Os Estados Unidos vão deslocar um avião para as Canárias com o objetivo de repatriar 17 norte-americanos que se encontram a bordo de um navio onde foram detetados casos de hantavírus, informou o Governo de Espanha. No paquete seguem mais de 140 pessoas de 23 nacionalidades.
Repatriamento do MV Hondius: planos anunciados e próximos passos
Até ao momento, os EUA são o único país que já comunicou de que forma irá proceder ao regresso dos seus cidadãos que viajam no navio de cruzeiro MV Hondius, que deverá alcançar o arquipélago espanhol das Canárias, previsivelmente, no domingo. A informação foi avançada pela secretária-geral da Proteção Civil de Espanha, Virginia Barcones, durante uma conferência de imprensa em Madrid.
Quanto aos restantes 21 países com cidadãos a bordo - incluindo Portugal -, as autoridades espanholas aguardam indicações "nas próximas horas" sobre se cada Estado enviará aeronaves para as Canárias ou se optará por um "mecanismo conjunto" enquadrado no mecanismo europeu de proteção civil.
Países Baixos e mecanismo europeu de proteção civil na operação
Virginia Barcones explicou ainda que, tanto no caso de países europeus como de Estados fora da União Europeia que, por qualquer razão, não disponibilizem aviões próprios, os Países Baixos ficarão responsáveis pelos repatriamentos. Esta solução incidirá sobretudo sobre a tripulação, tendo em conta que o navio navega sob bandeira neerlandesa.
A responsável sublinhou que os Países Baixos "assumiram plenamente a sua responsabilidade" e que tem existido uma "estreitíssima colaboração" com as autoridades neerlandesas. Segundo a mesma fonte, este país suportará também custos relacionados com a operação de transferência dos ocupantes do navio para o aeroporto de Tenerife, a partir do qual serão efetuados os repatriamentos.
No MV Hondius seguem mais de 140 pessoas de 23 nacionalidades, entre as quais 14 espanhóis, que serão encaminhados, à chegada, para um hospital militar em Madrid.
Para os restantes ocupantes, o regresso aos países de origem será organizado distinguindo duas realidades: por um lado, Estados-membros da União Europeia (ou participantes no mecanismo europeu de proteção civil) e, por outro, países que não integram esse enquadramento.
O maior contingente é o das Filipinas, com 38 cidadãos, todos elementos da tripulação.
Fora do mecanismo europeu de proteção civil encontram-se, além dos 17 norte-americanos, cidadãos do Reino Unido (23), Canadá (4), Austrália (4), Japão (1), Nova Zelândia (1), Argentina (1), Rússia (1), Índia (2) e Guatemala (1).
Já no âmbito do mecanismo europeu - excluindo os 14 espanhóis - seguem passageiros e tripulantes de França (5), Alemanha (8), Grécia (1), Bélgica (1), Países Baixos (11), Irlanda (2), Polónia (1), Portugal (1), Turquia (3), Ucrânia (3) e Montenegro (1). O cidadão português a bordo integra a tripulação.
Navio vai fundear
Virginia Barcones confirmou que o navio ficará fundeado, sem atracar, ao largo do porto industrial de Granadilla, na ilha de Tenerife, situado a cerca de dez quilómetros do aeroporto internacional de Tenerife Sul.
Procedimentos no desembarque e regras de contacto
Salvo se apresentarem sintomas de doença, todas as pessoas serão repatriadas a partir das Canárias e apenas abandonarão o navio quando os aviões destinados ao transporte já estiverem no aeroporto, permitindo o embarque imediato nas aeronaves.
A operação seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das entidades europeias envolvidas, estando previsto que não exista qualquer contacto com a população local.
Também presente na conferência de imprensa em Madrid, o diretor-geral da Saúde Pública de Espanha, Pedro Gullón, voltou a afirmar que os 14 espanhóis deverão cumprir quarentena. Acrescentou que o Governo espanhol está a preparar um parecer jurídico para validar a aplicação obrigatória desta medida em todos estes casos.
Pedro Gullón confirmou igualmente que existe a bordo um cadáver, relativo a um passageiro que morreu durante a travessia do cruzeiro pelo Atlântico Sul. O desembarque seguirá os protocolos habituais aplicáveis a estas situações, que descreveu como "bastante frequente" em navios.
Situação a bordo: rota, casos e o que se sabe sobre hantavírus
O MV Hondius realizava a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e as Canárias quando começaram a surgir relatos de doença a bordo.
Até agora, foram confirmados cinco casos e considerados suspeitos mais dois de infeção por hantavírus entre os ocupantes do navio. Registaram-se três mortes.
Os hantavírus são vírus que podem ser transmitidos entre animais e humanos e estão associados a roedores.
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