Revisão da Fitch Ratings às locadoras de aeronaves
A Fitch Ratings concluiu a sua revisão do mercado de locadoras de aeronaves, confirmando as classificações de 11 empresas e elevando o rating de outras duas. No conjunto analisado, uma locadora tem perspetiva de rating Positiva, outra apresenta perspetiva Negativa e uma terceira permanece em observação, com possibilidade de melhoria. Nas restantes entidades, as perspetivas mantêm-se estáveis.
Perspetiva do setor em 2026 e fatores geopolíticos
Para 2026, a Fitch alterou a perspetiva do setor das locadoras globais de “Neutra” para “Deterioração”. Esta mudança assenta sobretudo em desafios geopolíticos associados ao conflito no Irão e no potencial impacto de custos de combustível mais elevados sobre a procura de viagens e sobre a qualidade de crédito das companhias aéreas.
Ainda assim, os perfis de negócio das locadoras continuam apoiados por tendências setoriais favoráveis. Entre elas destacam-se perfis de crédito robustos por parte das companhias aéreas e uma escassez persistente de aeronaves. Esta falta de oferta resulta, em grande medida, de limitações de produção relacionadas com a disponibilidade de motores e de ciclos de manutenção mais curtos nas aeronaves com tecnologias mais recentes.
A escassez reforça o valor estratégico da escala e tem contribuído para a consolidação do setor. Entre as operações recentes, a Fitch salienta a aquisição da Air Lease Corporation pela Sumisho Air Lease Corporation e a compra da Macquarie Air Finance pela Dubai Aerospace Enterprise.
Condições financeiras, liquidez e acesso ao mercado de capitais
Nos últimos trimestres, os spreads líquidos recuaram devido ao aumento do custo médio de financiamento. Ainda assim, a Fitch antecipa que as receitas de leasing melhorem, na medida em que as restrições do lado da oferta se mantêm.
Para a maioria das locadoras, a alavancagem tem vindo a diminuir, refletindo oportunidades mais limitadas de colocação de capital e uma acumulação saudável de capital, sustentada pelo bom desempenho dos contratos de leasing.
Muitas locadoras receberam indemnizações relevantes relacionadas com a exposição à Rússia e à Ucrânia, montantes que foram usados para amortizar dívida ou para apoiar iniciativas de gestão de capital. A liquidez mantém-se sólida, apoiada por fluxos de caixa operacionais fortes e por ganhos também robustos na venda de aeronaves.
Apesar dos ventos contrários macroeconómicos e geopolíticos, o acesso ao mercado de capitais continua disponível a taxas competitivas.
Desde o início de 2026 até 30 de abril, as locadoras avaliadas pela Fitch emitiram, em conjunto, dívida sénior no montante de US$ 10,4 mil milhões, com um cupão médio ponderado de 4,7%. Em 2026, vencem US$ 24 mil milhões em dívida e está previsto um plano de investimento (capex) de US$ 26,1 mil milhões. A agência considera que, ao longo do ano, as locadoras deverão continuar a aceder aos mercados de dívida de forma atempada.
O conflito no Irão tem afetado de forma significativa o fornecimento de petróleo, pressionando em alta os preços globais do combustível. Em resposta, as companhias aéreas aumentaram o preço dos bilhetes e reduziram rotas com menor rentabilidade.
Embora o tráfego no Médio Oriente tenha registado interrupções temporárias, a procura global por viagens tem-se mostrado relativamente resiliente até ao momento.
Se o conflito se prolongar, a subida do preço dos bilhetes poderá enfraquecer a procura, levando as companhias aéreas a procurar alívio nos pagamentos às locadoras, como o adiamento de leasing. Ainda assim, a Fitch entende que a pressão negativa sobre os ratings das locadoras sob sua cobertura seria limitada, tendo em conta a margem saudável para alavancagem e os gatilhos de liquidez.
Preços de combustível mais elevados também tendem a reforçar a procura por aeronaves com tecnologias mais recentes, favorecendo as locadoras com carteiras de encomendas consolidadas.
A análise de sensibilidade da Fitch considerou cenários base e adversos, incluindo crescimento mais lento, menores ganhos na venda de aeronaves, despesas com juros mais elevadas por mais tempo, adiamento de taxas de leasing e provisões mais altas para perdas.
A agência considera que as locadoras manterão uma cobertura de liquidez acima de 1,0x, mesmo que a receita operacional diminua em ambos os cenários, preservando uma margem de capital adequada face aos gatilhos de descida de rating.
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