Saltar para o conteúdo

OMS confirma nove casos de hantavírus no cruzeiro “Hondius”

Passageiros com máscaras desembarcam do ferry Hondius, enquanto profissional de saúde os recebe com equipamento de proteção.

Casos de hantavírus no “Hondius” e medidas de controlo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou esta terça-feira que existem nove casos de infeção por hantavírus já confirmados e mais dois prováveis entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro “Hondius”.

Tendo em conta que o período de incubação pode ir até oito semanas, é provável que surjam mais casos nas próximas semanas. Ainda assim, as pessoas que estiveram a bordo encontram-se sob vigilância médica e os infetados - bem como quem apresenta suspeita de infeção - estão isolados, pelo que “nada aponta para um surto maior”, acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Portanto, devido à interação enquanto ainda estavam no navio – especialmente antes de começarem a tomar medidas de prevenção contra infeções – devido a esta interação, podemos esperar mais casos devido a alguns dos acontecimentos durante a viagem”, contextualizou o especialista.

Tedros Adhanom Ghebreyesus frisou ainda que os números de casos suspeitos e confirmados “não mudaram muito” nas últimas semanas. Voltou também a pedir a todos os países que receberam tripulantes e passageiros para os manterem em quarentena durante 42 dias e reiterou que “a avaliação da OMS” é que o risco para a saúde e para a população global continua a ser baixo. Sublinhou igualmente que, depois da evacuação do navio, passa a caber a cada país a responsabilidade pelos seus cidadãos. “Espero que cuidem dos doentes e dos passageiros, ajudando-os e também protegendo os seus cidadãos. É isso que esperamos”.

Desembarque e repatriamento em Tenerife, nas Canárias

O diretor-geral da OMS falava em Madrid, numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, após o desembarque e repatriamento na ilha de Tenerife, nas Canárias, realizado no domingo e na segunda-feira, de mais de 120 pessoas que se encontravam no “Hondius”. Depois de agradecer ao Governo espanhol a operação conduzida nas Canárias, Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que “os vírus não conhecem fronteiras e a maior imunidade vem da solidariedade, como a que mostrou Espanha”.

O responsável agradeceu também a Cabo Verde - onde o navio esteve em quarentena - a colaboração na retirada do “Hondius” de três pessoas, duas delas doentes e uma terceira considerada contacto de especial risco, pela proximidade que tinha tido com uma das vítimas mortais. Explicou, contudo, que Cabo Verde não dispunha de capacidade para assegurar o desembarque e o repatriamento de todas as pessoas a bordo e que as Canárias constituíam o porto seguro mais próximo, voltando assim a justificar o pedido dirigido a Espanha pela OMS e pela União Europeia.

Pedro Sánchez reiterou que Espanha aceitou receber o navio e coordenar o desembarque e repatriamento de 125 pessoas de 23 nacionalidades por responsabilidade legal, ao abrigo dos tratados internacionais, por estarem a bordo 14 espanhóis e também, sobretudo, por uma “obrigação moral”. "Por que não protegeríamos os nossos compatriotas e quem precisa, se está nas nossas mãos fazê-lo? Este mundo não precisa de mais egoísmo e de mais medo. Do que precisa é de países solidários", afirmou.

Espanha é “uma sociedade comprometida com a saúde global, o direito internacional e o multilateralismo”, acrescentou Sánchez, defendendo que “os desafios que enfrenta a humanidade, como as crises de saúde global, não respeitam fronteiras” e exigem cooperação internacional, bem como organizações multilaterais como a OMS, robustas e dotadas de recursos.

Contestação regional e posição da OMS

O Governo regional das Canárias opôs-se à realização da operação em Tenerife e questionou por que motivo tinha de ocorrer em Espanha e não em Cabo Verde, ou por que razão o navio não seguiria diretamente para os Países Baixos, país de bandeira do cruzeiro e do armador. Tedros Adhanom Ghebreyesus respondeu que forçar as pessoas a permanecer mais tempo na embarcação, ou a cumprir a quarentena no “Hondius”, seria “desumano e até cruel”, voltando a defender que há agora mais segurança e condições para controlar o surto, com tripulantes e passageiros vigiados e tratados em unidades de saúde nos respetivos países.

O navio largou de Tenerife ao final do dia de segunda-feira, em direção a Roterdão - o destino final - onde será desinfetado. A bordo seguiram 27 pessoas: um médico e uma enfermeira da OMS e 25 tripulantes. Os dois últimos aviões com passageiros retirados do navio partiram das Canárias na noite de segunda-feira e chegaram na madrugada desta terça-feira aos Países Baixos.

Origem do vírus, vítimas e estado clínico

O hantavírus é normalmente transmitido por roedores infetados. A variante identificada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. As três mortes registadas correspondem a um casal neerlandês e a um cidadão alemão.

Entre os casos confirmados contam-se uma mulher francesa e um cidadão que testaram positivo depois de terem sido retirados do navio. O Ministério da Saúde espanhol confirmou igualmente esta terça-feira que um dos 14 espanhóis a bordo deu positivo durante a quarentena, encontrando-se “estável” e sem sinais de "deterioração clínica evidente”.

Durante a conferência, Pedro Sánchez apresentou ainda condolências à família do agente da Guarda Civil que morreu de ataque cardíaco durante as operações de evacuação do navio, no domingo.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário