Declarações de Rafael Grossi e da AEIA
Um ataque com um drone nas proximidades da central nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), levou o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AEIA), Rafael Grossi, a sublinhar que "toda a atividade militar que ameace a segurança nuclear é inaceitável".
Numa publicação, este domingo, na rede social X (antigo Twitter), o responsável da agência de energia das Nações Unidas indicou que recebeu informação dos Emirados segundo a qual "os níveis de radiação na central nuclear de Barakah permanecem normais e que não se registou qualquer ferido". Apesar disso, admitiu sentir "profunda preocupação".
O que aconteceu na central nuclear de Barakah
As autoridades dos EAU comunicaram o impacto de um aparelho não tripulado, que causou um incêndio num gerador responsável por alimentar a central nuclear de Barakah, situada na região de al-Dhafra, área que cobre grande parte do oeste do país.
O Centro de Emergência de Abu Dhabi, na mensagem de alerta difundida nas redes sociais, não apontou a origem do drone.
Entretanto, a Autoridade Federal de Regulação Nuclear dos Emirados confirmou que o fogo não comprometeu a segurança da instalação nem o funcionamento dos sistemas essenciais, acrescentando que todas as unidades continuam a operar normalmente.
Contexto regional e posição oficial dos EAU na guerra contra o Irão
O Irão - que desde 28 de fevereiro tem lançado ataques contra países da região com presença militar norte-americana - também não fez qualquer comentário sobre o incidente. Ainda assim, de acordo com os serviços de emergência dos Emirados, "não houve feridos nem impacto nos níveis de segurança radiológica".
No sábado, o Governo dos EAU declarou que "todas as medidas" adotadas pelo país do Golfo Pérsico na guerra contra o Irão se enquadraram "em ações defensivas", sem esclarecer se já atacou, ou não, a República Islâmica.
Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EAU - o país mais atingido pelo Irão em resposta à ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel - afirmou que essas medidas visaram "proteger a soberania, os civis e as infraestruturas vitais, em linha com o direito legítimo do país de salvaguardar a sua segurança nacional e manter a sua estabilidade".
A reação surge na sequência de uma notícia divulgada na segunda-feira pelo diário norte-americano Wall Street Journal, segundo a qual o país, localizado em frente à costa iraniana, tem conduzido ataques secretos contra o Irão, incluindo um, em abril, que atingiu uma refinaria de petróleo na ilha iraniana de Lavan.
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