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Receitas sobem mas lucros descem. Os números da Audi em 2025

Carro desportivo Audi prateado dentro de showroom moderno com luz natural e reflexos no chão brilhante.

No universo do Grupo Volkswagen, a Audi não funciona apenas como mais uma marca do conglomerado alemão: é, ela própria, um grupo. Além da Audi, integra também a Bentley, a Lamborghini e a Ducati.

Os resultados financeiros de 2025 do Grupo Audi, apresentados ontem, 17 de março, revelaram um quadro misto. Por um lado, a receita avançou para 65,5 mil milhões de euros (+1,5%); por outro, a rentabilidade ressentiu-se sob a pressão direta das atuais tensões comerciais à escala global.

A descida é particularmente visível no lucro operacional (receitas menos despesas operacionais), que recuou 13,6%, passando de 3,9 mil milhões de euros (em 2024) para 3,4 mil milhões de euros em 2025. Em paralelo, a margem operacional foi arrastada para 5,1% (abaixo dos 6% de 2024).

Já no capítulo do resultado financeiro, o cenário é mais favorável. Os rendimentos da atividade financeira (juros, investimentos e participações) do Grupo Audi, após impostos, praticamente duplicaram (+100,82%), de 1,097 mil milhões de euros em 2024 para 2,203 mil milhões de euros em 2025. Deste montante, 504 milhões de euros têm origem na China.

Somando lucros operacionais e resultados financeiros, e depois de impostos, o lucro líquido atingiu 4,617 mil milhões de euros em 2025, o que representa uma subida de 10,2% face aos 4,189 mil milhões de euros registados em 2024.

Estes valores permitiram ainda à Audi atribuir uma participação nos lucros aos trabalhadores das fábricas na Alemanha, após um ano descrito como especialmente exigente. No conjunto, cada colaborador receberá 1740 euros, aos quais acresce uma contribuição de 1100 euros para o fundo de pensões da marca. No total, cada trabalhador recebe 2840 euros.

O fator Trump e o impacto no Grupo Audi

Apesar dos sinais positivos, a contração do lucro e da margem operacional em 2025 é encarada como um motivo de atenção. O desempenho foi fortemente influenciado por fatores externos, em particular pelas tarifas comerciais norte-americanas aplicadas pela administração de Donald Trump. Por si só, estas tarifas reduziram em 1,2 mil milhões de euros o resultado operacional.

“A Audi apresentou um desempenho resiliente em condições difíceis em 2025. As tarifas americanas, em particular, tiveram um impacto significativo sobre nós”.

Jürgen Rittersberger, diretor financeiro da Audi

A estes efeitos juntaram-se custos associados a provisões para cumprir metas de emissões e, ainda, a recalendarização do desenvolvimento de uma plataforma elétrica conjunta do Grupo para o segmento D. Este contexto ajuda a enquadrar o fim previsto para este ano do Audi A8, sem existir um sucessor pronto para assumir a posição.

O ano de 2025 ficou igualmente marcado pela ofensiva elétrica. A Audi entregou mais de 223 mil veículos elétricos, um crescimento de 36%, sustentado sobretudo pelo bom desempenho dos novos Q6 e-tron (aproximadamente 84 mil unidades) e A6 e-tron (aprox. 37 mil unidades). No total, o Grupo entregou 1,623 milhões de automóveis, traduzindo uma quebra ligeira de 2,8% em comparação com o ano anterior.

Entre as marcas do grupo, a Lamborghini manteve-se como “jóia da coroa” em termos de eficácia, ao preservar uma margem operacional de 24% (27% em 2024). Em sentido inverso, Bentley e Ducati atravessaram um período mais difícil, com quebras mais acentuadas tanto em margens como em entregas.

Expectativas para 2026

Para o ano em curso, o diretor-executivo Gernot Döllner aponta para uma trajetória de crescimento. A empresa prevê que a margem operacional recupere para um intervalo entre 6% e 8%, suportada por uma receita mais elevada situada entre 63-68 mil milhões de euros.

As linhas orientadoras para 2026 assentam em três pilares estratégicos: novos modelos, abordagem ao mercado chinês e Fórmula 1. No capítulo dos lançamentos, sobressaem o Q9, novo SUV porta-estandarte da marca com maior foco nos mercados norte-americano e chinês, e o A2 e-tron, posicionado como porta de entrada no universo elétrico da Audi.

Na China, o reforço será feito sobretudo através da marca “AUDI”, com o lançamento do SUV elétrico E7X, depois do lançamento do E5 Sportback. Já no eixo da Fórmula 1, a estreia oficial com a Audi Revolut F1 Team é apresentada como uma aposta que deverá aumentar a exposição e o reconhecimento.

Os resultados relativamente positivos do Grupo Audi em 2025 refletem também o plano de reestruturação em curso, orientado para a redução de custos.

Este plano resulta de um acordo estabelecido no ano passado entre o Conselho de Administração e o Conselho de Trabalhadores da Audi, cuja execução, segundo o grupo, está a avançar conforme o planeado. Prevê a redução de 6000 postos de trabalho até 2027, tendo já atingido 65% do objetivo, a que se soma o corte adicional de mais 1500 postos de trabalho até 2029.

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