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David Attenborough: a lição maior que nos deixa

Professor idoso ensina crianças sobre plantas e meio ambiente numa área verde perto da cidade.

David Attenborough no grande ecrã

Durante décadas, habituámo-nos a vê-lo no grande ecrã, ora enredado em vegetação cerrada, ora a infiltrar-se em comunidades de animais selvagens. A voz - quase divinal - e a aparente ausência de medo, num diálogo entre espécies, tinham a força de devolver sentido à própria Humanidade.

Um alerta ambiental que ganhou urgência

David Attenborough não é apenas um dos naturalistas mais marcantes da História. Acima de tudo, é um testemunho vivo de como, ao longo de gerações, fomos construindo uma relação negligente com o planeta. A dimensão ambientalista da sua figura é essencial; ainda assim, a urgência dos seus apelos só começou a ser verdadeiramente escutada quando, em conjunto, nos apercebemos de que estávamos a correr em direcção ao abismo.

Não se pense, porém, que a visão do agora centenário David Attenborough (benditos genes e bendita lucidez) se esgota num fatalismo que nos empurra para a mediocridade. Nem que este "tesouro nacional britânico", como tão apropriadamente o descreveu David Beckham, tenha desistido de nós por já não encontrar rumo nem esperança na Humanidade.

A fé nos jovens e a lição final de Sir David Attenborough

Esse desencanto - de quem viu o melhor e o pior do ser humano, sempre numa ligação directa à fauna e à flora - não o impediu de escancarar uma janela frondosa por onde possam entrar aqueles que hão-de herdar este chão comum: os jovens. É neles que Sir David deposita uma fé inabalável: mesmo nas horas mais sombrias, o Homem será capaz de se adaptar para se preservar.

Eis o maior ensinamento que podemos guardar de um ser humano singular, que é imperativo celebrar em vida. Há uns anos, o jornalista Anderson Cooper, no programa "60 minutes", lançou-lhe um desses questionários-bala. E, no meio desse fogo amigo, surgiu a pergunta das perguntas: "O que é que uma ou mais pessoas deviam saber?" Sir David não hesitou: "Que somos parte do Mundo, somos parte uns dos outros, somos parte da vida. E que tudo está ligado".

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