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Sybiha rejeita Schroeder como mediador europeu nas negociações de paz sobre a Ucrânia

Mesa com placa de "Mediator", pasta azul com símbolos da UE e Ucrânia, e bandeiras ao fundo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, afastou esta segunda-feira, em Bruxelas, a hipótese de o antigo chanceler alemão Gerhard Schroeder vir a assumir funções de mediador europeu em contactos destinados a terminar a guerra russo-ucraniana.

Ucrânia recusa a mediação de Gerhard Schroeder

À entrada do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), Sybiha foi peremptório: "Não apoiamos de todo um candidato assim", declarou aos jornalistas, de acordo com a agência pública ucraniana Ukrinform.

A ideia de envolver Schroeder como mediador foi lançada pelo Presidente russo, Vladimir Putin. Ainda assim, o chefe da diplomacia ucraniana sustentou que existem "muitos outros líderes" em condições de desempenhar essa função.

Papel da UE como via complementar aos EUA

Sybiha realçou que a participação europeia no processo de paz pode acrescentar-se ao trabalho já em curso, em particular ao que está a ser conduzido pelos Estados Unidos.

"Temos as conversações de paz principais lideradas pelos Estados Unidos, precisamos dessa via e da liderança norte-americana, mas a Europa também poderia desempenhar um papel, um novo papel", afirmou.

Deixou claro, contudo, que não se trata de criar um canal concorrente, mas sim de reforçar o esforço diplomático: "Não estamos a falar de negociações de paz alternativas, mas de uma via complementar", sublinhou, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

Berlim e Bruxelas sublinham falta de neutralidade de Schroeder

Também o Governo alemão se mostrou contra a sugestão de Putin de atribuir a Schroeder um papel de mediação internacional em eventuais conversações sobre a Ucrânia.

Para o ministro alemão para os Assuntos Europeus, Gunther Krichbaum, o ex-chanceler não deu provas, no passado, de reunir as condições necessárias para ser visto como uma figura neutra: "O antigo chanceler não demonstrou no passado ter o necessário para poder atuar aqui como mediador neutral", afirmou.

Krichbaum acrescentou, igualmente em Bruxelas, que Schroeder "está, e também se deixou influenciar claramente por Putin".

Na ótica de Berlim, a proximidade de Schroeder a Moscovo coloca em causa a sua imparcialidade, e qualquer mediador só faz sentido se for aceite pelas duas partes.

O governante alemão admitiu que amizades próximas podem ser legítimas, mas frisou que "não contribuem para que alguém possa ser percebido como um ator de mediação íntegro e imparcial", insistindo ainda que qualquer nome terá de contar com o aval de Kiev.

"O importante, acima de tudo, é que um mediador possa ser aceite por ambas as partes", rematou o político conservador.

Tajani fala em escolha europeia e admite António Costa

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, considerou que caberá à UE definir quem a representará caso avancem contactos de paz com a Rússia e admitiu que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, poderia ser um dos nomes em cima da mesa.

"A Europa escolherá o negociador da Europa, não a Rússia", afirmou Tajani à chegada ao Conselho de Negócios Estrangeiros, em Bruxelas, segundo a agência italiana ANSA.

De acordo com o chefe da diplomacia italiana, a escolha deverá resultar de uma decisão conjunta: "Será uma decisão tomada coletivamente pelos 27 países da UE. Mas, entretanto, precisamos de ver se a Rússia quer verdadeiramente a paz, espero que sim".

Confrontado com a possibilidade de António Costa ser o negociador europeu, o também vice-primeiro-ministro de Itália descreveu o antigo primeiro-ministro português como um "nome prestigiado".

O passado de Schroeder e as ligações a empresas russas

A alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, também afastou o nome de Schroeder para a mediação, apontando os cargos que o ex-chanceler assumiu em empresas estatais russas do sector energético depois de deixar funções governativas.

Kallas descreveu-o como tendo sido, então, um "lobista de alto nível para empresas estatais russas".

Schroeder esteve à frente do Governo alemão entre 1998 e 2005 e é associado ao aprofundamento da dependência energética da Alemanha em relação à Rússia, mantendo há anos ligações a empresas russas.

Com 82 anos, o antigo chefe do Executivo continua a ser uma figura controversa na Alemanha devido à sua relação com Putin.

Em 2022, sob a pressão desencadeada pela invasão da Ucrânia, abandonou o lugar no conselho de administração da gigante russa do gás Gazprom.

Ainda nesse ano, o parlamento alemão retirou-lhe parte dos privilégios a que tinha direito por ter exercido o cargo de chanceler.

Dentro do próprio Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), chegaram a ser discutidas iniciativas para a sua expulsão, mas essas tentativas nunca avançaram.

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