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Xi Jinping diz a Trump que Putin pode “arrepender-se” da invasão da Ucrânia, revela o Financial Times

Mapa da Ucrânia com figuras de dragão vermelho, águia prateada, urso, drone, tanque e telemóvel em cima da mesa.

Conversas entre Xi Jinping e Donald Trump, segundo o Financial Times

Xi Jinping terá dito a Donald Trump que Vladimir Putin poderá vir a “arrepender-se” da invasão da Ucrânia, revelou esta terça-feira o Financial Times, a poucas horas de o Presidente russo aterrar em Pequim para uma nova cimeira com o líder chinês.

De acordo com o jornal britânico, a observação surgiu num quadro de conversações alargadas entre Xi e Trump, onde estiveram em cima da mesa tanto a guerra na Ucrânia como o Tribunal Penal Internacional (TPI). As mesmas fontes referem ainda que Trump terá defendido que Estados Unidos, China e Rússia deviam colaborar contra o TPI - uma instituição que tem sido alvo de críticas frequentes por parte da administração norte-americana e que é igualmente rejeitada por Moscovo.

Cautela habitual de Pequim e a referência a Putin

As declarações atribuídas a Xi destacam-se por contrastarem com a postura normalmente prudente de Pequim sobre o conflito. Uma fonte citada pelo Financial Times lembra que, noutros encontros com Joe Biden, o Presidente chinês manteve conversas “francas e diretas” sobre a Ucrânia, mas sem avançar apreciações tão explícitas relativamente a Putin ou à decisão de lançar a ofensiva contra o país vizinho.

Parceria China–Rússia e o triângulo diplomático

China e Rússia intensificaram a relação estratégica desde 2022, altura em que anunciaram uma parceria “sem limites”, poucas semanas antes do início da invasão em grande escala. Como o Expresso escreveu esta segunda-feira, Pequim tem procurado posicionar-se como o vértice central deste triângulo diplomático, preservando canais de comunicação com Washington sem quebrar a proximidade com Moscovo.

Nem a embaixada chinesa em Washington nem a Casa Branca prestaram comentários oficiais sobre o conteúdo das conversas descritas pelo Financial Times. Por seu lado, a administração Trump divulgou no domingo uma nota oficial sobre a cimeira de Pequim, mas sem qualquer referência à Ucrânia ou a Putin.

Ainda assim, a frase atribuída a Xi não é lida como um afastamento de Pequim em relação a Moscovo. Segundo o diário britânico, responsáveis norte-americanos continuam a manifestar preocupação com o apoio indireto da China ao esforço de guerra russo, em especial através do fornecimento de bens com possível utilização militar.

Evolução da guerra na Ucrânia e ataques com drones

A notícia é publicada num momento em que a guerra na Ucrânia permanece num impasse militar prolongado, num contexto em que se intensificaram ataques com drones ucranianos contra posições e infraestruturas russas. No domingo, Kiev voltou a atingir alvos nas imediações de Moscovo, ataques que Volodymyr Zelensky considerou “inteiramente justificados”, depois de a Rússia ter lançado um dos maiores ataques aéreos contra a capital ucraniana desde o início da guerra.

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