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Queima das Fitas de Lisboa 2026 cancelada por limitações, dizem FAL e FAIPL

Grupo de cinco estudantes de toga e capelo a consultar telemóveis num parque com ponte e palanque ao fundo.

A Queima das Fitas de Lisboa, cuja organização estava a cargo, pela primeira vez, da Federação Académica de Lisboa (FAL) e da Federação Académica do Instituto Politécnico de Lisboa (FAIPL), foi cancelada pela própria organização, que apontou “um conjunto de limitações” como motivo.

Queima das Fitas de Lisboa 2026: datas, local e cartaz

Segundo Pedro Neto Monteiro, presidente da FAL, esta tentativa procurava trazer para Lisboa uma versão recreativa do evento, com espectáculos ao vivo. “A Queima das Fitas, na sua versão recreativa, com concertos, não acontecia em Lisboa e nós tentámos implementá-la agora este ano”, disse à agência Lusa, sublinhando que “era a primeira vez” que o formato iria avançar na capital e que a expectativa passava por receber “aproximadamente cerca de 5.000 pessoas por dia”.

A Queima das Fitas de Lisboa 2026 estava prevista para 15 e 16 de maio, no Estádio Universitário de Lisboa. O cartaz divulgado incluía Miguel Luz, Samba de Ocasião, Zara G. e Más Influências, e já havia bilhetes à venda.

Cancelamento a menos de uma semana e reembolsos

No sábado, a menos de uma semana da data marcada, a organização comunicou o cancelamento através de um vídeo publicado nas redes sociais. Na mensagem, referiu “dificuldades e entraves” e garantiu que “todos os que compraram bilhete irão ser reembolsados”.

Em declarações à Lusa, Pedro Neto Monteiro explicou que o processo ficou condicionado por “um conjunto de limitações do ponto de vista logístico, operacional e até em termos de perceção”, o que acabou por inviabilizar a realização da festa.

Horário autorizado pela CML e impacto na experiência da Queima das Fitas de Lisboa

Entre os constrangimentos apontados, o presidente da FAL destacou o licenciamento solicitado à Câmara Municipal de Lisboa (CML): a organização pretendia que o evento se prolongasse até às 4 horas, mas a autorização obtida fixou o limite na 01:00. De acordo com Pedro Neto Monteiro, essa restrição complicou a montagem do programa e a distribuição dos artistas ao longo da noite.

“Para nós, é importante que a perceção dos estudantes relativamente ao evento seja a melhor possível e acreditamos que com o evento até à 01:00 não seria possível oferecer essa experiência de qualidade, até porque se compararmos, por exemplo, com a Queima das Fitas do Porto ou com a Queima das Fitas de Coimbra, que duram até às 06:00, seria claramente uma experiência diferente e nós queríamos de facto que fosse algo com mais substância”, declarou.

Quanto às razões invocadas para não permitir um horário mais alargado, Pedro Neto Monteiro indicou que estarão relacionadas com a proximidade de prédios habitacionais “imediatamente atrás do Estado Universitário”, tendo em conta o ruído. Considerou que a preocupação é “compreensível”, mas frisou que se trataria de um acontecimento pontual, a ocorrer “duas noites num ano inteiro”.

O responsável acrescentou ainda que existiram várias tentativas de entendimento com a CML, incluindo a análise de alternativas para o local do evento, como a Alameda Keil do Amaral; ainda assim, disse, “a decisão final não foi favorável”.

“Vemos a decisão, obviamente, com alguma tristeza, alguma infelicidade, porque nós gostaríamos, efetivamente, de realizar o evento e de dar uma oportunidade aos estudantes de Lisboa, que não têm uma Queima como, por exemplo, outras academias, como é o caso do Porto e Coimbra, de também terem aqui essa experiência, até porque Lisboa é a maior cidade universitária do país e, portanto, merecia algo à altura”, defendeu.

A Lusa contactou o gabinete do presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), e aguarda resposta.

Perceção pública após a Semana Académica de Lisboa

Outra componente que pesou na decisão, segundo Pedro Neto Monteiro, prende-se com “uma perceção negativa sobre eventos recreativos de natureza semelhante”, na sequência do que ocorreu na última edição da Semana Académica de Lisboa, realizada há dois anos e organizada por outra entidade, que classificou como “foi um verdadeiro desastre”.

Tradição académica mantém-se

Apesar da anulação da componente recreativa, o presidente da FAL fez questão de separar este cancelamento das cerimónias tradicionais associadas à Queima das Fitas de Lisboa. Nesse sentido, garantiu que a vertente que assinala o encerramento do percurso académico - com a imposição de insígnias, a serenata e a bênção das fitas - “não foi, de forma nenhuma, cancelada”.

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