Ataque em Minab e balanço de vítimas
Um míssil atingiu uma escola primária em Minab no dia 28 de fevereiro, numa fase inicial da guerra entre os EUA e Israel. As autoridades iranianas dizem que morreram 168 pessoas, entre as quais cerca de 110 crianças.
Investigação do Pentágono e críticas à falta de transparência
Esta quarta-feira, segundo a BBC, cinco responsáveis governamentais norte-americanos consideraram altamente invulgar que, passadas várias semanas, não tenham sido divulgadas sequer informações básicas sobre o ataque. Do lado do Pentágono, a resposta pública tem-se limitado a indicar que o caso está a ser investigado.
Questionado pela BBC sobre o episódio e sobre as acusações de opacidade, um responsável do Pentágono afirmou que “este incidente está atualmente sob investigação”, acrescentando que seriam avançados mais pormenores quando existissem.
A BBC refere ainda que analisou três episódios anteriores em que civis morreram durante operações militares dos Estados Unidos e que, em todos eles, o Pentágono apresentou dados substancialmente mais completos em menos de um mês.
Por isso, a postura actual dos EUA “desvia-se significativamente da resposta padrão”, como disse à BBC a Tenente-Coronel Rachel E. VanLandingham, juíza-advogada-geral reformada da Força Aérea dos EUA e antiga conselheira jurídica sénior do Comando Central dos EUA nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
“Os governos anteriores, pelo menos, demonstraram lealdade e um compromisso com o direito da guerra", afirmou VanLandingham. Sustentou também que o que “faltava” nas declarações oficiais era um compromisso com a responsabilização e, "sobretudo, com a garantia de que isto não volte a acontecer”.
Relatos da imprensa norte-americana e declarações de Trump e Hegseth
No início de março, a imprensa norte-americana noticiou que investigadores militares dos EUA admitiam que as forças americanas eram provavelmente responsáveis por um impacto acidental na escola, embora ainda sem uma conclusão final.
Em março, por exemplo, a CNN escreveu que “um míssil Tomahawk americano atingiu uma base iraniana próxima a uma escola, que foi destruída em um ataque aparentemente fatal”. O “New York Times” também avançou que um “míssil americano atinge ginásio esportivo e escola no Irão”.
A BBC recorda que, a 7 de março, o Presidente Donald Trump afirmou, na sua “opinião”, que o Irão tinha sido o responsável pelo ataque em Minab, sem apresentar provas. Dias depois, ao ser confrontado com um vídeo que mostrava um míssil Tomahawk norte-americano a atingir a base militar ao lado da escola, respondeu: “Não vi isso”, e alegou, igualmente sem evidências, que o Irão tinha mísseis Tomahawk.
Já a 11 de março, questionado sobre notícias de que uma investigação militar inicial teria concluído que os EUA tinham atingido a escola, Trump afirmou: “Não tenho conhecimento disso.”
Entretanto, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, foi interrogado pela BBC em 4 de março e declarou: “Tudo o que posso dizer é que estamos a investigar isso. É claro que nunca atacamos alvos civis.”
No mês passado, a BBC afirmou ter confirmado “de forma independente” um vídeo que mostrava um míssil Tomahawk norte-americano a atingir a base do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) situada junto à escola. A estação acrescenta que reportagens nos EUA citaram oficiais militares anónimos segundo os quais um inquérito preliminar determinou que um míssil norte-americano atingira a escola.
De acordo com a BBC, “as reportagens indicavam que tal se deveu a coordenadas de alvo desatualizadas fornecidas por uma agência de inteligência norte-americana”. Ainda assim, o Pentágono não comentou essas informações.
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