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FITEI traz 16 espetáculos de seis países a salas do Porto, Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo até 24 de maio

Grupo de atores em cena teatral, alguns com malas e outros com rosto pintado, sob iluminação cénica e fumo.

O Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) regressa com uma maratona de 16 espetáculos, vindos de seis países, distribuídos por salas do Porto, Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo. A programação arranca esta quarta-feira e prolonga-se até 24 de maio.

Rumo aos 50 anos do FITEI: solidez, sustentabilidade e esperança

Na edição imediatamente anterior à celebração dos 50 anos do FITEI, o diretor, Gonçalo Amorim, diz ter querido afirmar o festival com o máximo de "solidez e sustentabilidade", preparando uma data redonda em que "vamos dar tudo".

A linha de força desta edição organiza-se no binómio "Colapso e Esperança", ideia que se cruza com as 16 propostas reunidas - entre estreias absolutas e coproduções - e que chegam de seis países. E, quanto à leitura do momento, Amorim deixa a sua posição: "Sempre que há diálogo e partilha entre povos podemos falar de esperança".

FITEI PRO e ambição internacional

Mesmo reconhecendo que será difícil um crescimento expressivo do festival "sem que haja um novo ciclo de financiamento", o diretor do FITEI aposta no conjunto de nomes convidados como argumento para reforçar a visibilidade do certame junto de programadores internacionais, que marcam presença no FITEI PRO.

Abertura com "Suplicantes"

Entre os destaques, sobressai Nuno Cardoso, que apresenta "O nome", de Jon Fosse, escritor distinguido com o Nobel da Literatura em 2023. Trata-se do regresso aos palcos do antigo diretor do Teatro São João (TNSJ), em sessões marcadas para 14 e 15 de maio, no Teatro do Bolhão, no Porto.

Também Victor Hugo Pontes, atual diretor do TNSJ, integra o FITEI 2026 com a reposição de "Há qualquer coisa prestes a acontecer", expressão retirada da canção "Inquietação", de José Mário Branco. A criação, que cruza teatro, dança e música, apresenta-se no TNSJ entre 21 e 24 de maio.

Outro nome sublinhado por Amorim é Sara Barros Leitão, que hoje abre o festival no Teatro Campo Alegre, no Porto, com uma reescrita de "Suplicantes", de Ésquilo. A partir do enredo das 50 mulheres forçadas a casar com 50 primos, a criadora estabelece um paralelo com as travessias de migrantes no Mediterrâneo em busca de asilo, colocando o Parlamento Europeu no centro das decisões.

Migrantes e zombies em foco

Na programação internacional, uma das atenções recai no regresso do encenador e dramaturgo argentino Federico León. Na sua terceira passagem pelo FITEI, apresenta "El trabajo", um espetáculo sobre relações de poder em que León se submete ao próprio método de ensino, trabalhado nas oficinas de teatro que orienta há mais de 15 anos. Para ver amanhã, no TNSJ.

Igualmente incontornável é a proposta do uruguaio Santiago Sanguinetti, "Zombie manifesto", uma sátira política mordaz sobre o golpe de Estado no Uruguai de 1973 (Teatro Sá de Miranda, Viana do Castelo, 20 de maio). Soma-se ainda o espetáculo documental "Tres pozos", da dupla Marco Canale e Miguel Oyarzun, centrado na comunidade indígena wichi, na Argentina, para pensar questões ambientais e a erosão da identidade (Teatro Rivoli, no Porto, 16 e 17 de maio).

A programação inclui também um espetáculo "comestível" do Teatro da Didascália - "Comer a terra" - que convida o público a jantar e a refletir sobre os processos de produção alimentar nas suas dimensões social e económica (CACE Cultural, Porto, 14 e 16 de maio). E, a fechar, "FMI Kapa", criação de João Branco a partir de um tema do seu pai, José Mário Branco, com direção musical de Xullaji (Rivoli, 24 de maio).


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