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Boyfriend Dungeon: romance com armas no novo jogo da Kitfox Games

Jovem com espada em sala de estilo medieval, com cadeiras, espadas e um telemóvel com mensagens.

Há alguma coisa estranhamente cativante em olhar para uma adaga e pensar: "Epá, gostava mesmo de sair com isto." Em Boyfriend Dungeon, isso não só é possível como é o centro de tudo. A mais recente aventura da Kitfox Games pega no formato de dungeon-crawler e dá-lhe uma volta inesperada: aqui, as armas não servem apenas para combater - também podem ser conquistadas. Entre cantadas assumidamente parvas, opções de romance apelativas e um mundo cheio de cor, o resultado é uma experiência leve e acessível, fácil de agarrar mesmo para quem só quer entrar e divertir-se.

Criar personagem e entrar no "dunj" em Boyfriend Dungeon

No início, o jogo deixa-te montar a personagem ao teu gosto. A ferramenta de criação não é enorme, mas cobre o essencial: podes escolher, por exemplo, diferentes cores de cabelo, pronomes e uma espécie de “vibe” geral. A partir daí, a missão passa por limpar criaturas que aparecem no "dunj" - e tudo começa num sítio tão banal quanto um centro comercial. Só que, de repente, ficas a perceber que até a arma mais simples pode esconder muito mais do que parece… e, por uma coincidência absolutamente “conveniente”, todas elas também são escandalosamente atraentes.

Para te instalares, tens um quarto simples que funciona como base: um espelho para mudares detalhes da personagem, um telefone para marcares encontros e uma mesa onde podes criar presentes. O ciclo é claro: eliminas infestações de monstros e, pelo meio, ainda arranjas tempo para um pouco de romance. Em Boyfriend Dungeon, isto é praticamente uma terça-feira normal - com um tipo de humor que vai fazer sentido para quem gosta de jogos como Dream Daddy.

Sete romances, sete personalidades (e sete armas)

sete opções de romance, todas bem diferentes entre si. Um dos exemplos é o Isaac, associado à arma Estoc, conhecido pelo estilo impecável e por um sentido de humor afiado. Já a Valeria - uma adaga - tenta afastar-te do Sunder, o “bad boy” do grupo, que é uma Talwar. Ela avisa-te de que o melhor amigo dela é um conquistador e, em alternativa, propõe-te ires dançar com ela. É mesmo porreira; acabei por investir mais tempo a conquistá-la durante a minha experiência, embora aquela parte adolescente e dramática em mim estivesse a torcer, com força, pelo Sunder.

Pelo caminho, há também a Seven, uma Lasersaber, construída para ser o sonho de qualquer fã de K-pop. O Sawyer, por sua vez, é uma Glaive: é provavelmente a pessoa mais querida do mundo inteiro, mas também tem fama de ser directo e sem rodeios. E depois existe a Rowan, uma Scythe mística, perfeita para introvertidos que só querem passar tempo com as suas plantas. Percebo perfeitamente.

Personagens inclusivas, combate simples e uma história que flui

Durante o tempo que passei com o jogo, cheguei a conhecer três das armas, além de algumas outras opções de encontros, e gostei especialmente de como cada personagem se sente realmente distinta. Em jogos deste género, cai-se muitas vezes na armadilha de tentar fabricar o “par ideal” - e, a certa altura, ou as personagens parecem todas copiadas e coladas, ou a própria identidade do jogo começa a ficar baralhada. Boyfriend Dungeon opta pelo caminho mais inteligente: mantém tudo simples, inspira-se em “tipos” populares e acrescenta-lhes um toque criativo.

Mesmo as personagens por quem eu não tinha grande interesse pessoal continuavam a ser divertidas de conhecer. Sentia sempre que traziam algo para aquele mundo, seja pela perspectiva única, seja pelas capacidades enquanto armas, seja até pela forma como comunicam por mensagens.

A inclusão está presente de forma natural, sem parecer um exercício forçado, e a progressão da história tem um ritmo intuitivo que te dá vontade de continuar. Quanto à parte de explorar masmorras, a jogabilidade é directa: combate visto de cima (top-down) e transformações inspiradas em Sailor Moon quando as armas mudam para as suas formas alternativas. É daqueles jogos em que dá para “queimar” horas sem sentires que tens de jogar de uma maneira específica.

E o tom também ajuda: o jogo deixa claro, desde cedo, que não se leva demasiado a sério. Isso dá espaço para entrares numa história leve, cómica e meio absurda, sem a sensação de que tens a filosofia do mundo inteiro pousada em cima dos ombros.

No fundo, é a história clássica: uma pessoa vê uma arma. A pessoa sai com a arma. A pessoa e a arma apaixonam-se. A pessoa e a arma destroem monstros sem piedade.

Boyfriend Dungeon vai sair para Xbox Series X/S, Xbox One, Nintendo Switch e PC algures mais para o fim deste ano. Também vai estar no Xbox Game Pass, o que dá a quem estiver curioso a hipótese de experimentar antes de comprar.


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