Tiroteio na mesquita de San Diego: vítimas e evacuação
Três pessoas morreram na segunda-feira durante um ataque armado no Centro Islâmico de San Diego, uma mesquita que também alberga uma escola, antes de os dois autores - adolescentes de 17 e 18 anos - se suicidarem.
Entre as vítimas estava um segurança que, de acordo com as autoridades, travou a entrada dos atacantes na mesquita. O imã Taha Hassane identificou os mortos como Abdullah, Mansour Kaziha e Nader Awad. Kaziha, conhecido como Abu Ezz, "era tudo" para o Centro Islâmico, desempenhando funções que iam de "cozinheiro" a "zelador", afirmou Hassane.
Abdullah trabalhava na mesquita há mais de uma década e "queria defender os inocentes, por isso decidiu tornar-se segurança", relatou o xeique Uthman Ibn Farooq, após ter falado com o filho de Abdullah.
Todos os alunos e membros do pessoal do Centro Islâmico foram retirados em segurança. A mesquita situa-se numa zona residencial, rodeada por centros comerciais, restaurantes e mercados.
Busca do FBI em San Diego e manifesto do ataque
Mark Remily, agente especial responsável pela delegação do FBI em San Diego, declarou em conferência de imprensa que foram efectuadas buscas em duas casas associadas aos dois atacantes. No interior, para além de pistolas, armas automáticas e uma besta, as autoridades apreenderam equipamento táctico, munições e dispositivos electrónicos.
Foi igualmente recuperado um manifesto ligado ao ataque, que poderá ajudar a clarificar o que esteve na origem da actuação dos dois adolescentes.
Segundo Remily, os dois conheceram-se online e partilhavam um "ódio generalizado" dirigido a diferentes religiões e raças. O responsável recusou, contudo, detalhar quais as ideologias ou opiniões concretas expressas pelos atiradores.
Remily adiantou ainda que a investigação prossegue para apurar se existiam planos mais amplos para além do ataque ao Centro Islâmico.
Antes do ataque: alerta familiar e procura policial
De acordo com o comandante da polícia, Scott Wahl, horas antes do tiroteio as autoridades já procuravam os dois adolescentes, após a mãe de um deles ter comunicado que o filho apresentava tendências suicidas e tinha saído de casa com armas, o seu veículo e sem dar destino.
Cerca de duas horas depois dessa chamada, começaram os disparos no Centro Islâmico de San Diego.
As autoridades não divulgaram publicamente a identidade dos adolescentes. Ainda assim, a imprensa local avançou que os investigadores revistaram a casa de um finalista do ensino secundário em San Diego, Cain Clark.
Wahl sublinhou que não existia qualquer ameaça específica dirigida à maior mesquita de San Diego, mas que a polícia apurou o envolvimento dos suspeitos numa "retórica de ódio generalizada".
Segurança reforçada em Los Angeles e receios de "efeito de contágio"
O ataque em San Diego é o episódio mais recente de uma sucessão de agressões a locais de culto e ocorre num período de aumento de ameaças e crimes de ódio contra as comunidades muçulmana e judaica desde o início da guerra no Médio Oriente, o que levou ao reforço de medidas de segurança.
Na sequência do tiroteio, a presidente da Câmara de Los Angeles, Karen Bass, anunciou que vai reforçar a segurança e a vigilância nos centros islâmicos. "Conversei com líderes da comunidade muçulmana em Los Angeles para oferecer a minha ajuda e ordenei ao Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) que mobilize recursos adicionais para proteger as mesquitas da cidade", escreveu Bass nas redes sociais.
"Os locais de culto devem ser verdadeiros santuários onde o ódio e a violência não têm lugar", insistiu a autarca da maior cidade do estado da Califórnia.
A medida procura reduzir o risco de um "efeito de contágio" e surge poucas semanas antes do arranque do campeonato mundial de futebol, do qual Los Angeles é uma das principais cidades-sede.
Selecções como a do Irão estão entre as que vão disputar encontros da fase de grupos no SoFi Stadium, na área metropolitana de Los Angeles.
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