As queimaduras nas almofadas das patas são um dos perigos de verão mais subestimados para os cães. Bastam poucos segundos em asfalto, calçada ou areia demasiado aquecidos para surgirem queimaduras dolorosas. Saber identificar os sinais e aplicar os primeiros socorros certos protege o seu companheiro de problemas duradouros - e ajuda a evitar despesas elevadas no veterinário.
Porque é que almofadas das patas queimadas num cão são uma urgência
As almofadas parecem resistentes, mas são tecido sensível. O calor danifica rapidamente células, terminações nervosas e vasos sanguíneos, e quanto mais tempo houver contacto com a superfície quente, mais profundo tende a ser o estrago.
"Quem reage depressa limita a dor, reduz o risco de infeção e encurta o tempo de cicatrização."
Se a queimadura ficar sem cuidados, podem surgir feridas abertas, inflamação intensa e dificuldades crónicas ao andar. Muitos cães passam a “poupar” a pata, adotando posturas de compensação que acabam por sobrecarregar costas, anca e articulações.
Sinais típicos: como reconhecer patas de cão queimadas
Muitas vezes acontece sem alarme imediato: o cão continua a caminhar, apesar de cada passo doer. Esteja atento a:
- coxear ou hesitação visível ao andar
- lamber as patas de forma constante ou agitada
- vermelhidão, inchaço ou bolhas nas almofadas
- retirar a pata, ganir ou rosnar quando é tocada
- almofadas secas e com fissuras, ou zonas escuras com aspeto queimado
Nos casos mais graves, podem soltar-se camadas inteiras de pele das almofadas. Aí estamos perante uma queimadura profunda - um motivo claro para recorrer ao serviço de urgência.
O que acontece se não fizer nada?
Ignorar a lesão e continuar os passeios “como se nada fosse” pode trazer consequências bem mais sérias do que almofadas simplesmente doridas:
- infeções dolorosas e persistentes nas almofadas
- danos permanentes no tecido e formação de cicatrizes
- dificuldades prolongadas para andar e correr
- aumento de stress, inquietação e tendência para isolamento
- em situações muito graves, disseminação da inflamação pelo organismo
Em especial quando há ferida aberta, as almofadas tornam-se uma porta de entrada ideal para bactérias e fungos. Assim, um desconforto pequeno pode transformar-se rapidamente num problema de longa duração.
Primeiros socorros: o que fazer imediatamente
Passo 1: afastar-se da superfície quente
Interrompa o passeio de imediato. Se o cão for pequeno, pegue nele ao colo; caso contrário, conduza-o por relva, terra ou zonas com sombra. Qualquer segundo extra em piso quente agrava a queimadura.
Passo 2: arrefecer as patas com cuidado
Em casa ou num local fresco:
- coloque as patas numa taça com água fresca, não gelada
- ou verta suavemente água fresca da torneira sobre as almofadas
- tempo de arrefecimento: alguns minutos, até o cão parecer claramente mais relaxado
"Nada de gelo nem cubos de gelo diretamente nas patas - o choque térmico pode danificar ainda mais o tecido."
Passo 3: impedir que lamba
Muitos cães tentam lamber intensamente a zona dolorosa. Pode dar alívio por instantes, mas favorece germes e atrasa a cicatrização. Um colar de proteção macio - ou, em último caso, um penso provisório - pode ajudar até ser visto pelo veterinário.
Passo 4: evitar experiências com “remédios caseiros”
Não aplique pomadas da farmácia doméstica, nem óleo, nem iogurte, nem gordura de coco. Vários produtos são tóxicos para cães ou pioram o quadro, por reterem calor ou irritarem ainda mais a pele.
Passo 5: contactar o veterinário
Tire fotografias, descreva os sintomas e ligue diretamente para a clínica. Queimaduras nas patas devem ser sempre avaliadas por um profissional - mesmo quando parecem “ligeiras”. Nem sempre os danos mais profundos são visíveis à primeira vista.
Porque é que as patas no verão queimam tão depressa
Em pleno verão, asfalto, calçada e areia podem atingir temperaturas bem acima de 60 °C. Uma pessoa com sapatos quase não se apercebe, mas o cão está com as almofadas em contacto direto.
- asfalto, betão e pedras de calçada acumulam calor durante horas
- os cães caminham junto ao chão, sem qualquer isolamento
- as almofadas são resistentes, mas não foram feitas para calor contínuo
- passeios ao meio-dia aumentam muito o risco
- também na praia ou sobre lajes de pedra o calor mantém-se por bastante tempo
Mesmo ao fim da tarde, o passeio pode estar a escaldar, apesar de o ar já parecer agradável. Se tiver dúvidas, faça o teste com a palma da mão: se não consegue manter a mão no chão durante cinco segundos, também está demasiado quente para o cão.
Quanto tempo demora o pelo a voltar a crescer após queimaduras?
Se o calor afetou não só as almofadas, mas também zonas com pelo na pata ou na perna, é comum surgir a pergunta: quando volta ao normal?
- Queimadura ligeira: o crescimento do pelo costuma tornar-se visível ao fim de cerca de um mês
- Queimadura mais profunda: a cicatrização e o crescimento do pelo podem demorar até três meses
Quando os folículos pilosos ficam destruídos, pode não voltar a crescer pelo em algumas áreas. Nesses pontos, a pele pode permanecer sem pelo ou com cicatriz. Nestes casos, a gestão profissional da ferida é particularmente importante para manter a pele estável.
O que aplicar em patas irritadas ou vermelhas - e o que evitar
Depois de arrefecer, vem a limpeza cuidadosa. Opções adequadas incluem:
- solução salina fisiológica para enxaguar suavemente
- bálsamos para patas ou cremes de proteção desenvolvidos para cães
- produtos recomendados de forma explícita pelo veterinário
A solução ajuda a remover sujidade e microrganismos sem arder. Já o bálsamo ou o creme de proteção cria uma película fina sobre as almofadas e apoia a regeneração.
"Todos os produtos devem ser aprovados para uso em animais - pomadas para humanos podem conter substâncias preocupantes."
Importante: com queimaduras recentes, o cão não deve voltar a caminhar em brita grossa, gravilha, caminhos com arestas ou novamente em piso quente. Descanso, superfícies limpas e pisos lisos aceleram de forma clara a recuperação.
Quando as almofadas estão “apenas” inflamadas ou em carne viva
Nem toda a lesão é uma queimadura: por vezes as almofadas estão “só” muito irritadas, avermelhadas ou gastas de tanto caminhar. As regras básicas são semelhantes:
- evitar passeios em fontes de calor ou em pisos muito abrasivos
- verificar as patas diariamente, limpar e secar bem
- usar um spray desinfetante suave e uma rotina de cuidado calmante para patas
- evitar contacto com restos de sal de degelo, químicos ou poças
- se a vermelhidão persistir ou houver mau cheiro, procurar o veterinário
Algumas inflamações não são causadas apenas por calor, mas também por alergias ou infeções fúngicas. Aí o cão precisa de tratamento direcionado, por exemplo com pomadas específicas ou medicação.
Como prevenir queimaduras nas patas no asfalto
A melhor “terapia” é evitar que aconteça. Regras simples reduzem bastante o risco:
- fazer passeios de manhã cedo ou ao fim do dia
- preferir trilhos de relva, chão de floresta ou terra em vez de asfalto
- escolher percursos com sombra, por exemplo em parques ou zonas arborizadas
- testar a temperatura do chão com o dorso da mão antes de sair
- aplicar bálsamo para patas ou uma camada protetora de cera antes de caminhadas longas
Botas para patas podem ser úteis em alguns cães, sobretudo na cidade ou em férias na praia. No entanto, muitos animais precisam de um treino gradual e paciente para as aceitar; caso contrário, deixam de caminhar com gosto.
Outros riscos para a pata do cão
Além do calor, existem outras ameaças para patas e almofadas: no inverno, o sal de degelo; no outono, vidros partidos; na primavera, restos de roçagem ou espinhos. Um controlo rápido das patas após cada passeio ajuda a detetar problemas pequenos antes de se tornarem graves.
É prático ter uma pequena “caixa de patas” em casa: compressas esterilizadas, ligadura de gaze, ligadura autoaderente, solução salina, um spray desinfetante suave e o número da clínica veterinária. Assim, numa emergência, é mais fácil agir com calma - e o cão percebe que pode contar com as suas pessoas.
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