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Bienal de Braga 2026: arranca a Bienal de Arte e Tecnologia - Índex

Jovem interage com instalação tecnológica colorida enquanto grupo observa em espaço moderno e iluminado.

A Bienal de Braga 2026 já abriu portas e decorre até ao dia 17. Repartida por vários equipamentos culturais da cidade - com destaque para o recém-inaugurado Muzeu -, a programação deixa muito para descobrir no campo da arte.

Do Gnration ao Mosteiro de Tibães, passando pelo novíssimo Muzeu, pelo Theatro Circo e pelo Fórum Braga, o núcleo do evento é o programa expositivo apresentado esta quinta-feira ao (muito) público que marcou presença na sessão de abertura. Essa componente é o eixo central da Bienal de Arte e Tecnologia - Índex, que pretende estimular uma reflexão sobre as diversas relações de poder entre a criação artística e as novas possibilidades - e responsabilidades - associadas à tecnologia.

Até ao dia 17, o Índex 2026 não se limita às exposições: inclui também espetáculos, conferências e ações de mediação, pensadas para apoiar o público na construção de respostas aos dilemas levantados por “Poder”, o tema escolhido pela organização para esta terceira edição da iniciativa.

Com curadoria da italiana Joel Valabrega, as exposições ocupam diferentes espaços de Braga, que receberam uma espécie de tournée inaugural - uma visita coletiva que assinalou o arranque oficial do programa.

Ainda no âmbito da noite inaugural, esta quinta-feira, no Theatro Circo, está prevista a performance “The drum and the bird”, de Bill Kouligas: um trabalho multissensorial assente numa investigação conduzida pelo coletivo Forensic Architecture sobre os abusos do colonialismo alemão na Namíbia.

O poder avassalador

Para Valabrega, o poder - “palavra de dimensões avassaladoras” - funciona como ponto de partida de uma exposição que “desafia qualquer categorização fácil”. A curadora sublinha que a “imensidão” do conceito “torna impossível qualquer tentativa de abordagem total”.

“Esta exposição funciona por intuição, em vez de hierarquia”, assumiu Joel Valabrega durante a cerimónia de abertura, no Gnration, onde podem ser vistos trabalhos de Cemile Sahin.

A partir daí, o grupo de visitantes - com muitos estrangeiros - seguiu para o Muzeu, o novo e promissor espaço bracarense dedicado à arte contemporânea e ao pensamento, inaugurado no final de abril, e que apresenta uma exposição de Pauline Boudry e Renate Lorenz.

No Theatro Circo, também no âmbito expositivo, estão reunidos trabalhos de Pedro Gossler e Shuang Li. No Fórum Braga podem ver-se peças de Jonna Kina, Gabriel Abrantes e Stine Deja. Já no Mosteiro de Tibães, o público encontra obras de Raven Chacon, P. Staff, Hito Steyerl e Mira M. Yang.

Falar e depois atuar

Ainda assim, o Índex 2026 não se esgota nas mostras. Nos próximos dias, a programação inclui um ciclo de conferências com nomes como McKenzie Wark (sábado, 17 horas, Gnration), Yves Citton (dia 16, às 15 horas, Muzeu) e José Gil (dia 16, às 17 horas, Muzeu).

O propósito mantém-se: interrogar, complexificar, discutir - e agir. “Devolver a capacidade de decisão aos cidadãos, através da transparência, da participação democrática e da responsabilidade coletiva no desenho tecnológico, é uma das tarefas políticas mais urgentes do nosso tempo”, afirma a coordenadora de Braga Cidade Criativa da UNESCO em Artes Mediáticas, Joana Miranda. É esse o compromisso que o Índex assume.

Espetáculos em destaque

O artista visual e investigador sonoro Lawrence Abu Hamdan junta-se à banda de pós-jazz Supersilent em torno do trabalho desenvolvido pela Earshot. O resultado sobe ao palco esta sexta-feira, às 21.30 horas, no Theatro Circo.

Já Arkadi Zaides apresenta “Talos” no sábado, às 21.30 horas, também no Theatro Circo, com o objetivo de questionar a ligação entre movimento, tecnologias de ponta e o futuro das fronteiras geográficas existentes.

A 15 de maio, às 21.30 horas, na Blackbox do Gnration, o coletivo ZABRA mostra o desfecho da sua residência artística: um novo trabalho criado a partir do tema do Índex 2026, “Poder”.

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