Denúncia do CESP nas cozinhas centrais de Odivelas
Dois trabalhadores do Pingo Doce terão sido impedidos de entrar ao serviço nas cozinhas centrais, em Odivelas, tendo um deles sido “agarrado” e “atirado para o chão“ por vigilantes da loja. A situação aconteceu na segunda-feira e foi tornada pública pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP). Ainda assim, o Pingo Doce “nega categoricamente“ qualquer alteração ilegal de horários de trabalho, referindo apenas uma “ocorrência" que está a ser analisada internamente.
Os dois colaboradores do grupo Jerónimo Martins - ambos com filhos menores de 12 anos - solicitaram horário flexível, mas dizem não ter recebido resposta da empresa. Quando se apresentaram para iniciar funções no horário que consideram ser o seu, alegam que lhes foi vedada a entrada e que não puderam começar a trabalhar.
“Estes trabalhadores deslocaram-se para trabalhar nos horários a que têm direito e não os deixaram entrar. Um deles, com problemas físicos de saúde, chegou mesmo a ser agarrado e empurrado para o chão por vigilantes da loja, por ordem do Pingo Doce”, acusa o CESP.
O sindicato, filiado na CGTP, sublinha ainda: “Quando a empresa não responde ao pedido, a “lei determina que o horário flexível entra em vigor de imediato””, acrescentando que terá pedido a intervenção da PSP para registar a ocorrência.
Pingo Doce e Jerónimo Martins rejeitam agressão e ilegalidades
Em resposta ao Expresso, o grupo Jerónimo Martins “nega, contudo, a existência de qualquer agressão ou alteração ilegal de horários de trabalho” e afirma assegurar o “respeito integral pela legislação laboral em vigor”, incluindo os “direitos associados à parentalidade”.
Novo modelo de horários, “ocorrência” e processo interno
Segundo a empresa, no dia 4 de maio entrou em vigor um novo modelo de organização de horários nas cozinhas centrais de Odivelas e de Aveiro, abrangendo mais de 500 colaboradores, e que terá sido “previamente” comunicado a todos no início de março.
“Este modelo, assente em horários e folgas fixas, foi introduzido com o objetivo de reforçar a estabilidade, previsibilidade e equidade na gestão dos tempos de trabalho, promovendo melhores condições para a conciliação entre a vida profissional e pessoal e contribuindo para o bem-estar das equipas. É falso que a companhia não tenha acautelado soluções para os dois referidos colaboradores”, afirma fonte oficial do Pingo Doce.
A empresa reconhece, no entanto, que nesse dia foi registada uma “ocorrência” relacionada com a Cozinha de Odivelas, tendo sido imediatamente aberto um “processo de averiguação interna” para o “apuramento cabal dos contornos” do sucedido. “Podemos, no entanto, adiantar que não se verificou qualquer situação de agressão e que os dois colaboradores em questão têm comparecido ao trabalho com normalidade”, acrescenta.
O CESP, por sua vez, acusa o Pingo Doce e outras empresas do sector da distribuição de terem influenciado o Governo no sentido de avançar com alterações à lei laboral, com impacto negativo para os trabalhadores, apontando em particular um “ataque aos direitos da parentalidade”.
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