No âmbito de um processo continuado de modernização das suas Forças Armadas, e depois de concluir a entrada ao serviço dos caças Dassault Rafale F3R, a Croácia deverá avançar com a compra, a França, de novas corvetas Gowind 2500, reforçando uma abordagem integrada que visa robustecer em simultâneo as capacidades aéreas e navais. Este passo enquadra-se no aprofundamento da cooperação bilateral, que ganhou novo dinamismo nos últimos anos através de vários programas de aquisição e de transferência de tecnologia.
Plano de modernização naval da Croácia com a Naval Group e as Gowind 2500
Neste contexto, o país europeu está a desenvolver um plano ambicioso de renovação naval, assente na aquisição de duas corvetas multipropósito. Entre as propostas em análise, a francesa Naval Group surge como principal candidata, sustentada numa oferta baseada na classe Gowind 2500 e no progresso alcançado com a assinatura de acordos com empresas e instituições croatas. Estas parcerias vão do desenho naval e dos sistemas de amarração ao desenvolvimento de tecnologias não tripuladas, incluindo ainda a participação de entidades académicas com trabalho orientado para investigação aplicada em robótica marítima e construção naval.
Construção em estaleiros croatas e participação da indústria local
O programa prevê igualmente que as unidades sejam construídas em estaleiros croatas, assegurando um elevado nível de envolvimento industrial local nas fases de montagem, integração e manutenção ao longo de todo o ciclo de vida. Com esta opção, procura-se não só elevar a capacidade operacional da marinha, como também gerar um impacto económico significativo, com uma estimativa de criação de mais de mil postos de trabalho directos e indirectos de elevada qualificação durante a fase de produção.
Características e armamento das corvetas Gowind 2500
Quanto às especificações, as corvetas Gowind 2500 assentam num projecto com 102 metros de comprimento total e 2.500 toneladas de deslocamento, integrando um sistema de propulsão híbrido diesel-eléctrico que lhes permite atingir velocidades até 25 nós. A autonomia de 4.000 milhas náuticas, combinada com a possibilidade de operar helicópteros médios ou veículos aéreos não tripulados, amplia de forma substancial o respectivo raio de acção. Ao nível do armamento, incluem um canhão principal de 76 mm, mísseis antinavio Exocet, sistemas de defesa aérea com lançadores verticais e capacidades anti-submarinas, tudo articulado através do sistema de combate SETIS.
Antecedente na modernização: entrada em serviço dos Dassault Rafale F3R
Importa recordar que a recente incorporação dos Rafale F3R representou um marco determinante na modernização das Forças Armadas croatas. Em Abril de 2025, a França concluiu a entrega do último dos doze aviões transferidos a partir da sua Força Aérea e do Espaço, fechando um processo iniciado em 2022 que incluiu a formação de pilotos e de pessoal técnico, bem como a adaptação de infra-estruturas no aeroporto de Pleso. A frota, composta por dez aeronaves monoposto e duas biposto, substituiu os desactualizados MiG-21, permitindo ao país dispor de uma capacidade de defesa aérea moderna e plenamente operacional.
A entrada destas novas plataformas navais responde à necessidade da Croácia de reforçar a sua presença no mar Adriático e no Mediterrâneo, ultrapassando as limitações da frota actual, maioritariamente composta por unidades ligeiras orientadas para o combate de superfície. Num cenário em que o país assume crescente relevância como ponto de entrada de recursos energéticos para a Europa central, assegurar a segurança das rotas marítimas e desenvolver capacidades de defesa multidimensional afirma-se como um objectivo prioritário no quadro da sua política de defesa.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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