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Naim Qassem rejeita desarmamento do Hezbollah em negociações com Israel

Três pessoas de fato sentadas à mesa com um mapa, um modelo de foguete e ramos de oliveira em mãos.

Declarações de Naim Qassem sobre o desarmamento

O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, afastou esta terça-feira a hipótese de o Líbano discutir com Israel o desarmamento do movimento libanês pró-iraniano e avisou que poderá tornar o confronto com as forças israelitas num inferno.

"As armas e a Resistência não dizem respeito a ninguém fora do Líbano (...) é uma questão interna libanesa que não faz parte das negociações com o inimigo", declarou Qassem numa mensagem dirigida aos combatentes do Hezbollah.

"Não nos renderemos e transformaremos a batalha num inferno para Israel", acrescentou, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Nova ronda de contactos em Washington

As afirmações surgem quando Líbano e Israel se preparam para uma nova ronda de negociações em Washington, marcada para a próxima quinta-feira.

Do lado israelita, é exigido ao Governo libanês - entre outras condições para pôr termo às hostilidades com o país vizinho - que o Hezbollah seja desarmado.

Escalada recente e cessar-fogo de novembro de 2024

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em 02 de março, apenas dois dias após a morte do líder iraniano, Ali Khamenei, no início da ofensiva israelo-americana contra Teerão.

Israel sustentou que as ações do Hezbollah violavam o cessar-fogo de novembro de 2024, que tinha travado a guerra então em curso no sul do Líbano desde outubro de 2023.

Conflito histórico e posição do Hezbollah nas negociações com Israel

A rivalidade entre Hezbollah e Israel remonta a 1982, ano em que a organização política e paramilitar fundamentalista foi criada para enfrentar a invasão israelita do Líbano.

Naim Qassem, clérigo xiita que sucedeu a Hassan Nasrallah - morto em Beirute num ataque do exército israelita em 27 de setembro de 2024 -, recusou também a via de negociações diretas do Líbano com Israel.

"Apelamos à opção por negociações indiretas, em que os trunfos estejam nas mãos do negociador libanês, e ao abandono das negociações diretas, que apenas pressupõem benefícios para Israel e concessões gratuitas por parte das autoridades libanesas", afirmou.

Qassem garantiu ainda que o Hezbollah manterá a luta armada contra Israel durante o tempo que considerar necessário.

"Não nos submeteremos nem nos renderemos, e continuaremos a defender o Líbano e o seu povo, por muito tempo que passe e por maiores que sejam os sacrifícios, que são menores do que o preço da rendição", afirmou.

"O inimigo acabará por ceder, tarde ou cedo", acrescentou, também citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Impacto da guerra no Líbano e situação no terreno

O Líbano está entre os países mais afetados pela guerra israelo-americana contra o Irão, somando 2.869 mortos desde 02 de março até segunda-feira, de acordo com um balanço oficial do Ministério da Saúde libanês.

Israel recusou incluir o Líbano no cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irão, que entrou em vigor em 08 de abril, com o objetivo de permitir conversações sob mediação do Paquistão.

Mais tarde, Israel aceitou uma trégua em 17 de abril para negociar com as autoridades de Beirute o término do conflito, mas a violência não parou: forças israelitas e Hezbollah têm trocado tiros diariamente.

Os confrontos concentram-se sobretudo no sul do Líbano, zona onde Israel controla uma faixa com cerca de 10 quilómetros a partir da fronteira.

Estrutura e representação política do Hezbollah

O Hezbollah dispõe de um braço armado, o Conselho da Jihad, e integra o chamado "Eixo da Resistência", uma coligação de grupos radicais financiada pelo Irão para atuar contra interesses israelitas e norte-americanos na região.

Na vertente política, o Hezbollah é representado pelo partido Lealdade à Resistência, que tem 15 deputados (mais três do que em 2018) entre os 178 lugares do parlamento libanês.

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