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Manu Buffara estreia-se em Portugal no Elemento Atlântico, na Praia do Pego, Comporta

Chef feminina arruma prato de marisco num restaurante com vista para a praia ao pôr do sol.

Depois de ter passado por cozinhas de referência como o Noma (Dinamarca) e o Alinea (Estados Unidos), Manu Buffara - a chef por detrás do restaurante “Manu”, em Curitiba, distinguido na lista dos 100 melhores da América Latina - diz ter encontrado “o momento perfeito para cruzar o Atlântico e dar início a uma nova e profunda etapa em Portugal”. O destino é a Praia do Pego, já integrada no ecossistema turístico da Comporta, na costa alentejana. "Não foi só uma expansão, foi um alinhamento porque a Comporta conversa diretamente com a minha cozinha, no momento em que estou hoje", revela.

Com a edição do livro “Brazilian Cookbook”, a chef aprofundou o estudo da história da imigração e da ligação histórica entre Portugal e o Brasil. "Nada mais certo e correto do que poder vivenciar isso na Comporta". A expressão “sotaque brasileiro no solo português” surge em tom de brincadeira, mas traduz a abordagem: em vez de replicar a gastronomia clássica local, procura reinterpretá-la com a sua própria sensibilidade.

Elemento Atlântico: a nova cozinha de Manu Buffara na Praia do Pego, Comporta

Para compreender o território e ganhar raízes na região, Manu Buffara contou com a ajuda de chefs portugueses como João Rodrigues (Projecto Matéria e restaurantes Canalha Comporta e Lisboa) e Vítor Sobral (restaurante Inari, Quinta da Comporta), que a aproximaram de produtores e ingredientes.

A partir desse mapeamento, pratos reconhecíveis ganham outra leitura, com “leite de coco, linguiças portuguesas com vinagre que usava em Curitiba e molhos feitos com técnicas brasileiras”. Entre as propostas, destaca-se o “Arroz cremoso de caju com carabineiro”, também conhecido como o "Arroz-não-arroz", que integra o menu do restaurante Elemento Atlântico.

Pratos do Elemento Atlântico: umami, mar e técnica com “sotaque brasileiro no solo português”

Descrito como um prato rico em umami, o "Arroz-não-arroz" recria a textura do cereal a partir de caju seco; a chef junta ainda o caldo da cabeça do carabineiro para obter uma pasta.

No mesmo alinhamento entre mar, produto e técnica, o menu inclui ainda: “Massa escaldada de bacalhau com ervas locais e pimentos queimados”, “Ostras selvagens com maracujá e óleo de coco”, “Pão de massa-mãe com patê de frango”, “Milho com lula na brasa”, “Sanduíche de lavagante com manteiga de limão”, “Tártaro de atum com maionese cítrica e shiso crocante”, “Tártaro de wagyu com alcachofra crocante e mostarda”, “Vieiras marinadas com leite de tigre” e “Polvo com arroz negro e funcho na brasa com molho de grão”. A oferta estende-se também a carnes com osso na grelha e a peixes inteiros grelhados.

Philippe Starck assina o projecto de arquitectura

O restaurante tem desenho do criador francês Philippe Starck e já passou por diferentes identidades: abriu como Praia na Comporta, depois tornou-se Caché Comporta e adopta agora o nome Elemento Atlântico. Esta nova fase surge associada aos novos proprietários do premiado hotel Quinta da Comporta, no Carvalhal, distinguido com Chave de Ouro no Guia Boa Cama Boa Mesa 2026.

Pensado para receber cerca de 80 pessoas no interior e mais 30 na esplanada, o espaço inclui também uma área dedicada a aperitivos.

Na carta de bebidas, surgem sugestões como “Maré Doce”, com cachaça, xarope de arroz torrado, sumo de limão e conhaque; “Expresso do Rio”, com cachaça, água de coco, açúcar e limão; e “Confusão na Comporta”, com rum branco e rum escuro Planteray, xarope de coco, especiarias, sumos de limão e de ananás e champanhe.

Para Manu Buffara, a proposta gastronómica deve dialogar com o lugar. "A comida é cultura e traz uma ideia de refúgio. Não deve competir com o espaço", reflete.

“Queria criar uma narrativa entre arquitetura, luz, texturas, design do prato, música, tentei montar tudo para que ao entrar no ambiente pareça que nos está a abraçar, queria Philippe Starck e Manu em sintonia”.

Sustentabilidade, comunidade e impacto local

Líder activa de projectos sociais no Brasil

O conceito do novo restaurante é apresentado como o resultado de uma conversa profunda sobre mar, produtos locais, memórias afectivas e sustentabilidade, enquadrada pela arquitectura do designer.

Além do trabalho em cozinha, Manu Buffara assume-se como defensora da biodiversidade e participa activamente em projectos sociais no Brasil, como o Instituto Manu Buffara, o Alimenta Curitiba e o Mulheres do Bem - iniciativas que aproximam alimentação, educação e inclusão social.

Já em Portugal, a chef observa o ecossistema e a comunidade da região de Grândola com a mesma vontade de retribuir. "Sou uma pessoa louca para devolver para a sociedade, ajudar, estar junto. Quero muito criar conexões locais, especialmente na educação, alimento e na cadeia fornecedora”.

No dia 6 de junho (reservas a partir de 4 de junho), Manoella Buffara, natural de Maringá, eleita Melhor Chef da América Latina, em 2022, pelos “50 Best”, distinguida com “três facas” The Best Chef Awards 2024 e com o Flor de Caña Sustainable Restaurant Award - reconhecimento associado ao restaurante de alta cozinha em Curitiba, com apenas cinco mesas, que colocou a cidade na rota internacional - estará diariamente no Elemento Atlântico (Praia do Pego, Carvalhal. Tel. 933096490), das 16h00 à 1h00.

O convite para integrar o Elemento Atlântico partiu de Xavier Padovani, o último membro do Experimental Group, grupo de hospitalidade francês fundado em 2007, em Paris, por três amigos de infância: Olivier Bon, Pierre-Charles Cros e Romée de Goriainoff. Em Portugal, o grupo já avançou com a aquisição da Quinta da Comporta e com a transformação do histórico Hotel Infante Sagres, no Porto, com abertura prevista para 2026, deixando clara a ambição de continuar a crescer no país.

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