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Exercício Libertador: Exército Argentino estreia operacionalmente o radar RPA-200M da INVAP

Dois soldados em uniforme camuflado operam equipamento militar de comunicações numa viatura tática em terreno aberto.

No âmbito do expressivo volume de efectivos e meios mobilizados pelo Exército Argentino no Norte do país - numa das actividades operacionais mais relevantes do ano -, o Exercício Libertador tem servido também para demonstrar capacidades recentemente integradas pela força, com apoio de empresas nacionais. Em particular, a 27 de agosto foi confirmada a estreia operacional do primeiro exemplar da nova série de radares de vigilância RPA-200M, concebidos e fabricados pela INVAP para o Exército.

Uma substituição necessária: chegada do RPA-200M

Após décadas de serviço destacado, incluindo a participação no Conflito do Atlântico Sul, o Exército Argentino concluiu que era indispensável substituir os seus actuais radares de vigilância Cardion AN/TPS-44 Alert por uma nova família de sensores mais avançados e de última geração.

Esse objectivo ganhou forma com a adjudicação, no final de 2022, de contratos à empresa rionegrina INVAP para o desenvolvimento e a produção dos novos radares RPA-200M, em paralelo com os radares móveis RMF-200V; estes últimos integrados em veículos utilitários da própria força.

Conforme divulgado no final de 2022, com a aprovação do referido contrato ficou prevista a aquisição de dois novos radares RPA-200M, além de um simulador de treino, instrumentação electrónica e cursos de operação. O valor da operação, tal como consta no Boletim Oficial da República Argentina, corresponde a um investimento superior a US$ 23 milhões.

A incorporar novas capacidades

Tal como noticiado no final do ano passado, foi o próprio Chefe do Estado-Maior-General do Exército, Tenente-General Carlos Presti, quem antecipou à Zona Militar que a Instituição avançava com a incorporação destes novos radares, ao afirmar: “Em colaboração com a INVAP, estamos a modernizar e a desenvolver radares. São vitais para operações de vigilância, controlo, informações e direcção de fogos da artilharia”.

Acrescentou ainda: “Temos o projecto do radar ‘Güemes’, que é uma actualização do radar ‘Rastreador’, o qual, por sua vez, foi uma modernização do sistema RASIT. Além disso, estão a ser desenvolvidos radares de maior envergadura, como o RPA-200 e o RMF-200. Esta concepção destaca a importância das colaborações estratégicas e do desenvolvimento contínuo de tecnologias críticas, que reforçam as nossas capacidades”.

Desde então, ao longo do corrente ano, foram assinalados vários marcos do programa. Entre eles, a apresentação e exposição, durante a mais recente “EXPO Exército 2025”, na Praça de Armas do Edifício Libertador, do primeiro radar RPA-200M em processo de integração. Posteriormente, a INVAP confirmou a realização de cursos de capacitação ministrados a oficiais e sargentos da Agrupação de Artilharia Antiaérea do Exército 601 – Escola e da Direcção-Geral de Investigação e Desenvolvimento.

Estreia operacional no Exercício Libertador

De acordo com o que foi indicado pela força, e no enquadramento do Exercício Libertador, o dia 27 de agosto assinalou a estreia operacional do novo radar RPA-200M, que iniciou a sua actividade a partir do aeroporto de Presidencia Roque Sáenz Peña (Chaco).

Segundo o detalhado pelo Exército, recorrendo a novas tecnologias baseadas em transmissores de estado sólido com tecnologia GaN, o novo radar da INVAP ficou responsável por detectar os assaltos aéreos efectuados por aeronaves da Direcção de Aviação do Exército, conduzidos por efectivos de Operações Especiais a partir de helicópteros Bell UH-1H. Esta capacidade permitiu aos centros de comando destacados nas operações acompanhar as acções em tempo real.

Em simultâneo, esta primeira actividade tornou possível confirmar algumas características do novo RPA-200M que, até então, eram sobretudo assumidas e passaram agora a estar validadas. Em concreto, trata-se de um radar 3D de longo alcance, com capacidade de cobertura de 250 milhas náuticas (equivalentes a 450 quilómetros de alcance instrumentado) e aptidão de detecção acima de 100.000 pés de altitude. Entre outras valências, destaca-se a rapidez de prontidão, em menos de 30 minutos, e a possibilidade de ser transportado tanto por via aérea - através de aviões Hércules C-130 ou helicópteros médios/pesados - como por camiões.


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