A redescoberta do Alvarelhão, uma casta histórica do Douro, soma-se às novidades que convidam a apontar a Sabrosa, onde a Lavradores de Feitoria assinala 25 anos. Depois das provas e dos brindes, o roteiro completa-se com descanso em plena natureza, já em Vila Real.
25 anos de Lavradores de Feitoria em Sabrosa
Sediado em Sabrosa, o coletivo Lavradores de Feitoria reúne 15 produtores e 20 quintas distribuídas pela região demarcada mais antiga do mundo. Este primeiro quarto de século é celebrado numa fase particularmente dinâmica: o portefólio conta, atualmente, com 18 referências disponíveis no mercado.
Entre as várias linhas - Lavra, Lavra Altitude, Três Bagos e os vinhos de parcelas - procura-se pôr em evidência a diversidade duriense. “A minha preocupação é sempre ter frescura e leveza”, partilha o enólogo Paulo Ruão, para quem o modelo coletivo é “uma mais-valia”. “É como ter uma banda, há mais instrumentos, há mais músicos a tocar, mesmo que as castas sejam as mesas”, acrescenta.
A filosofia do projeto mantém-se: um “projeto único” em que os lavradores são acionistas, criado com o “desígnio de fazer vinhos de grande qualidade, valorizando as uvas que não eram usadas no vinho do Porto. O que torna a Lavradores de Feitoria singular é esta capacidade de se juntarem forças e de se pensar que fazemos melhor juntos do que cada um por si”, explica Filipe Caetano, administrador executivo. A adega e o enoturismo funcionam na Quinta do Medronheiro, em Sabrosa - a primeira foi construída há cinco anos e o segundo arrancou há quatro.
Alvarelhão Vinhas do Palácio 2023: a casta do Douro em destaque
Os cachos de Alvarelhão, tão presentes no imaginário duriense, surgem repetidamente na obra de Miguel Torga. O poeta e escritor descreveu-os como “expressão de vida” e “beleza erguida”, evocando uma “marca universal da natureza” que é “roxa e retesa”.
Essa mesma casta - durante muito tempo associada sobretudo a lotes de vinho do Porto - tem vindo a ser recuperada e é agora apresentada a solo no Alvarelhão Vinhas do Palácio 2023, uma das novidades do coletivo. “É a nossa grande novidade”, sublinha Paulo Ruão.
A colheita nasce de vinhas com mais de 100 anos, plantadas na Casa de Mateus, a 400 metros de altitude, numa edição limitada de pouco mais de mil garrafas. No copo, o perfil aponta para um tinto fresco, leve e frutado, com notas de fruta fresca, frutos vermelhos, cereja e romã.
O que fazer e provar na Lavradores de Feitoria
Uma nova gama mineral. A Lavra Altitude passa a integrar o catálogo com três referências - um branco, um tinto e um rosé - todos com um registo fresco, sem passagem por madeira e, nas palavras do enólogo, “fáceis de beber e consensuais”. As uvas vêm de vinhas instaladas a mais de 400 metros de altitude, o que reforça a mineralidade, sobretudo quando comparada com a da gama Lavra, que substitui a anterior gama Lavradores de Feitoria. Na visita, este trio foi o primeiro a ir a prova, acompanhado por uma tábua generosa de petiscos da região.
Outras novidades lançadas. Há mais estreias à espera de quem passa por Sabrosa. Nos monocastas, surgem o Três Bagos Sauvignon Blanc 2024 e o Três Bagos Riesling 2019. Na mesma família, chegam também o Reserva Branco 2024, o Reserva Tinto 2022 e o Grande Escolha Tinto 2019 - este último de vinhas velhas e com uma expressão clássica. Já o Quinta da Costa das Aguaneiras Tinto 2019, o Vinha do Sobreiro Tinto 2017 e o Meruge Tinto 2021 prestam tributo, respetivamente, à Touriga Nacional, à Touriga Franca e à Tinta Roriz. Vale ainda mencionar o Colheita Tardia Branco 2022.
Atividades no enoturismo. A componente de enoturismo inclui visitas à adega e à vinha, com explicação das práticas de viticultura e das etapas de vinificação. As experiências podem terminar com provas na sala de degustação com vista panorâmica sobre as vinhas, com diferentes formatos e preços para várias carteiras (17 a 125 euros). Mediante marcação, é possível acrescentar uma tábua de enchidos, queijos e petiscos. Com reserva prévia e num registo mais imersivo, o visitante pode ainda ser enólogo por um dia, criando o seu próprio blend e levando para casa uma garrafa personalizada.
Um alojamento rural e familiar
Para fechar a viagem pelo Douro, há noites de descanso na Casa Agrícola da Levada, a poucos minutos de carro da Lavradores de Feitoria e igualmente a assinalar um quarto de século. Em Vila Real, o alojamento é gerido por mãe e filha - Inês Albuquerque e Ana Paganini - e tem a natureza como pano de fundo: são sete hectares de floresta, vinha, horta e pomar, atravessados pelo rio Corgo.
No total, existem nove casas de pedra, desde estúdios para dois a casas com capacidade para oito pessoas. As primeiras remontam ao século XVIII e mantêm um ambiente rústico, com cozinha equipada e pátios onde é possível fazer churrascos. O lado familiar sente-se em detalhes pensados para os mais novos, como baloiços e pequenas casas de brincar, perto do abrigo dos coelhos.
O tempo livre pode dividir-se entre as duas piscinas exteriores, passeios de bicicleta pela propriedade ou um piquenique levado para o Douro Vinhateiro ou para o Parque Natural do Alvão.
Lavradores de Feitoria
Quinta do Medronheiro, EN 323, Sabrosa
Tel.: 259 937 380
Web: lavradoresdefeitoria.pt
Visitas e provas desde 17 euros
Casa Agrícola da Levada
Rua da Capela Nascente, 1, Vila Real
Tel.: 259 322 190
Web: casadalevada.com
Estúdio desde 95 euros; casas desde 110 euros, com pequeno-almoço
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