Ucrânia como potência de combate e inovação em defesa
O CEO da empresa ucraniana de defesa UForce, Oleg Rogynskyy, afirmou esta terça-feira que a Ucrânia passou a ser uma das maiores forças de combate do mundo e que as tecnologias de defesa estão a provocar “mudanças dramáticas” no país.
“É indiscutível que a Ucrânia tem agora a força de combate número dois ou três do planeta a nível de experiência, eficiência, de dados recolhidos no campo de batalha e velocidade de inovação”, disse o responsável, num painel dedicado ao futuro da Ucrânia, integrado na Milken Global Conference, em Los Angeles.
Segundo Rogynskyy, o mercado ucraniano transformou-se significativamente no último ano e meio, impulsionado pelo desenvolvimento de soluções avançadas, como sistemas táticos de curto alcance, drones especializados e sistemas de defesa aérea.
Autossuficiência e cadeia de abastecimento de combate
O executivo sublinhou também a aposta na autonomia estratégica do país. "A Ucrânia está a livrar-se de qualquer influência que terceiros possam exercer e percebeu que só pode contar consigo própria", declarou, acrescentando que a Ucrânia deverá contar com uma cadeia de abastecimento de combate independente nos próximos nove meses.
Para Rogynskyy, “a tecnologia de defesa é um ponto muito promissor no horizonte ucraniano”, destacando que pelo menos dez empresas do setor passaram de zero a milhões de euros em dois a três anos.
UForce, unicórnio e expectativas para 2026
No mesmo contexto, indicou que a UForce se tornou o primeiro unicórnio de tecnologia de defesa da Ucrânia e que a economia do país tem registado crescimento apoiado na expansão desta indústria, com um forte aumento da produção e da inovação.
A expectativa apontada para 2026 é de um crescimento de 2% do Produto Interno Bruto, numa altura em que a Ucrânia já está a exportar tecnologia de defesa.
Rogynskyy acrescentou ainda que a Ucrânia está entre os países que mais investem em armamento neste momento e considerou que, na conjuntura atual, a estratégia mais adequada é financiar o país para apoiar a resistência.
Financiamento, parcerias e custo da reconstrução
Panos Stergiou, do Deutsche Bank, defendeu que esse financiamento deverá ser estruturado através de parcerias público-privadas, referindo haver “muito interesse”.
Stergiou observou que as exportações estão a aumentar, mas que os segmentos de transportes, energia e habitação continuam sob pressão. Acrescentou que os europeus reconhecem que terão de apoiar a reconstrução, cujo custo poderá ultrapassar 500 mil milhões de euros.
"O futuro da Ucrânia e da Europa está ligado", afirmou.
Intervenções no painel e Milken Global Conference
O painel contou também com a participação do ex-secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, que destacou a importância de preservar a relação transatlântica e derrotar a Rússia.
A responsável pelo Fórum da Ucrânia na Chatham House, Orysia Lutsevych, referiu a robustez demonstrada pela economia e pelo povo ucraniano, enquanto Iam Bremmer, presidente da Gzero Media, salientou a resiliência do país.
"A história da Ucrânia tem sido uma história de coragem e resiliência, inovação na defesa e tecnologia", apontou. "A capacidade da Ucrânia de responder e não precisar do dinheiro dos impostos norte-americanos é uma história impressionante e inspiradora".
A Milken Global Conference decorre até 06 de maio em Beverly Hills, Los Angeles, reunindo chefes de Estado, representantes diplomáticos, empresários e investidores de várias partes do mundo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário