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SUV chineses andam em três rodas 70 anos depois do Citroën DS

Carro elétrico moderno verde em exposição numa sala de visualização com iluminação suave e parede decorada.

A corrida tecnológica entre os construtores chineses já não se decide apenas pela autonomia, pelo carregamento rápido ou por ecrãs cada vez maiores. O novo campo de batalha mudou-se para o chassis - mais precisamente para suspensões ativas capazes de mexer na altura ao solo, gerir cada roda de forma independente e, em casos extremos, deixar um automóvel continuar a avançar com apenas três rodas a tocar no chão.

A mais recente prova disso foi apresentada pela BYD através do Denza B8 Flash Charge Edition, conhecido na China como Fang Cheng Bao Bao 8. Com a nova suspensão DiSus-P Ultra, este SUV consegue elevar completamente uma das rodas e, ainda assim, deslocar-se a baixa velocidade apoiado nas outras três. Não é uma função concebida para circular em estrada, mas sim para contextos muito específicos de todo o terreno, operações de recuperação ou situações de emergência.

Denza B8 com uma roda no ar

© captura de ecrã CarForLife - Numa demonstração para a imprensa, foi possível ver o Denza B8 a circular apenas com três rodas, bem como a transpor vários obstáculos em condução todo o terreno.

Como funciona a condução em três rodas?

No Denza B8, a solução passa por uma suspensão hidráulica ativa que consegue elevar cada roda individualmente e ajustar a altura da carroçaria consoante o relevo. De acordo com o que foi demonstrado pela BYD, o sistema concentra-se em três utilizações principais: recuperação com uma roda suspensa, ajuda à substituição de pneus sem recorrer a um macaco convencional e condução em três rodas.

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A condução em três rodas está limitada a 15 km/h e destina-se sobretudo a vencer obstáculos muito devagar, ou a retirar o veículo de situações em que uma das rodas deixa de contribuir para a tração. Na demonstração, o Denza B8 avançou sobre estruturas irregulares, levantando uma roda de cada vez, para evitar que a parte inferior da carroçaria tocasse no obstáculo.

A BYD simulou ainda um cenário de recuperação em areia profunda. O SUV foi colocado propositadamente “atolado” e, através da variação de altura da suspensão, conseguiu recuperar tração e libertar-se. Já na função de troca de pneus, a suspensão ergue uma roda de cada vez, deixando-a suspensa no ar sem necessidade de um macaco tradicional. Segundo a BYD, esta elevação demora menos de um minuto.

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O Citroën DS já fazia algo parecido em 1955

Quando a Citroën apresentou o DS, em 1955, a suspensão hidropneumática tornou-se uma das grandes demonstrações de engenharia automóvel do século XX. O modelo francês conseguia manter a carroçaria nivelada, permitir variação da altura ao solo e ganhou fama por conseguir deslocar-se, em certas condições, mesmo com uma roda removida.

Citroën DS a circular com três rodas

O Citroën DS também ficou lendário graças à sua suspensão hidropneumática “mágica”, que possibilitava circular apenas com três rodas.

Passadas sete décadas, o conceito regressa - mas apoiado noutro tipo de tecnologia. No DS original, tratava-se sobretudo de uma revolução mecânica e hidráulica, desenhada para elevar conforto, estabilidade e segurança. Nos SUV chineses atuais, entram em cena sensores, software e, inevitavelmente, uma dimensão de espetáculo muito característica do mercado chinês contemporâneo.

Huawei e Li Auto também entraram nesta corrida

A BYD não é a única a explorar este tipo de solução. A Aito - marca chinesa apoiada pela Huawei e integrada no grupo Seres - já exibiu uma funcionalidade semelhante no novo Aito M9. Em vídeos divulgados na China, o SUV surge a levantar uma das rodas dianteiras e a continuar a avançar de forma estável a baixa velocidade.

A Huawei garante que esta capacidade é assegurada pelo chassis inteligente totalmente ativo do M9, capaz de ajustar a suspensão de forma antecipada, em função do que encontra no piso. O novo Aito M9 encontra-se em pré-venda na China desde 499 800 yuan, o que corresponde a cerca de 64 mil euros ao câmbio atual.

Aito M9

Li Auto L9 Livis

A Li Auto está a trilhar uma rota parecida com o novo L9 Livis, que recorre a uma suspensão hidráulica ativa de 800 V. A marca refere que o sistema consegue comandar as quatro rodas de forma independente, dispensando uma barra estabilizadora convencional, e que reage em milissegundos. Entre as funções apresentadas estão a elevação individual de rodas, o apoio à substituição de pneus e a recuperação perante obstáculos fora de estrada.

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Ainda longe da Europa

Para já, este tipo de tecnologia continua muito concentrado no mercado chinês e em SUV premium de marcas como BYD, Aito e Li Auto. Na China, o Denza B8 Flash Charge Edition arranca nos 419 800 yuan, o equivalente a cerca de 53 800 euros ao câmbio atual.

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