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Matosinhos aposta em drones para vigiar praias e apoiar emergências até 2027

Homem com colete refletor controla drone com câmara numa praia com guarda-sóis e pessoas ao fundo.

Matosinhos está a investir em tecnologia para vigiar a orla costeira e reforçar a resposta a emergências no concelho. O projeto deverá estar no terreno até ao início de 2027.

O município de Matosinhos prepara-se para colocar drones a monitorizar as suas praias, equipamentos que também serão usados como apoio noutros cenários de socorro. Com holofote, altifalante e câmara térmica, estes dispositivos vão servir de suporte em operações de salvamento, mas também na identificação de colunas de fumo e na antecipação de potenciais cheias. A iniciativa está a ser desenvolvida internamente pela autarquia e a meta passa por ter tudo operacional antes do início de 2027.

Do total de três drones comprados - num investimento global de 100 mil euros - dois ficarão instalados no topo de edifícios ainda por definir e terão voos programados para tarefas de “análise de risco, vigilância e reconhecimento”. “Se, por exemplo, enquanto estiver a percorrer a linha da costa, o drone detetar uma pessoa num agueiro ou numa zona rochosa, emitirá uma mensagem pré-gravada de que o sujeito está num local de risco”, explicou Paulo Gonçalves, chefe da Divisão de Risco da Câmara de Matosinhos.

O terceiro equipamento, por sua vez, ficará montado numa viatura e será mobilizado para ocorrências de emergência e socorro. A operação dos drones ficará a cargo de elementos da Proteção Civil e de nadadores-salvadores com formação específica para o efeito.

Emergências e informação com drones em Matosinhos

“Em caso de acidente, como, por exemplo, um derrame de matérias perigosas ou um incêndio urbano, este procedimento é desencadeado pela nossa central de comunicações, são ativados os meios e os operacionais e é disponibilizada esta ajuda ao comandante das operações de socorro”, sublinhou Paulo Gonçalves.

Ainda assim, as capacidades não se limitam à atuação em momentos críticos. Os drones vão também recolher informação para permitir antecipar acontecimentos e melhorar a eficácia da resposta. Para tornar essa componente cada vez mais precisa, o objetivo passa por “criar uma inteligência artificial própria da Proteção Civil e depois começar a dar-lhe contexto”.

“Através da captação de dados atmosféricos, do estado das marés, de trânsito, entre outros indicadores, será possível recolher muita informação de várias áreas com estes drones. Assim, mais tarde, será possível que, além de estarem a fazer uma monitorização em tempo real, ainda sejam criados algoritmos de previsão”, adiantou José Borges, do Gabinete de Informação Estratégica da Câmara de Matosinhos, responsável pelo desenvolvimento do programa. O engenheiro informático referiu ainda que, no futuro, poderá existir informação que identifique quais as praias onde é necessário reforçar o patrulhamento.

Na vertente de salvamentos aquáticos, a câmara térmica permitirá localizar pessoas no mar, enquanto o holofote servirá para marcar o ponto onde se encontra quem está em risco. Depois, através do altifalante, será possível comunicar com a vítima, quer recorrendo a mensagens pré-gravadas, quer - numa fase seguinte - com intervenção direta de um operacional, existindo também ideias para evoluir a tecnologia.

O plano está traçado e as aplicações para a tecnologia são imensas. Os próximos meses serão de testes, na expectativa de que, antes do início de 2027, as praias de Matosinhos estejam sob monitorização plena destes drones.

Voarão de forma autónoma em reconhecimento

Os dois drones colocados no topo dos edifícios vão executar autonomamente as missões de reconhecimento. Caberá a José Borges programar os percursos de voo e desenvolver os algoritmos que suportam a operação. “Vão recolher milhares de gigabytes de informação, processar esses dados com dezenas de algoritmos diferentes, de modo a tirar vários tipos de informação. Depois, esse tratamento de dados será devolvido para o "dashboard", que é onde a central poderá ter acesso à informação processada”, detalhou José Borges.

Os próprios equipamentos irão avaliar quando existem condições meteorológicas adequadas para cumprir as missões. A aposta na qualidade do equipamento permite que os drones consigam trabalhar “com chuva, frio ou vento”, desde que não se verifiquem situações extremas.

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Aplicações
Entre outras utilizações, os drones poderão ajudar a mapear o número de “veículos que transportam matérias perigosas” a circular no concelho. De acordo com José Borges, esta informação será útil para “saber como agir em situações de emergência”.

Outros concelhos
Para além de Matosinhos, a mesma tecnologia poderá apoiar outros municípios - como já aconteceu no apoio à Marinha Grande no levantamento de danos após as intempéries que atingiram a região Centro do país.

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