O pai das duas crianças francesas que terão sido deixadas ao abandono em Alcácer do Sal pela mãe, de 41 anos, e pelo atual companheiro desta, de 55, disse estar à espera de luz verde das autoridades portuguesas para poder ir buscá-las e contou que pensa nos filhos “a cada segundo” desde que foi informado do desaparecimento.
Em declarações escritas à Ici Alsace TV, citadas pela France 3 Grand Est, o homem explicou que mantém o telemóvel sempre por perto, de dia e de noite, à espera de um contacto oficial. “É apenas uma questão de dias para recuperar os meus filhos. Penso neles a cada segundo desde que a esquadra de Colmar me contactou para me comunicar o seu desaparecimento”, afirmou, pedindo para não ser identificado.
Na sexta-feira, o presidente da Comarca de Setúbal, António José Fialho, indicou num comunicado que “as crianças residiriam com a mãe em França e que os pais se encontram separados, dispondo o pai de um direito de visita limitado e supervisionado”.
A supervisão das visitas pode ocorrer por vários motivos, nomeadamente quando existe risco de violência, um conflito grave entre os progenitores ou um afastamento prolongado entre o pai ou a mãe e os filhos, situações em que podem ser necessárias cautelas no processo de reaproximação.
Repudia "palavras de ódio"
No mesmo testemunho enviado para a televisão francesa, o pai das crianças deixou também um apelo à contenção perante a forte exposição mediática que tem atingido a família.
“Eles vão precisar de se reconstruir, tal como eu, e não precisam que lhes relembrem este drama”, escreveu, frisando que não pretende “defender nem minimizar os atos cometidos”, mas que rejeita “palavras de ódio, insultos ou qualificativos destinados a desumanizar uma pessoa, mesmo que reconhecida como culpada”.
Tribunais franceses decidem futuro dos meninos
Ainda na sexta-feira, António José Fialho salientou que “caberá às autoridades judiciárias francesas, através dos mecanismos de cooperação judiciária, iniciar o processo de regresso das crianças ao Estado da residência habitual”.
“Neste caso, os tribunais franceses são internacionalmente competentes para decidir sobre medidas de proteção definitivas e sobre as responsabilidades parentais”, sublinhou.
O magistrado acrescentou que apenas na sequência de um pedido das autoridades francesas é que as entidades portuguesas poderão pronunciar-se sobre o requerimento que, eventualmente, venha a ser apresentado.
O pai garantiu que voltará a falar publicamente quando estiver novamente com os filhos.
Prisão preventiva
As duas crianças foram encontradas a chorar, na passada terça-feira, junto a uma estrada, por um padeiro da zona, que deu o alerta às autoridades. Foram imediatamente levadas para o hospital e, do ponto de vista clínico, o seu estado de saúde foi considerado normal.
A mãe e o companheiro, Marc Ballabriga, foram localizados em Fátima, a cerca de 180 quilómetros do local onde os menores terão sido abandonados, e ficaram em prisão preventiva no sábado.
Os dois arguidos saíram ontem do Tribunal de Setúbal indiciados por dois crimes de exposição ou abandono. O homem está, também indiciado de um crime de ofensa à integridade física qualificada sobre uma das crianças.
Depois de receberem alta, os dois menores foram encaminhados para uma família de acolhimento, enquanto aguardam o provável repatriamento.
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