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As aves roubam materiais dos ninhos umas às outras, o que pode pôr em risco a sua sobrevivência.

Dois pássaros junto a um ninho feito de gravetos coloridos numa árvore em ambiente natural.

A vida na floresta costuma parecer equilibrada e serena. As aves fazem os ninhos, alimentam-se e criam as crias nos mesmos espaços, ano após ano. Mas, mesmo nestes ambientes aparentemente estáveis, a competição pode assumir formas inesperadas.

Nas florestas de grande altitude do Havai, algumas aves não se limitam a reunir materiais. Estão a tirá-los umas às outras.

Um estudo recente trouxe este comportamento pouco notado para primeiro plano e mostra como ele pode influenciar a sobrevivência de forma subtil.

As aves roubam material de ninho

Investigadores da Universidade da Califórnia, em Riverside, quiseram compreender melhor o quotidiano das aves nativas do Havai.

Em vez de se concentrarem em predadores ou doenças, seguiram algo muito menos evidente. Aves a remover gravetos, musgo e fibras de ninhos próximos.

Cientistas acompanham o roubo de ninhos

"Há anos que as pessoas que trabalham no terreno vêem este comportamento, mas nunca tinha sido documentado com este nível de detalhe", disse Erin E. Wilson Rankin, primeira autora do estudo.

"Agora podemos dizer quem o faz, de quem estão a roubar e o que acontece aos ninhos depois disso."

Ao longo de seis meses, a equipa monitorizou de perto mais de 200 ninhos nas copas das árvores.

Esta observação cuidada permitiu ir além de avistamentos ocasionais e medir de facto a frequência com que este comportamento acontece.

Quem rouba mais entre as aves?

Os resultados revelaram um padrão surpreendente. A apapane, uma espécie nativa comum, apareceu dos dois lados da interação. Muitas vezes era ela que levava materiais, mas também era frequentemente visada.

Esta sobreposição provavelmente reflete a frequência com que estas aves se cruzam. Populações maiores criam mais oportunidades de contacto e, neste caso, mais oportunidades de roubo.

"O mais fascinante é que este comportamento também acontece dentro da própria espécie", disse Wilson Rankin. "As apapane estavam a roubar a outras apapane."

O roubo de material de ninho acontece à mesma altura

O estudo também mostrou que a localização importa. As aves tendiam a retirar materiais de ninhos construídos a alturas semelhantes.

Isto sugere que não andam ativamente à procura de ninhos para assaltar. Em vez disso, aproveitam aquilo com que se deparam durante o movimento rotineiro pela floresta.

Alguns ninhos activos falham

Nem todos os atos de roubo causam danos. Muitos dos ninhos envolvidos já não estavam em uso. Mas o estudo concluiu que alguns continuavam ativos, com ovos ou crias, ou ainda em construção.

Nesses casos, as consequências eram reais. "Vimos situações em que os ninhos falharam, seja porque a estrutura do ninho ficou comprometida, seja porque os progenitores foram perturbados e abandonaram o local", disse Wilson Rankin.

Cerca de 5% dos ninhos monitorizados falharam depois deste tipo de evento. Esse valor mostra como até perturbações pequenas podem afetar o sucesso reprodutivo.

As aves do Havai enfrentam pressão de sobrevivência

Para as aves das florestas do Havai, a sobrevivência já é um desafio. A perda de habitat reduziu o espaço disponível para nidificação.

As alterações climáticas estão a modificar o ambiente. As doenças transmitidas por mosquitos obrigaram muitas espécies a refugiar-se em zonas de grande altitude cada vez mais reduzidas.

Neste contexto, até pequenos contratempos podem fazer diferença. Perder parte de um ninho ou abandoná-lo por completo pode diminuir a probabilidade de criar crias com sucesso.

Roubar pode trazer vantagens imediatas para as aves que o fazem. Poupa tempo e energia. Mas também pode introduzir novos riscos, como a exposição a parasitas transportados nos materiais.

O roubo de ninhos pode aumentar

À medida que as condições mudam, este comportamento pode tornar-se mais frequente. Se os locais adequados para nidificar ou os materiais apropriados ficarem mais difíceis de encontrar, a competição pode intensificar-se.

"Este tipo de comportamento pode ser mais comum se os materiais de nidificação ou os locais seguros para nidificar se tornarem escassos", disse Wilson Rankin. "É algo que devemos medir."

Compreender estes padrões pode ajudar a orientar o trabalho de conservação. Mesmo que o comportamento em si não possa ser impedido, identificar quando é mais provável acontecer pode apoiar uma melhor planificação.

As conclusões orientam a conservação

"Se conseguirmos prever quando e onde este comportamento acontece, talvez não o consigamos travar, mas podemos intervir de outras formas para apoiar as espécies em risco", disse Wilson Rankin. "Esse é um benefício deste trabalho."

O estudo também altera a forma como vemos as ameaças na natureza. Nem todos os riscos vêm de forças externas.

"Às vezes, as ameaças para as espécies animais não vêm de predadores ou de pessoas", disse Wilson Rankin. "Podem vir de animais semelhantes."

Implicações do estudo sobre o roubo de ninhos

Numa floresta cheia, a sobrevivência não depende apenas de escapar a predadores ou a condições severas.

Os animais também têm de lidar com a competição constante dos outros seres que vivem à sua volta. Quando muitas aves partilham o mesmo espaço limitado, até ações pequenas começam a ter importância.

Algo tão simples como retirar alguns gravetos do ninho de outra ave pode afetar as hipóteses de essa ave conseguir criar as crias.

Estas pequenas interações podem perturbar ninhos, desperdiçar energia ou obrigar as aves a reconstruir. Com o tempo, eventos repetidos deste tipo podem aumentar a pressão sobre espécies que já enfrentam dificuldades.

Assim, a sobrevivência passa a ser mais do que evitar ameaças óbvias. Depende também da forma como os animais lidam com a competição diária, mesmo em ações que parecem insignificantes à primeira vista.

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