Greve nacional dos enfermeiros em Lisboa no Dia Internacional do Enfermeiro
Mais de uma centena de enfermeiros vindos de vários pontos do país juntaram-se esta terça-feira, em Lisboa, para exigir o aumento de salários e contestar o banco de horas, no âmbito de uma greve nacional convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
Durante o protesto ouviram-se palavras de ordem como "É urgente e necessário o aumento de salário", "Governo escuta enfermeiros estão em luta" e "35 horas para todos sem demoras", entre outras.
Concentração no Campo Pequeno e marcha até ao Ministério da Saúde
A mobilização começou com uma concentração no Campo Pequeno, em Lisboa, pelas 10:30. Ao som de tambores, os participantes seguiram depois em direção ao Ministério da Saúde e, por volta das 11:50, já tinham chegado ao destino, onde esperam ser chamados para discutir a contagem de pontos para a progressão na carreira, após a paralisação.
Durante a concentração, o presidente do SEP, José Carlos Martins, afirmou à Lusa: "Esperamos que o Ministério da Saúde, depois desta greve, desta manifestação do Dia Internacional do Enfermeiro, nos convoque para uma reunião, designadamente sobre a questão da contagem de pontos".
Reivindicações dos enfermeiros e do SEP: aumento de salários, 35 horas e progressão
Entre os motivos apontados pelos profissionais está a necessidade de reconhecimento e valorização da enfermagem. A enfermeira Isabel Barbosa, do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, explicou à Lusa que a presença na manifestação se prende com a defesa da profissão, sublinhando: "Nós já temos horários muito penosos. Precisamos que valorizem a profissão de enfermagem".
Também presente em frente ao Ministério da Saúde, o enfermeiro Ricardo Silva, do Hospital Santa Maria (Lisboa), salientou a importância de garantir qualidade no trabalho nos serviços de saúde e no Serviço Nacional de Saúde, alertando para insuficiência de recursos humanos: "Nós temos serviços onde a dotação de enfermeiros está muito abaixo daquilo que são as recomendações da Ordem dos Enfermeiros e de outras entidades".
Coincidindo com o Dia Internacional do Enfermeiro, a greve procura assegurar, entre outras medidas, a contratação de mais profissionais, o fim dos contratos precários e o pagamento dos retroativos entre 2018 e 2021 relativos à progressão na carreira.
O SEP reivindica ainda 35 horas semanais para todos os enfermeiros, bem como a rejeição do pacote laboral que o Governo pretende implementar e da proposta em negociação para um novo Acordo Coletivo de Trabalho, argumentando que "visa retirar rendimento aos enfermeiros", agravando os "problemas já hoje existentes".
O sindicato avançou igualmente para a greve como forma de exigir uma avaliação do desempenho "justa, sem quotas e objetiva", que aprecie cada enfermeiro a partir da prestação de cuidados e em função das suas competências e funções.
Adesão prevista à greve e efeitos nas unidades de saúde
Segundo José Carlos Martins, a adesão dos enfermeiros dos setores público, privado e social deverá ser significativa, sobretudo nos centros de saúde e nas consultas externas.
O dirigente sindical antecipou impactos em vários serviços, indicando à Lusa: "É expectável uma elevada adesão à greve, desde logo nos Centros de Saúde e nas consultas externas, onde os enfermeiros não têm o dever legal de comparecer, nos blocos operatórios, onde haverá vários encerrados e, portanto, necessidade da reprogramação das próprias cirurgias", assegurando, ao mesmo tempo, que os serviços mínimos estão garantidos.
De acordo com a estrutura sindical, trata-se de uma "greve nacional de toda a enfermagem portuguesa", permitindo que todos os enfermeiros fiquem abrangidos pelo pré-aviso, independentemente do setor em que desempenham funções.
Presenças políticas no protesto: PCP e BE
Na concentração, com mais de uma centena de manifestantes e uma visível mancha amarela, devido às t-shirts alusivas ao Dia do Enfermeiro usadas por muitos participantes, marcaram presença o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE).
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu o fim da precariedade na carreira dos enfermeiros e afirmou aos jornalistas: "Quanto mais respeito e dignidade e condições de trabalho tiverem os enfermeiros, mais enfermeiros entram no Serviço Nacional de Saúde ", durante a concentração, que terminou perto das 13:00.
Também em declarações aos jornalistas, o líder do BE, José Manuel Pureza, atribuiu à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a responsabilidade "pela grande desilusão que está criada com todas as carreiras do Serviço Nacional de Saúde".
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