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Montenegro admite falhas nos aeroportos e anuncia reforço do controlo de fronteiras com 300 PSP

Homem de fato fala numa área de controlo de passaportes de aeroporto com polícia e passageiros à volta.

Luís Montenegro reconheceu, esta segunda-feira, que os tempos de espera registados nos aeroportos portugueses têm revelado falhas e anunciou um reforço dos serviços de controlo de fronteiras, com a entrada de 300 elementos que terminam agora a formação na PSP.

De acordo com a PSP, no fim de semana passado a espera nos aeroportos nacionais ultrapassou as duas horas.

Aeroportos portugueses e tempos de espera

O primeiro-ministro afirmou que o Governo vai intensificar o esforço para normalizar a situação e avisou que, caso o problema persista mesmo depois dos investimentos previstos - que incluem equipamentos e meios tecnológicos - poderão ser tomadas "medidas mais duras".

Em declarações aos jornalistas, em Moledo, sublinhou que o Executivo pretende ir até ao limite do que for necessário para resolver o constrangimento, sem comprometer a segurança nem a economia do país. O chefe do Governo passou por Moledo para assinalar a conclusão da reabilitação provisória do paredão que tinha sido derrubado pelo mar durante o inverno passado.

"Vamos levar este esforço até aos limites para ultrapassar a situação. Se nesse ínterim, tivermos de tomar medidas mais duras, tomaremos, porque não queremos colocar em causa nem a segurança nem o desenvolvimento económico do país"

O líder do Executivo referiu ainda que lhe têm chegado queixas de agentes económicos, apontando o incómodo causado pelos atrasos, sobretudo na capital.

"Temos tido relatos de vários agentes económicos incomodados com essa situação, precisamente para o inconveniente que algumas esperas exageradas estão a acontecer nos aeroportos portugueses, em particular no de Lisboa."

Reforço do controlo de fronteiras com 300 elementos da PSP

Montenegro disse estarem a decorrer "investimentos enormes" para aumentar a capacidade de resposta, quer ao nível de recursos humanos, quer na componente operacional.

Segundo explicou, a curto prazo haverá mais pessoal dedicado ao controlo de fronteiras: "Estamos a fazer um esforço enorme no Governo para reforçar com meios humanos e agora, nas próximas semanas, teremos mais cerca de 300 elementos que vão sair da formação da PSP para serviços de controlo de fronteiras". Acrescentou que o reforço inclui também intervenções "do ponto de vista dos equipamentos, da gestão dos recursos humanos e tecnológicos".

Paralelamente, o primeiro-ministro não escondeu a insatisfação com o funcionamento actual e apontou dificuldades na articulação entre vários prestadores.

"Estamos a fazer o que nos compete para ter mais capacidade de resposta, mas eu não escondo: estamos insatisfeitos com o que tem sido a resposta dada por parte dos serviços de fronteira nos aeroportos e, em particular, no aeroporto de Lisboa. Quando chegámos tínhamos, e ainda temos, uma panóplia enorme de prestadores de serviços, de empresas que fazem manutenções com dificuldades de interoperabilidade entre eles"

Reforçou, por outro lado, que Portugal tem deveres no quadro europeu e que continuará a cumpri-los, sem aceitar que o país seja prejudicado. Defendeu que a prioridade passa por garantir a segurança e o controlo das entradas - que são também fronteiras externas da UE -, assegurando ao mesmo tempo a protecção do interesse económico nacional.

"Rota de crescimento"

Ainda em Moledo, confrontado com o balanço do primeiro ano do mandato do Governo da AD, Montenegro destacou os efeitos das tempestades no território e o impacto económico de conflitos externos. Apesar desse contexto, considerou que Portugal "continua numa rota do crescimento", ainda que "alguns tentem diminuir esse percurso".

Na sua leitura, foi um ano particularmente exigente e marcado por factores fora do controlo nacional, como a instabilidade no Médio Oriente e as consequências na cadeia de abastecimento. Referiu que o impacto se fez sentir primeiro nos combustíveis e depois em outros bens essenciais, mas reiterou a ideia de que o país mantém uma trajectória positiva em crescimento e credibilidade. Garantiu também que Portugal está hoje acima da média da União Europeia na dinâmica económica e no crescimento dos salários, insistindo que esse caminho é para manter.

"Alguns aproveitam a ocasião destes episódios conjunturais para tentarem diminuir esse percurso, dizendo que nós estamos pior, mas o país está melhor. Está felizmente a desenvolver-se num sentido de coesão territorial. Ainda há pouco estive em Monção, num parque empresarial com uma grande dimensão, 56 hectares, onde se perspetiva o acolhimento de mais de 85 empresas."

Questionado sobre as linhas da moção estratégica a apresentar esta segunda-feira, respondeu que o Executivo está "vocacionado para dar modernidade e impulso de desenvolvimento" ao projecto, defendendo mais ciência, inovação e tecnologia, com maior integração de potencialidades digitais, incluindo a Inteligência Artificial, e a conciliação de tudo isso com outros factores.

Entre os exemplos, apontou a energia, referindo a ministra do Ambiente e Energia, presente no local, e o trabalho desenvolvido na área. "Hoje somos um dos países que tem os preços mais acessíveis da energia na Europa. Acho que posso dizer que seremos o terceiro mais competitivo nesse domínio. Estamos no top três".

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