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Relatório de Gestão N.º 144: Força Aérea Argentina entre o A-4AR Fightinghawk e o F-16 Fighting Falcon da Dinamarca

Piloto militar em fato de voo verde com capacete na mão em pista, entre dois caças stealth estacionados ao pôr do sol.

Relatório de Gestão N.º 144 e o retrato dos sistemas de armas da FAA

Com base nas informações divulgadas no mais recente Relatório de Gestão N.º 144 da Chefia do Gabinete de Ministros ao Congresso, várias das perguntas colocadas pelos legisladores concentraram-se no estado actual de diferentes Sistemas de Armas da Força Aérea Argentina (FAA). O foco incidiu tanto em aeronaves que hoje integram a frota da instituição como naquelas que estão em processo de entrada em serviço - caso dos caças-bombardeiros A-4AR Fightinghawk e dos futuros F-16 Fighting Falcon comprados à Dinamarca.

Nesse sentido, o documento apresentado há poucos dias evidencia duas realidades claramente distintas: por um lado, o destino do A-4AR continua envolto em indefinição e sem esclarecimentos oficiais; por outro, o F-16 conta com suporte total tendo em vista a chegada iminente dos primeiros seis exemplares ao país.

F-16 Fighting Falcon: preparação para a chegada

À espera dos primeiros Fighting Falcon

Tal como a Zona Militar tem noticiado, e com base em entrevistas concedidas pelo Chefe do Estado-Maior-General da FAA e pelos responsáveis do Programa Peace Condor, a Força Aérea está a preparar-se para receber, no próximo mês de dezembro, os primeiros seis caças F-16 provenientes da Dinamarca, sendo esta primeira remessa composta por dois F-16AM monoposto e quatro F-16BM biposto.

Em paralelo, têm-se verificado progressos relevantes na formação e no treino dos futuros pilotos, tripulações e técnicos para o novo Sistema de Armas, tanto na Argentina como nos Estados Unidos. Neste âmbito, destaca-se a chegada, no início do ano, do F-16B Block 10, que está a ser utilizado na VI Brigada Aérea de Tandil, província de Buenos Aires, como treinador terrestre.

Também avançam as obras de infra-estrutura nas unidades a partir das quais irão operar os F-16 argentinos. Em primeiro lugar, no Área Material Río Cuarto, na província de Córdoba - que será a primeira base destes caças - e igualmente na VI Brigada Aérea de Tandil. Além disso, conforme já referido em Relatórios de Gestão anteriores, a Força Aérea está igualmente a analisar outras unidades em diferentes pontos do país para um futuro desdobramento dos aviões de combate.

Ainda assim, enquanto o sistema de armas F-16 recebe todo o apoio necessário para a sua incorporação e entrada em serviço - com a meta de concretizar o marco de alcançar a Capacidade Operacional Inicial - a situação dos caças A-4AR Fightinghawk segue num sentido exactamente inverso.

A-4AR Fightinghawk: um futuro incerto

Um futuro rodeado de incerteza

Até ao momento, e tal como tem vindo a ser reportado, a condição oficial dos Fightinghawk, reflectida em documentação de gestão, continua marcada pela falta de certezas. No último Relatório N.º 144 da Chefia do Gabinete de Ministros, foi referido de forma breve e sem detalhes adicionais que “...está em processo de avaliação a recuperação da capacidade para a sua entrada em serviço”, sem indicar quaisquer prazos.

Desde o trágico acidente que vitimou o Capitão Mauro Testa La Rosa no mês de julho de 2024 (um período particularmente doloroso para a instituição, em que também se lamentou a morte do Capitão Franco Sottile durante um exercício de paraquedismo), o sistema de armas A-4AR permanece praticamente em terra, à espera de uma decisão oficial que não se materializa, enquanto os processos judiciais seguem o seu curso.

Entretanto, na V Brigada Aérea, sediada em Villa Reynolds, San Luis, o pessoal técnico dedicado ao sustentamento e à manutenção dos A-4AR continua a efectuar ensaios em solo e a submeter as aeronaves a inspecções e manutenções pontuais, igualmente na expectativa de uma definição oficial.

Não parece desajustado supor que, internamente, a Força Aérea Argentina esteja a discutir o futuro destes aviões de combate. Os factos indicam que, neste momento, o apoio em termos de recursos está a ser canalizado para a incorporação dos F-16, ao passo que a eventual reentrada em serviço - ou não - dos A-4AR se arrasta no tempo, alimentando incertezas e dúvidas num tema que tende a ser evitado quando surge na opinião pública.

Fotografias utilizadas com fins ilustrativos.

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