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ECDC admite novos casos de hantavírus após surto no MV Hondius nas Canárias

Profissional de saúde em equipamento protetor faz teste de covid a viajante num porto com navio ao fundo.

Depois de terem sido confirmados mais dois casos de hantavírus, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) reconheceu esta segunda-feira que podem vir a ser detetadas novas infeções nas próximas semanas entre antigos passageiros e membros da tripulação do navio associado ao surto.

ECDC alerta para possíveis novos casos de hantavírus

"Devido às incertezas que ainda persistem e ao longo período de incubação, é possível que assistamos a casos adicionais em ex-passageiros e tripulantes nas próximas semanas", afirmou a diretora do centro europeu, Pamela Rendi-Wagner, em comunicado.

De acordo com o ECDC, os passageiros e os tripulantes do MV Hondius - o navio de cruzeiro que no domingo chegou às Canárias - vão regressar aos respetivos países por razões médicas, em voos não comerciais, sendo todos classificados como de alto risco.

Orientações do ECDC: isolamento, testes e quarentena

Nas recomendações científicas do ECDC, é indicado que passageiros e tripulantes com sintomas compatíveis com infeção devem ser imediatamente isolados, testados e receber cuidados médicos. Já as pessoas sem sintomas devem manter-se em quarentena e vigiar o eventual aparecimento de sinais de doença durante até seis semanas.

Caso em França e dados genómicos do vírus

O centro europeu referiu ainda que hoje foi comunicado um novo caso confirmado em França: trata-se de uma passageira do navio que apresentou sintomas agudos durante o voo de regresso ao país e que está internada em cuidados intensivos.

Segundo o ECDC, a sequenciação genética do vírus "sugere fortemente" que as amostras testadas e confirmadas de passageiros estão associadas à mesma fonte inicial de infeção.

"As informações genómicas mostram ainda que o vírus envolvido no surto é semelhante aos vírus dos Andes já conhecidos por circularem na América do Sul e não é uma nova variante", sublinhou o centro europeu, que manteve a avaliação de risco como muito baixa para a população em geral.

Repatriamento nas Canárias e operação internacional

A Comissão Europeia informou esta segunda-feira que, a pedido de Espanha, ativou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia e que, no domingo, realizou a partir de Tenerife quatro voos para repatriar passageiros do navio afetado.

Pelas 18h (hora de Lisboa) desta segunda-feira, o cruzeiro atracou no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, no arquipélago das Canárias. Fontes do Ministério da Saúde espanhol explicaram que a decisão se deveu ao facto de as más condições meteorológicas não permitirem o desembarque em botes salva-vidas.

Mais tarde, às 20h (hora de Lisboa), o Governo espanhol fez uma nova atualização e anunciou que tinham sido desembarcadas e repatriadas 125 pessoas, de mais de 20 nacionalidades, que se encontravam a bordo, dando a operação por concluída. A operação foi supervisionada e coordenada pela Organização Mundial da Saúde e pelas autoridades espanholas.

No MV Hondius seguiram, com destino ao porto de Roterdão, 27 pessoas - todas tripulantes - com exceção de um médico e de uma enfermeira da OMS, especificou Mónica Garcia.

"Missão cumprida. Acabámos a operação com êxito", disse a ministra da Saúde espanhol, Mónica García, numa conferência de imprensa no porto de Granadilla. A operação foi coordenada por Espanha, Países Baixos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e outros organismos da União Europeia.

No domingo, tinham já sido retiradas do navio de cruzeiro e repatriadas 94 pessoas, de 19 nacionalidades.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu a todos os países e entidades envolvidas, em particular a Espanha, "pela liderança e coordenação" desta operação nas Canárias, que considerou ter corrido "muito bem".

Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falava ao lado da ministra espanhola no porto de Granadilla, acrescentou que os tripulantes que permanecem no navio irão também passar a ter apoio e acompanhamento quando chegarem aos Países Baixos, algo previsto para dentro de alguns dias.

Artigo atualizado às 20h30

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