Saltar para o conteúdo

RAF: Airbus A400M Atlas ZM407 das Ilhas Malvinas volta a fazer paragem técnica no Chile

Avião militar cinza no solo com várias pessoas de colete amarelo e montanhas nevadas ao fundo.

Paragem técnica do A400M ZM407 no Chile

Um Airbus A400M Atlas de transporte táctico da Royal Air Force (RAF), destacado para as Ilhas Malvinas, voltou a efectuar uma escala técnica em território chileno. A aeronave, com a matrícula ZM407 e baseada na instalação militar britânica de Mount Pleasant, aterrou na passada sexta‑feira, dia 12 deste mês, no Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez, em Santiago do Chile, depois de ter descolado de Brasília, no Brasil.

Rede logística entre as Ilhas Malvinas e o continente

De acordo com informação divulgada pelo Cenário Mundial (EM), o voo do A400M ZM407 integra a rede logística que liga as Ilhas Malvinas ao continente, recorrendo a infra‑estruturas civis e militares na região. Este tipo de operação é determinante para manter a presença militar britânica no Atlântico Sul, assegurar o abastecimento das forças destacadas no arquipélago e dar suporte a missões na Antárctida. Nos últimos anos, o Chile e o Uruguai passaram a ser pontos de escala recorrentes para aeronaves britânicas, o que evidencia a consolidação da rede logística do Reino Unido no Cone Sul.

Padrão de voos britânicos em 2025 e dúvidas sobre autorizações

O caso do A400M ZM407 não surge de forma isolada. Ao longo de 2025, tem‑se observado um padrão de voos britânicos com rotas entre as Ilhas Malvinas e o Brasil e o Chile, e entre as Ilhas Malvinas e o Uruguai e o Chile, envolvendo aparelhos como os A400M Atlas ZM421 e ZM418, bem como o DHC‑6 Twin Otter VP‑FAZ em operações antárcticas. Em várias destas missões, os tempos de voo registados apontam para possíveis trânsitos sobre território argentino, sem que exista informação pública sobre eventuais autorizações, um elemento que continua a alimentar preocupações quanto à transparência e à legalidade destas operações.

Escalas anteriores da RAF no Chile e operações na Antárctida

Também não é a primeira vez, este ano, que um A400M da RAF aterra no Chile. A 13 de Fevereiro, a aeronave ZM421 realizou uma escala em Punta Arenas depois de descolar de Mount Pleasant, embora não tenham sido divulgados os motivos oficiais da deslocação.

Pouco depois, em Março, outro aparelho do mesmo tipo participou na Operação Austral Endurance, projectando‑se do Chile para Union Glacier, na Antárctida, em apoio ao British Antarctic Survey (BAS). Essa missão, apoiada por um avião‑tanque Voyager KC3, constituiu um dos voos mais austrais efectuados pela RAF nos últimos anos, confirmando uma presença britânica que se estende das Ilhas Malvinas ao continente antárctico.

Momento diplomático sensível e reacção argentina

O mais recente voo do ZM407 ocorre igualmente num período diplomático delicado. Dias antes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argentina manifestou a sua “mais forte rejeição” ao anúncio de investimento da Rockhopper Exploration (Reino Unido) e da Navitas Petroleum (Israel) para explorar o campo Sea Lion, em águas da Bacia Norte das Malvinas. Para o governo argentino, a iniciativa viola resoluções da ONU relativas ao diferendo de soberania, tendo sido admitida a possibilidade de avançar com medidas legais contra as empresas envolvidas.

Até ao momento, não existem declarações oficiais do Ministério dos Negócios Estrangeiros argentino sobre a escala do A400M ZM407 nem sobre eventuais pedidos de sobrevoo. Ainda assim, a repetição de operações britânicas entre as Ilhas Malvinas e aeroportos sul‑americanos reforça as preocupações em torno do uso de infra‑estruturas civis regionais para fins militares numa zona de elevada sensibilidade geopolítica e soberania disputada.

Poderá também gostar de: O Exército Britânico lançou uma nova e significativa série de exercícios militares nas Ilhas Malvinas


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário