Decisão do Pentágono e unidades afetadas
O Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) anulou o destacamento de militares para a Polónia e para a Alemanha, alinhando-se com a meta da administração de Donald Trump de cortar em milhares o contingente norte-americano na Europa.
Segundo responsáveis norte-americanos citados pela agência Associated Press (AP), a decisão surge num contexto de atritos entre o Presidente Donald Trump e aliados, relacionados com a guerra com o Irão e com exigências de mudanças.
Várias fontes norte-americanas confirmaram que 4.000 militares da 2.ª Brigada de Combate Blindada da 1.ª Divisão de Cavalaria do Exército deixaram de ter ordem para seguir para a Polónia esta semana.
Dois responsáveis explicaram à AP que o cancelamento do envio para a Polónia ocorreu depois de o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ter assinado um memorando que determinava ao Estado-Maior Conjunto a retirada de uma brigada de combate da Europa.
Uma das fontes acrescentou que a seleção da unidade a retirar ficou a cargo da liderança militar.
Além da equipa de combate do Exército baseada em Fort Hood, no Texas, o mesmo memorando levou ainda ao cancelamento de um destacamento iminente para a Alemanha de um batalhão especializado no lançamento de foguetes e mísseis de longo alcance, de acordo com dois oficiais que, tal como outras fontes, falaram sob anonimato.
Contexto político e redução de efetivos
A administração Trump tinha indicado anteriormente que os cortes de forças norte-americanas se limitariam à Alemanha, mas a decisão levantou dúvidas e gerou críticas tanto em Varsóvia como em Washington.
Três oficiais norte-americanos referiram que os destacamentos agora anulados integravam um esforço para cumprir uma ordem presidencial emitida no início de maio, com o objetivo de reduzir o número de tropas na Europa em cerca de 5.000.
Nas últimas semanas, Trump e o Pentágono afirmaram que estavam a retirar pelo menos 5.000 militares da Alemanha, na sequência de declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que disse que os EUA estavam a ser humilhados pela liderança iraniana e criticou o que descreveu como falta de estratégia na guerra.
Com a suspensão destes destacamentos, a presença militar dos EUA na Europa voltará aos níveis anteriores a 2022, antes de a Rússia avançar com a invasão em larga escala da Ucrânia, indicou um responsável norte-americano.
Impacto na NATO e na Polónia
Um responsável da NATO assegurou que a decisão dos EUA de cancelar o destacamento rotativo na Polónia não altera os planos de dissuasão e defesa da Aliança.
A mesma fonte, falando sob anonimato em conformidade com as regras da NATO, sublinhou que o Canadá e a Alemanha reforçaram a sua presença no flanco leste, contribuindo para a robustez global da NATO.
Habitualmente, estão colocados na Polónia cerca de 10.000 militares norte-americanos, na sua maioria em regime rotativo.
De forma permanente, encontram-se no país apenas cerca de 300 militares, segundo o Serviço de Investigação do Congresso dos EUA.
As autoridades polacas contavam escapar a quaisquer cortes, uma vez que a Polónia é o membro da NATO que mais despende em defesa em proporção à sua economia (cerca de 4,7% em 2025) e Hegseth classificou-a como um "aliado modelo" na NATO por investir tanto em defesa.
Quando o Presidente conservador da Polónia, Karol Nawrocki, visitou a Casa Branca em setembro, Trump afirmou que não planeava retirar as tropas norte-americanas da Polónia.
"Colocaremos mais lá se eles quiserem", garantiu Trump na altura.
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