Medidas dos Estados Unidos (EUA) e reação de Cuba
O Governo cubano considerou esta terça-feira que as medidas mais recentes tomadas pelos Estados Unidos (EUA) contra Havana - entre elas o embargo ao petróleo e o reforço das sanções económicas aplicadas à ilha caribenha - configuram atos “genocidas” e constituem “crimes internacionais”.
Bruno Rodríguez fala em "crimes internacionais" e "genocidas"
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou que tanto o embargo energético decretado em janeiro como as novas disposições coercivas de caráter extraterritorial representam uma agressão direta ao país.
"Tanto o embargo económico e energético como as novas medidas coercivas extraterritoriais (...) são crimes internacionais", escreveu Rodríguez nas redes sociais.
No sábado, o Executivo cubano já tinha assegurado que não se deixaria pressionar, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado assumir o controlo da ilha “quase de imediato”.
"Nós, cubanos, não nos deixamos intimidar. A resposta decidida do povo e o seu apoio à Revolução foram demonstrados de forma massiva neste 1.º Maio", escreveu Rodríguez, nas redes sociais.
Ainda hoje, o chefe da diplomacia de Cuba acusou Washington de agir com hipocrisia ao apontar a situação económica cubana, defendendo que os EUA mantêm há décadas uma estratégia orientada para enfraquecer o país através de sanções.
Impacto das sanções e contactos diplomáticos
Estas declarações ocorrem depois de Trump ter assinado, na passada sexta-feira, uma ordem executiva que alarga de forma expressiva o regime de sanções, podendo atingir entidades estrangeiras que realizem relações económicas com Cuba, em particular nos setores da energia, da defesa e das finanças.
A decisão soma-se ao embargo petrolífero imposto em janeiro, que prevê penalizações a países ou empresas que forneçam crude à ilha, aprofundando uma crise energética que já era grave.
De acordo com analistas, o endurecimento das sanções poderá agravar o isolamento económico de Cuba e intensificar dificuldades como a falta de combustível e os cortes de eletricidade.
Washington sustenta que estas medidas visam pressionar Havana a avançar com reformas políticas e económicas, ao passo que o Governo cubano reafirma que tais matérias dizem respeito à soberania nacional e não estão sujeitas a negociação.
Apesar do clima de tensão, os dois países admitiram que existem contactos diplomáticos, embora sem serem divulgados detalhes sobre o conteúdo dessas conversas ou sobre eventuais avanços nas negociações.
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