Ainda não está disponível em Portugal, mas o novo Fisker Ocean já pode ser comprado no país vizinho, Espanha, por um valor bastante agressivo: 42 mil euros.
Para referência, é menos 4600 euros do que a Tesla cobra aos compradores espanhóis por um Model Y de tração traseira - um dos rivais mais diretos do SUV 100% elétrico Ocean - e serve como um bom indicador do preço que poderá vir a ser praticado no nosso mercado.
Preço em Espanha e impacto no mercado português
Isto acontece porque, em Portugal, os elétricos pagam apenas IVA, estando isentos de ISV. Na prática, os preços aplicados em Espanha acabam por ficar muito próximos dos nossos e, nalguns casos, podem até revelar-se inferiores em Portugal.
Ainda assim, há um ponto importante: o Ocean anunciado por 42 mil euros em Espanha não corresponde ao mesmo Ocean que o Guilherme Costa conduziu em Los Angeles (EUA), no contexto dos World Car Awards, onde é o único jurado português entre mais de 100.
Gamas Sport e Extreme do Fisker Ocean
O Ocean disponível por 42 mil euros é o Sport. Vem com um motor elétrico no eixo dianteiro, com 205 kW (279 cv) de potência, e anuncia 440 km de autonomia (sem divulgação da capacidade da bateria).
Já o Fisker Ocean testado pelo Guilherme na Angels Crest Highway é o Extreme, a variante de topo. Aqui, soma-se um motor elétrico no eixo traseiro, elevando a potência máxima para 410 kW (557 cv).
A autonomia também cresce, graças a uma bateria de maior capacidade: 707 km (ciclo combinado WLTP) - é o SUV elétrico com maior autonomia no mercado europeu.
Primeiras impressões
Se o nome Fisker lhe parece conhecido, há uma razão. Não é a primeira vez que o associamos a uma marca automóvel: existiu a Fisker Automotive, criada em 2007, responsável pela berlina híbrida Karma, mas que viria a encerrar em 2014. A Fisker Inc. nasce em 2016 e o elo comum entre as duas é Henrik Fisker, fundador de ambas.
Esta é, portanto, a segunda tentativa de Henrik Fisker em deixar marca no setor automóvel e, depois deste primeiro contacto dinâmico com o Ocean, fica a ideia de que há aqui uma base muito promissora - embora ainda com alguns detalhes a afinar.
Espaço, conforto e soluções práticas
Tal como se percebe no vídeo, e deixando as preferências estéticas de lado, o Fisker Ocean apresenta argumentos fortes como familiar. O espaço a bordo é generoso, o conforto está garantido e o comportamento em estrada mostra-se equilibrado.
Há também pormenores práticos bem pensados: desde a pequena plataforma para um portátil na consola dianteira, aos comandos da climatização integrados no apoia-braços traseiro, sem esquecer o teto fotovoltaico que, segundo a Fisker, consegue acrescentar até 2000 km por ano.
Qualidade de construção e tecnologia: o que falta
Por outro lado, tendo em conta o posicionamento mais próximo de um segmento de gama alta que a Fisker pretende para o Ocean, a montagem e alguns materiais ficam aquém do desejável. A pega do volante também não convence e, para já, não há Apple CarPlay nem Android Auto - algo que será «corrigido» numa próxima atualização remota.
Veredito final para mais tarde
Os aspetos apontados são, em grande medida, passíveis de melhoria sem exigir que se recomece do zero - no essencial, o Fisker Ocean assenta em fundações robustas -, pelo que não seria surpreendente ver a Fisker evoluir em qualidade, à semelhança do que aconteceu com a Tesla.
Concorrentes diretos do Ocean
Além disso, o preço muito competitivo do Ocean dá-lhe um trunfo relevante num segmento com adversários… igualmente fortes. Entre eles estão o já referido Tesla Model Y, os sul-coreanos Hyundai IONIQ 5 e Kia EV6, o Ford Mustang Mach-E e até o Volkswagen ID.4.
Assim, o veredito final fica reservado para quando for possível testar o Fisker Ocean deste lado do Atlântico, idealmente já em Portugal e, de preferência, na «tal» versão de 42 mil euros, como em Espanha.
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