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Twice esgota a Meo Arena na sua maior digressão mundial de sempre

Pessoas de várias idades numa multidão num concerto, segurando luzes e adereços com corações e fotos.

A banda feminina Twice vai atuar na Meo Arena, em Lisboa, e a sua maior digressão mundial de sempre praticamente esgotou a sala. Para a comunidade de fãs da K-Pop Covers Portugal, o avanço deste género é imparável - e já não se restringe a uma única geração.

O público que segue K-Pop é cada vez mais heterogéneo: há crianças que começam antes dos 10 anos e, hoje, a fronteira etária tornou-se difícil de definir. Este universo transformou-se num fenómeno global de música e cultura pop e tem crescido de forma evidente em Portugal. Entre coreografias exigentes, uma estética cuidada, refrões que ficam no ouvido, coleções de cartões de fotografia, bastões de luz e uma avalanche de vídeos - incluindo colaborações entre as muitas dezenas de grupos ativos - chega este sábado ao país um dos nomes mais antigos e influentes do K-Pop: as sul-coreanas Twice.

Criado em 2015 pela JYP Entertainment - um conglomerado com forte peso no pop sul-coreano, em competição com empresas como a Hybe e a YG - o grupo reúne nove intérpretes. Mais de dez anos depois do arranque, mantém intacta a formação original: Nayeon, Jeongyeon, Momo, Sana, Jihyo, Mina, Dahyun, Chaeyoung e Tzuyu.

Para quem acompanha de perto, estes nomes são imediatamente reconhecíveis, tal como as canções, os traços de personalidade, as preferências e os estilos de cada uma. Os fãs escolhem as suas favoritas - as “bias” - e procuram com entusiasmo os “photocards”, sempre à espera de novos lançamentos.

Recorde mundial de bilhetes das Twice

As Twice chegam a Portugal integradas na sexta digressão da carreira, a mais ambiciosa até agora, com um palco a 360° pensado para uma vivência mais imersiva. A tournée inclui datas na América, Europa e Ásia e aponta para um marco inédito: estima-se que alcance dois milhões de bilhetes vendidos, um recorde para um grupo feminino de K-Pop.

Quanto ao espetáculo, e tendo como referência atuações recentes, prevê-se um alinhamento com mais de 30 músicas, centrado no quarto álbum, “This Is for” (2025). Entre os temas esperados contam-se “Strategy” e “The feels”, dois dos êxitos mais populares.

Para o núcleo duro de seguidores - conhecido como Once - há ainda um momento com forte carga emocional: a versão ao vivo de “Takedown”. A canção integra a produção recordista da Netflix “Guerreiras do K-Pop” e, nos créditos finais, é interpretada por Jihyo, Jeongyeon e Chaeyoung; tem sido, também, um dos destaques desta digressão.

Há cada vez mais fãs na K-Pop Covers Portugal

Enquanto as Twice acumulam novos feitos, o filme oscarizado da Netflix continua a ter impacto mundial, ajudando a ampliar este movimento musical. Hoje, projetos como Straykids, NewJeans, Le Sserafim, Katseye, Illit - além das já consagradas Blackpink ou dos BTS, que regressaram recentemente - representam apenas uma parte das muitas propostas com comunidades enormes. É um fenómeno que, segundo estimativas, já movimenta mais de cinco mil milhões de euros por ano e reforça, em simultâneo, a influência cultural e económica da Coreia do Sul.

Em Portugal, esta dinâmica também se sente. Comunidades como a K-Pop Covers Portugal, criadas por fãs e para fãs, acompanham a aceleração do interesse: “Tem vindo a crescer muito. Quando começámos, era sobretudo um grupo de jovens e adolescentes, mas agora é transversal nas idades, nas zonas do país, na diversidade”, explica Kika ao JN.

A associação reúne várias bandas de covers desde 2015 e promove já uma gala anual de prémios. “Há agora escolas de dança, há muito interesse, muita coisa a acontecer”, sublinha, recordando ainda que Portugal recebeu em 2025 o Music Bank, um evento de K-Pop acompanhado em todo o Mundo. Para Kika, esse foi “um calro sinal de que as empresas estão a olhar mais para o nosso país”.

"Antes só havia adolescentes, agora há mães e avós"

Em Moscavide, na Rua Artur Ferreira da Silva, abriu em janeiro - por iniciativa de duas fãs - a Inki: um espaço que funciona como loja e lounge 100% K-Pop, com álbuns e merchandising de dezenas de grupos.

Em declarações ao JN, as fundadoras Bruna Reis e Cláudia Romão descrevem a origem do projeto: “Somos fãs desde 2009, achámos que havia potencial e que o podíamos complementar - este é um mercado que pede muito produtos específicos”.

As responsáveis confirmam, igualmente, o aumento do número de adeptos. “Quando começámos, a comunidade era mesmo muito pequena, era como se fosse uma aldeia onde todos se conhecem. Mas agora, a aldeia expandiu-se para uma nação”, dizem, relacionando parte dessa expansão com o “boom” nas diferentes idades, impulsionado pelas redes sociais: “Antes quase só havia adolescentes, agora vêm mães e avós. E gostam, interessam-se, conhecem, isto deixou de ser limitado”.

Os bilhetes para ver hoje as Twice na Meo Arena, em Lisboa, com preços entre 112 e 460 euros, estavam, a poucas horas do concerto deste sábado (20 horas), praticamente esgotados.

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