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Zapatero garante inocência no caso de tráfico de influências ligado à Plus Ultra

Homem de fato escuro com camisa branca fala em púlpito com tablet e papéis, enquanto fotografia é tirada em corredor iluminad

Notificação e colaboração com a justiça

O ex-primeiro-ministro de Espanha José Luis Rodríguez Zapatero afirmou hoje que é inocente no processo em que está indiciado por tráfico de influências e garantiu que prestará total colaboração às autoridades judiciais.

Zapatero confirmou que foi notificado hoje pela justiça relativamente a este caso e assegurou que irá cooperar com a investigação em tudo o que for necessário.

Num vídeo enviado aos meios de comunicação social, declarou: “Quero reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre se desenvolveu com absoluto respeito pela legalidade”.

A Audiência Nacional de Espanha indicou, num comunicado, que José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, será ouvido em 2 de junho “como investigado” por um juiz “por delitos de tráfico de influências e outros conexos”.

O processo Plus Ultra e o resgate de 53 milhões de euros

Segundo a mesma instância, trata-se de um processo judicial “aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra”.

De acordo com a imprensa espanhola, a investigação centra-se em suspeitas de lavagem de dinheiro na companhia aérea Plus Ultra e procura determinar o destino de 53 milhões de euros associados ao resgate da empresa, financiado com dinheiro público depois da pandemia.

A Plus Ultra, descrita como uma companhia de pequena dimensão, opera ligações a partir de Madrid para Lima (Peru), Caracas (Venezuela), Buenos Aires (Argentina), Bogotá e Cartagena das Índias (Colômbia).

Em 2021, a empresa recebeu um resgate financeiro de 53 milhões de euros, atribuído sob a forma de empréstimo pelo Governo espanhol liderado pelo socialista Pedro Sánchez, que então constituiu um fundo de dez mil milhões de euros para apoiar empresas consideradas estratégicas com dificuldades decorrentes da covid-19.

Suspeitas, crimes apontados e diligências em curso

Fontes judiciais citadas por meios de comunicação social espanhóis referiram que Zapatero está indiciado por três crimes: organização criminosa, tráfico de influências e falsificação.

No vídeo que divulgou, o antigo primeiro-ministro e ex-líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) afirmou “com toda a contundência” que nunca realizou “qualquer gestão” junto de um governo ou de uma entidade pública, em Espanha ou noutro país, relacionada com o resgate da Plus Ultra.

Zapatero rejeitou também ter tido alguma vez “uma sociedade comercial”, diretamente ou por intermédio de terceiros, quer em Espanha quer no estrangeiro.

Segundo o processo judicial, citado pelos meios de comunicação social espanhóis, Zapatero é suspeito de chefiar “uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” destinada a obter “benefícios económicos” por via de “influências em instâncias públicas em favor de terceiros, principalmente a Plus Ultra”.

A investigação aponta ainda para o recurso a empresas e documentação simulada “para exercer influências ilícitas” e para ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa cujas administradoras e sócias são as filhas de Zapatero.

A Audiência Nacional confirmou que essa empresa das filhas de Zapatero (uma agência de comunicação) foi hoje alvo de buscas policiais, tal como outras duas empresas e o escritório do ex-primeiro-ministro.

O inquérito, sob a tutela do juiz José Luis Calama, suspeita que Zapatero e pessoas próximas - incluindo, em particular, as duas filhas - terão recebido 1,95 milhões de euros em comissões, de forma irregular, no âmbito deste caso.

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