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Contexto da SAHA 2026 em Istambul
Na SAHA 2026, em Istambul, a Turkish Aerospace Industries (TAI) levou dois dos mais relevantes sistemas aéreos não tripulados da indústria turca: o ANKA III, um UCAV furtivo de asa voadora que continua em fase de desenvolvimento, e o AKSUNGUR, um drone MALE já operacional nas Forças Armadas da Turquia e com projecção no mercado internacional. A presença de ambos sublinha a evolução do país para uma arquitectura de sistemas não tripulados pensada para actuar em teatros contestados.
Mais do que apresentar plataformas de forma isolada, a demonstração dos dois meios ilustra a lógica que hoje orienta o ecossistema turco de drones. A Turquia procura articular reconhecimento, ataque, guerra electrónica, patrulha marítima e operações tripulado–não tripulado numa estrutura integrada. Neste enquadramento, o AKSUNGUR é orientado para persistência e capacidade de carga, enquanto o ANKA III aponta para baixa observabilidade, penetração e emprego em cenários com defesas antiaéreas modernas.
ANKA III: UCAV furtivo de asa voadora
O ANKA III está entre os programas mais ambiciosos da TAI no segmento de UCAV. Ao contrário das versões tradicionais da família ANKA, adopta uma configuração de asa voadora, sem estabilizadores verticais visíveis, concebida para reduzir a assinatura radar. O seu primeiro voo teve lugar a 28 de dezembro de 2023, com uma duração aproximada de 1 hora e 10 minutos, a uma altitude de 2.400 metros e a uma velocidade de 277 km/h, acompanhado por uma aeronave de instrução HÜRKUŞ.
Desde então, a TAI tem vindo a progredir na campanha de ensaios destinada a validar o envelope de voo, os sistemas de controlo, os sensores e o emprego de armamento em compartimentos internos. Entre os diferenciais previstos está a integração com outros sistemas não tripulados, incluindo efectores como o Süper Şimşek, mostrado em configurações para missões de isco, ataque e guerra electrónica. Esta abordagem enquadra o ANKA III como uma plataforma pensada para operações em rede, saturação de defesas e actuação colaborativa.
AKSUNGUR: drone MALE para missões persistentes
O AKSUNGUR posiciona-se noutro patamar dentro da arquitectura turca. Enquanto drone MALE, oferece autonomia superior a 50 horas e capacidade de carga útil até 750 kg. A sua vocação centra-se em missões prolongadas - como vigilância de fronteiras, patrulha marítima, inteligência, reconhecimento e monitorização persistente de áreas extensas - mais do que em ataques meramente tácticos.
O sistema evidencia-se ainda pela vertente de guerra antissubmarina, com a possibilidade de empregar torpedos leves e bóias sonar. Esta configuração aumenta o interesse para marinhas que procuram cobertura ASW persistente sem depender exclusivamente de aeronaves tripuladas de patrulha marítima, reduzindo custos operacionais e elevando o tempo de permanência sobre zonas críticas.
Base industrial e motores TEI-PD170
A apresentação decorre em paralelo com o reforço da base industrial turca. Durante a SAHA 2026, a TAI e a Turkish Engine Industries formalizaram um acordo para o fornecimento de 100 motores turbodiesel TEI-PD170 destinados aos programas ANKA e AKSUNGUR. A nacionalização da propulsão é considerada central no segmento MALE, por assegurar disponibilidade, menor dependência externa, consumo reduzido e capacidade para alimentar sensores e cargas úteis em missões de longa duração.
Com o ANKA III e o AKSUNGUR, a TAI pretende evidenciar que a Turquia já não se limita a competir no mercado de UAV tácticos. A ambição passa por disponibilizar uma família de plataformas complementares, aptas a operar em rede, manter presença prolongada e actuar em ambientes em que a guerra electrónica, a defesa antiaérea e a necessidade de autonomia industrial se tornaram determinantes para o valor militar dos sistemas não tripulados.
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