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Eurovisão 2026: Bandidos do Cante desafiam casas de apostas e tentam chegar à final, com Israel no centro da polémica

Três cantores em palco com bandeiras de Portugal e Israel ao fundo e público com bandeiras de Portugal.

A 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção promete voltar a dominar atenções mediáticas. Ao longo desta semana, 30 países disputam nas semifinais de terça e quinta-feira um lugar na final de sábado. Ao todo, concorrem 35 países, mas os Big Five - este ano reduzidos a quatro (Reino Unido, Itália, França e Alemanha) - têm presença assegurada, tal como a Áustria, por ser o país anfitrião.

O arranque da Eurovisão 2026 fica, no entanto, marcado pela contestação à inclusão de Israel, num contexto em que o conflito e a crise humanitária em Gaza continuam sem desfecho.

A primeira semifinal realiza-se esta terça-feira, em Viena, na Áustria. Portugal estará representado pelos Bandidos do Cante, com “Rosa”, um tema de homenagem ao cante alentejano, Património da Humanidade. A emissão pode ser acompanhada na RTP, a partir das 20 horas.

O quinto dos Big Five, a Espanha, não entra este ano: é uma das nações que rejeitaram participar, como forma de protesto contra a presença de Israel.

Mais países de fora

À semelhança de Espanha, também a Irlanda, Islândia, Países Baixos e Eslovénia optaram por abandonar a competição pelos mesmos motivos. Além disso, Espanha, Irlanda e Eslovénia já anunciaram que não vão transmitir na televisão aquele que é o maior evento da música europeia.

A Amnistia Internacional juntou-se às críticas, defendendo que "o genocídio não deve ter palco" e que "a não suspensão de Israel da Eurovisão trai a humanidade". Em paralelo, milhares de artistas europeus têm apelado ao boicote do festival. Em Viena, onde nesta altura se sucedem iniciativas ligadas à Eurovisão, são esperados protestos, razão pela qual a segurança policial foi reforçada.

Em Portugal, a continuidade da participação de Israel tem sido alvo de muita contestação, incluindo por parte de trabalhadores da RTP. A maioria dos músicos portugueses que concorreu ao Festival da Canção tinha deixado a indicação de que não seguiria para a Eurovisão em caso de vitória; ainda assim, os Bandidos do Cante avançam e mantêm-se como representantes.

No fundo das apostas

Só depois da primeira semifinal se ficará a saber se “Rosa” chega a sábado. O tema surge no fundo das casas de apostas, em 33.º lugar entre 35. Após os primeiros ensaios na Áustria, ainda recuperou algumas posições, mas, apesar de somar várias reacções positivas entre fãs, voltou a descer e enfrenta um cenário difícil.

Ainda assim, na tabela de apostas da sua semifinal, a canção está em 11º - e apenas 10 avançam para a final. Portugal sobe ao palco em quinto lugar, numa noite em que também actuam três dos favoritos: Finlândia, Grécia e Israel.

A abertura cabe a “Viva, Moldova”, dos Satoshi, uma mistura sonora moldava que parece saída de um filme de Kusturica. Segue-se a Suécia, com Felicia e “My sistem”, numa proposta de pop electrónico assente numa fórmula festiva já familiar e que este ano se repete em vários concorrentes. A Croácia apresenta Lelek e “Andromeda”, com um toque tradicional centrado num coro feminino. Já a Grécia, segundo nome mais bem colocado, leva Akylas e “Ferto”, outra combinação de pop e tecnho.

Israel em 3.º nas casas de apostas

Depois de “Rosa”, é a vez de a Geórgia entrar em cena com Bzikebi e “On replay”, um tema rápido entre a pop e a electrónica. A Finlândia apresenta Pete Parkkonen com a violinista Linda Lampenius em “Liekinheitin”, algures entre balada épica, clássico e dance. Montenegro, com Tamara Zivković, volta a cruzar coros grandiosos com pop e dance em “Nova zora”. Da Estónia, Vanila Ninja traz a canção pop “Too epic to be true”.

Noam Bettan, representante de Israel - terceiro nas casas de apostas agregadas ao Eurovisionworld - actua também esta terça-feira com “Michelle”, interpretada parcialmente em francês.

Ainda sobem ao palco mais cinco países nesta primeira semifinal: a Bélgica, com Essylae e “Dancing on the ice”; a Lituânia, com a balada de Lion Ceccah “Sólo quiero más”; San Marino, com Senhit e o eletrodance “Superstar”; a Polónia, com Alicja e “Pray”, entre o gospel e o hip hop; e a Sérvia, com Lavina e o sombrio “Kraj mene”.

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