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OMS confirma nove casos de hantavírus, dois prováveis e três mortes no "Hondius"

Profissional de saúde com máscara verifica documentos em cruzeiro, com equipe médica de proteção e ambulância ao fundo.

Situação a bordo do cruzeiro "Hondius" e casos de hantavírus

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, esta terça-feira, que foram certificados nove casos de infeção por hantavírus, além de mais dois considerados prováveis, entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro "Hondius". Segundo a OMS, registaram-se ainda três mortes.

"Atendendo ao longo período de incubação do vírus, é provável que surjam mais casos nas próximas semanas", alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus. Ainda assim, acrescentou que as pessoas que estiveram a bordo já se encontram sob vigilância médica e que os infetados, bem como os casos suspeitos, estão isolados, pelo que "nada aponta para um surto maior".

O responsável máximo da OMS referiu também que, nas últimas semanas, os totais de casos confirmados e suspeitos "não mudaram muito".

Apelos da OMS: quarentena de 42 dias e avaliação do risco

Tedros Adhanom Ghebreyesus voltou a pedir aos países que receberam passageiros e tripulantes do navio que os coloquem em quarentena durante 42 dias. Reiterou, ao mesmo tempo, que "a avaliação da OMS" é que o risco para a saúde e para a população global continua a ser baixo.

Desembarque em Tenerife, repatriamento e cooperação internacional

O diretor-geral da OMS prestava declarações em Madrid, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, após o desembarque e o repatriamento, realizados no domingo e na segunda-feira, na ilha de Tenerife (Canárias), de mais de 120 pessoas que se encontravam no "Hondius".

Depois de agradecer ao governo espanhol a operação levada a cabo nas Canárias, Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que "os vírus não conhecem fronteiras e a maior imunidade vem da solidariedade, como a que mostrou Espanha".

Expressou também agradecimentos a Cabo Verde, onde o navio esteve em quarentena, pela colaboração na retirada do "Hondius" de três pessoas: duas doentes e uma terceira classificada como contacto de especial risco, por ter estado próxima de uma das vítimas mortais.

No entanto, explicou, Cabo Verde não dispunha de capacidade para conduzir o desembarque e o repatriamento de todas as pessoas a bordo. Por isso, indicou, as Canárias eram o porto seguro mais próximo, voltando a justificar o pedido feito a Espanha pela OMS e pela União Europeia.

Pedro Sánchez reiterou que Espanha aceitou receber o navio e coordenar o desembarque e o repatriamento de 125 pessoas de 23 nacionalidades por responsabilidade legal, à luz de tratados internacionais - dado estarem a bordo 14 espanhóis - e também, sobretudo, por uma "obrigação moral".

"Porque não protegeríamos os nossos compatriotas e quem precisa se está nas nossas mãos fazê-lo? Este mundo não precisa de mais egoísmo e de mais medo. Do que precisa é de países solidários", afirmou.

Sánchez acrescentou que Espanha é "uma sociedade comprometida com a saúde global, o direito internacional e o multilateralismo". Defendeu ainda que "os desafios que enfrenta a humanidade, como as crises de saúde global, não respeitam fronteiras" e, por isso, exigem cooperação internacional e organizações multilaterais como a OMS, fortes e com recursos.

O governo regional das Canárias opôs-se à realização da operação em Tenerife e questionou por que razão teria de ser feita em Espanha e não em Cabo Verde, ou por que motivo o navio não seguia diretamente para os Países Baixos, país de bandeira do "Hondius" e do armador.

Em resposta, Tedros Adhanom Ghebreyesus sustentou que obrigar as pessoas a permanecer mais tempo dentro do navio, ou a cumprir a quarentena no próprio "Hondius", seria "desumano e até cruel". Voltou a defender que agora existem mais segurança e melhores condições para controlar o surto, com passageiros e tripulantes vigiados e tratados em unidades de saúde nos respetivos países.

O navio largou de Tenerife na segunda-feira ao final do dia, com destino a Roterdão, onde será desinfetado.

Seguiram a bordo 27 pessoas: um médico e uma enfermeira da OMS, além de 25 tripulantes.

O hantavírus é, em regra, transmitido a partir de roedores infetados. A estirpe identificada no paquete - o hantavírus Andes - é rara e pode ser transmitida de pessoa para pessoa.

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