Saltar para o conteúdo

# Donald Trump insiste que relações com a China melhoram após reunião com Xi Jinping sobre Irão, Taiwan, estreito de Ormuz e Boeing

Donald Trump e Xi Jinping apertam as mãos durante encontro formal com bandeiras dos EUA e China ao fundo.

Visita de Estado de Donald Trump à China

No derradeiro dia de uma deslocação oficial à China, esta sexta-feira, Donald Trump voltou a assegurar que o relacionamento entre Washington e Pequim é positivo e está a evoluir, apesar de divergências profundas, com destaque para os dossiês do Irão e de Taiwan.

A visita de Estado - com duração inferior a 48 horas - é a segunda de Trump à China desde a viagem de 2017, realizada durante o seu primeiro mandato, e a primeira desde o regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Depois do encontro de quinta-feira, Trump escreveu nas redes sociais que o líder chinês, Xi Jinping, “deu-me os parabéns por tantos sucessos tremendos”. O Presidente norte-americano acrescentou que Xi apenas se referia ao seu antecessor, Joe Biden, quando “se referiu, de forma muito elegante, aos Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”.

Os chefes de Estado das duas maiores potências mundiais voltam a encontrar-se hoje, antes de Trump abandonar Pequim durante a tarde, rumo aos Estados Unidos.

O programa prevê um almoço com Xi Jinping por volta do meio-dia (5h em Lisboa), em Zhongnanhai, o complexo adjacente à Cidade Proibida e que acolhe parte das atividades da liderança chinesa.

Historicamente, Zhongnanhai - onde Mao Zedong figura entre os residentes mais conhecidos - tem estado ligado a reuniões de alto nível entre dirigentes chineses e dignitários estrangeiros.

Ainda assim, a presença de líderes estrangeiros no local não é frequente e, por isso, tende a ser lida como um sinal de maior proximidade política e diplomática.

Acordos comerciais: petróleo, soja e Boeing

Trump indicou que, na sequência do encontro com Xi Jinping em Pequim, a China aceitou adquirir aos Estados Unidos petróleo, aviões da Boeing e soja.

Em entrevista à Fox News, o republicano afirmou: “Uma coisa em que penso que vamos chegar a acordo é que concordaram em comprar petróleo aos Estados Unidos”.

Na mesma conversa, acrescentou: “Vão para o Texas. Vamos começar a enviar navios chineses para o Texas, Louisiana e Alasca... isso é muito importante”, sem, contudo, apresentar pormenores concretos sobre os compromissos debatidos com Xi.

O Presidente dos Estados Unidos disse também que Pequim vai “investir muito na soja” e que as compras chinesas deste grão - crucial para os agricultores do centro-oeste norte-americano - serão “maiores do que antes”.

Trump adiantou ainda que a China irá anunciar a compra de 200 aviões comerciais da Boeing. O diretor da empresa, Kelly Ortberg, integrou a delegação empresarial norte-americana que acompanhou a visita.

Sobre esse ponto, Trump declarou: “Xi concordou em comprar 200 aviões. Isto é grande; são 200 aviões grandes. Isto vai criar muitos empregos, e a Boeing queria 150, e foram 200”, embora as expectativas de Ortberg e de analistas de mercado apontassem para 500 aviões.

Irão e o estreito de Ormuz

Também na quinta-feira, Trump disse ter obtido de Xi Jinping abertura para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão há seis semanas.

“O Presidente Xi gostaria de ver um acordo. Ele disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, terei todo o prazer em ajudar’”, contou Trump, igualmente à Fox News.

A China é o principal comprador de petróleo iraniano e mantém uma parceria com Teerão, que, desde os primeiros dias da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, colocou o estreito de Ormuz sob ameaça militar.

Segundo a agência noticiosa iraniana Tasnim, no dia da cimeira em Pequim as forças navais do Irão autorizaram, desde quarta-feira, a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz.

De acordo com um comunicado da Casa Branca, durante a cimeira ambos os presidentes defenderam a reabertura do estreito de Ormuz ao trânsito de hidrocarbonetos sem portagens e a existência de um Irão sem armas nucleares.

A mesma nota refere que Xi demonstrou interesse em aumentar as compras de petróleo aos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir a dependência chinesa de importações que passam pelo estreito de Ormuz.

Taiwan e o aviso de Xi Jinping

Ainda na quinta-feira, a televisão estatal chinesa noticiou que Xi Jinping alertou Trump para o risco de confronto entre os dois países caso Washington não conduza adequadamente o tema de Taiwan.

“\"A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito\"”, afirmou Xi, recorrendo a um termo em mandarim que não implica necessariamente um conflito militar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário