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EUA comunicam ao Irão que querem continuar negociações sobre o Médio Oriente, diz Abbas Araghchi em Nova Deli

Dois homens em reunião formal com bandeiras dos EUA, Irão e Brasil, e gráficos numa mesa de madeira.

Negociações EUA-Irão: contactos retomados, diz Abbas Araghchi

Os Estados Unidos voltaram a fazer chegar a Teerão a indicação de que pretendem manter em marcha as negociações para pôr termo à guerra no Médio Oriente, afirmou em Nova Deli o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

"Recebemos novamente mensagens da parte dos norte-americanos a indicar que estão dispostos a prosseguir as discussões e a manter os contactos", declarou Araghchi à imprensa, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Esta informação foi avançada na capital indiana, onde Araghchi participa numa reunião dos BRICS, e é interpretada como mais um sinal de tentativa de reaproximação diplomática entre Washington e Teerão.

No domingo, 10 de maio, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha criticado a resposta iraniana à proposta apresentada pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, considerando-a "totalmente inaceitável".

Programa nuclear iraniano e interrupção das conversações

Durante as declarações prestadas em Nova Deli, Araghchi evocou o processo negocial que a República Islâmica mantinha com Washington em torno do programa nuclear iraniano, antes de a escalada militar o ter travado.

"O último encontro foi a 26 de fevereiro. O negociador [norte-americano] disse-nos que havia progressos significativos, mas dois dias depois começaram os ataques", declarou.

A ofensiva israelo-americana teve início a 28 de fevereiro e acabou por suspender as conversações sobre o programa nuclear do Irão, que tinham sido relançadas depois de Trump ter retirado os Estados Unidos, em 2018, de um tratado internacional relativo a esta matéria.

Essa decisão, tomada no primeiro mandato de Trump, recolocou o Irão sob sanções norte-americanas e levou Teerão a retomar o enriquecimento de urânio, em violação das disposições do acordo de 2015.

Araghchi apontou a ausência de confiança em relação aos Estados Unidos como o entrave central para desbloquear um entendimento bilateral.

"O problema mais importante é a desconfiança", afirmou Araghchi durante uma conferência de imprensa em Nova Deli.

Apesar disso, defendeu que Teerão continua a considerar inviável qualquer solução pela via militar, insistindo na necessidade de manter o caminho diplomático.

"Não há outra solução que não seja uma solução negociada", disse, também citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O chefe da diplomacia iraniana acusou ainda Washington de emitir "mensagens contraditórias" ao longo do processo, o que, segundo argumentou, reduz a margem para avanços.

"Cada dia a mensagem é diferente, e isso é um problema", afirmou.

Araghchi garantiu igualmente que o Irão não cederá à pressão ocidental, recordando a experiência acumulada ao longo de décadas sob sanções internacionais.

"Resistimos a mais de 40 anos de sanções, mas isso não mudou a nossa determinação", assinalou.

Guerra no Médio Oriente, BRICS em Nova Deli e efeitos no petróleo

As declarações do ministro iraniano surgem num momento de trégua frágil no Médio Oriente e coincidem com a reunião dos chefes da diplomacia dos BRICS, que decorre em Nova Deli.

Segundo a EFE, o encontro ficou marcado por divisões internas no bloco quanto à guerra e ao rumo das negociações com Washington.

Entretanto, Trump, no regresso de uma visita à China, disse hoje que o Presidente chinês, Xi Jinping, defende que o Irão não deve ter armas nucleares.

"Ele [Xi] está firmemente convencido de que eles [os iranianos] não devem possuir armas nucleares e deseja que reabram o estreito" de Ormuz, declarou Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, aludindo à passagem marítima estratégica bloqueada pelo Irão.

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão provocou milhares de mortos e contribuiu para a subida dos preços do petróleo, alimentando receios de uma recessão económica global.

O Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com ataques contra países do golfo Pérsico e com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde circula habitualmente 20% dos produtos petrolíferos destinados aos mercados internacionais.

China e Índia contam-se entre os principais consumidores de petróleo iraniano, e o governo indiano já avançou com medidas de austeridade para procurar reduzir o consumo de combustíveis face à instabilidade dos mercados.

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