNS recuou 7% no segundo semestre de 2025, face ao mesmo período de 2024. Na cirurgia oncológica, estas unidades realizaram 72 intervenções programadas, uma diminuição de 30,8% em relação ao período homólogo.

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