Estoril Sol volta a atrasar a publicação das contas de 2025
A Estoril Sol, concessionária dos casinos de Lisboa e do Estoril, voltou a falhar o calendário de divulgação dos resultados anuais: é a segunda vez que não cumpre a data prevista e, agora, só deverá apresentar as contas de 2025 em junho, já depois do prazo habitual do final de abril.
Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o conselho de administração afirma que “estará em condições de prestar a informação devida até ao dia 22 de junho, lamentando o atraso”.
A 29 de abril, a empresa já tinha informado o mercado de que não conseguiria concluir o fecho de contas nesse mês, apontando então para a necessidade de mais três semanas. Ainda assim, o processo não ficou concluído e a Estoril Sol admite agora que precisará de mais um mês para encerrar as contas de 2025.
Concessão do Casino da Póvoa e revisão de imparidades em Lisboa e Estoril
Segundo a empresa, o adiamento está ligado à “complexidade associada aos efeitos resultantes do termo da Concessão do Casino da Póvoa” e ao “reconhecimento atualizado do valor de imparidade referente às concessões de jogo no Estoril e em Lisboa”.
A Estoril Sol era a detentora da concessão do casino da Póvoa de Varzim, mas optou por não entrar no novo concurso para a licença de exploração. O procedimento acabou por ter apenas um concorrente, a francesa Barrière, que já assinou com o Estado o novo contrato de concessão, com duração de 15 anos e possibilidade de prorrogação por mais cinco.
Na proposta vencedora, a Barrière comprometeu-se com uma contrapartida inicial de €33,6 milhões e uma contrapartida anual fixa de €3 milhões. A estes montantes soma-se um pagamento anual variável correspondente a 50% das receitas brutas dos jogos do casino da Póvoa, com a salvaguarda de que nunca poderá ser inferior a €16,5 milhões por ano.
Ao escolher ficar fora da Póvoa, a Estoril Sol deixou para trás uma operação que lhe proporcionava cerca de €37 milhões de receita anual. Em 2024 (o último exercício com contas publicadas), o casino da Póvoa de Varzim registou um EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de €7,3 milhões e um lucro de €5,7 milhões. No ano anterior, a mesma unidade tinha apresentado um EBITDA de €9,9 milhões e um resultado líquido de €8 milhões.
Mesmo com números positivos, o desempenho da Póvoa ficou aquém do contributo do jogo online no grupo, que em 2024 originou um lucro de €14,5 milhões, apenas ligeiramente abaixo dos €15,4 milhões apurados no ano precedente.
No documento remetido à CMVM, a Estoril Sol não detalha a direção da atualização das imparidades do Estoril e de Lisboa - isto é, se a revisão implica aumentar as perdas reconhecidas ou reduzi-las. Ainda assim, o histórico recente mostra que o casino da Póvoa vinha a apresentar resultados superiores aos das unidades exploradas no sul do país.
Em 2024, o Casino de Lisboa alcançou um EBITDA positivo de €7 milhões, mas fechou com um prejuízo de €4,7 milhões. Já o Casino do Estoril reportou um EBITDA negativo de €7,8 milhões e perdas de €18,4 milhões. Em ambos os casos, a Estoril Sol viu o resultado líquido agravar-se.
No relatório e contas de 2024, a empresa já tinha reconhecido uma imparidade de €6,8 milhões pela concessão de jogo que engloba o Estoril e Lisboa, refletindo as receitas e os resultados obtidos nessas unidades. No exercício anterior, não tinha sido constituída qualquer imparidade para essa área de jogo.
Primeiro semestre de 2025 estável em receitas
A Estoril Sol encontra-se cotada na bolsa nacional e apresenta uma capitalização bolsista na ordem dos €42 milhões. No mais recente concurso do Governo para novas concessões de jogo, a Estoril Sol optou por não apresentar candidatura, ficando apenas com as operações do Estoril e de Lisboa, cujo contrato se estende até 2037.
A concorrente Solverde seguiu um caminho distinto e decidiu assegurar a continuidade do negócio no Casino de Espinho, aceitando pagar ao Estado uma contrapartida inicial de €36 milhões, além de um pagamento anual fixo de €2 milhões e uma componente variável de 45% das receitas brutas, com um mínimo de €16 milhões por ano. A Solverde garantiu também as concessões dos casinos algarvios de Vilamoura, Monte Gordo e Portimão, mediante uma contrapartida inicial de €31 milhões, uma prestação anual fixa de €1,7 milhões e um pagamento variável de 30% das receitas brutas, com um valor mínimo de €10 milhões.
O grupo Estoril Sol, controlado pela família Ho, de Macau, registou em 2024 receitas totais de €211,6 milhões, uma descida de 2% face ao ano anterior. Neste período, as receitas dos casinos físicos ficaram praticamente estagnadas, enquanto a faturação do jogo online recuou 5%. O resultado consolidado foi um prejuízo de €4,8 milhões, em contraste com o lucro de €13,4 milhões alcançado no exercício precedente.
Na primeira metade de 2025, a Estoril Sol apurou uma receita bruta de €100 milhões, em linha com o mesmo intervalo do ano anterior. A empresa conseguiu ainda reduzir as perdas do primeiro semestre de €3,6 milhões para €1,8 milhões, ao mesmo tempo que o EBITDA subiu de €9,6 milhões para €10,8 milhões, embora continue distante dos desempenhos registados em 2022 e 2023. E, enquanto Estoril e Lisboa se mantiveram no “vermelho”, o casino da Póvoa de Varzim voltou a dar lucro - mas, a partir de agora, esses ganhos do jogo a norte passam para o grupo francês Barrière.
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